
“Que a alegria das luzes, da festa e da mesa posta seja para todos. Que a Esperança não conheça os limites da normalidade das nossas vidas, do meio onde nos movemos”. Ilustração © Lígia Rodrigues, cedida pela autora.
Li com atenção, não tanto o texto integral das mensagens de alguns bispos portugueses, no início do Advento, mas os resumos que a imprensa me proporcionou.
Preferia que, tal como as grandes superfícies comerciais, o fizessem, com mais antecedência, para que os párocos, nas suas paróquias, se preparassem e preparassem os seus fiéis.
Nessas mensagens, vi apenas convites, imperativos, optativos, piedosas e rectas intenções, à mistura com alguma poesia e dirigidos aos fiéis, esquecendo-se eles próprios, junto dos seus párocos e destes junto dos seus paroquianos, dando a ideia de que só estes é que têm de se preparar, tal como se fosse um professor junto dos seus alunos, sem as respectivas aulas prévias. Tal, ainda, como no Dia do Bom Pastor, as homilias são dirigidas às Ovelhas, esquecendo-se eles próprios, como Pastores.
Um convida os seus diocesanos “a partir duma dinâmica pastoral” para que cada um encontre na própria vida “as raízes da alegria” de Deus. “Façamos neste advento centrados nessas raízes, nessa árvore frondosa da qual Cristo há-de nascer”.
Pergunto: “que dinâmica pastoral ” tem para os seus fiéis ou ao menos propõe? Deixa ao critério de cada pároco? Neste caso, ao critério dos cristãos. Que “raízes” são essas? Muito vago… que passará despercebido; e quem lerá esta mensagem?
Um outro pede “num desafio diário, que “o nascimento de Jesus seja celebrado com “mesa posta para todos” e “insiste na capacidade urgente de se abrir a todos, de acolher nas paróquias todos os que batem à porta, com mais ou menos barulho”. De certeza que o vai fazer, mas ficava-lhe bem, o exemplo, dizendo a quem vai estender a toalha da sua mesa.
“Que a alegria das luzes, da festa e da mesa posta seja para todos. Que a Esperança não conheça os limites da normalidade das nossas vidas, do meio onde nos movemos”.
Continuamos no vago, nos imperativos bem-intencionados “seja celebrado”, “seja para todos”, “que a esperança não conheça limites” …” que ninguém viva este tempo tão belo do Natal…” Também os convites: “somos convidados” …
Continuamos em pedidos, sem oferta ou proposta de trabalho pastoral da parte dos pastores, de preferência, diocesano, uniforme: “peço-vos que sejais capazes… ” Após se referir “ao esquecimento da dimensão sobrenatural do Natal, da sua vivência mais ou menos consciente entre os nossos, os amigos e colegas de que gostamos e até mesmo ajudamos, diz-nos que “o Natal é outra coisa”, pede-nos que o anúncio deste nascimento chegue a todos. “Que a Esperança não conheça os limites da normalidade das nossas vidas, do meio onde nos movemos”. E continua a dirigir- aos outros” pede-nos que… “faz votos de que “ninguém viva este tempo tão belo do Natal, sem saber que o Filho de Deus nasceu em Belém”.
Que plano pastoral tem para ele próprio, propõe aos seus párocos para que se saiba que “o Filho de Deus não só nasceu em Belém”, mas que viveu “passando e fazendo o bem a todos” e dando a Vida? Deixa ao critério de cada um? Quantos cristãos, a partir deste Natal e desta mensagem, conhecerão melhor este “Menino”? Limito-me a estes porque mais ou menos, o estilo, as intenções dos outros Pastores, quer bispos, quer Párocos, são os mesmos.
Citando um pároco, continuamos no vago: “O presépio coloca-nos no centro do mistério que estamos a celebrar”.
Concluindo: Celebramos “esta dimensão sobrenatural do Natal, da sua vivência mais ou menos consciente entre os nossos, os amigos e colegas de que gostamos e até mesmo ajudamos” sem saber que “o Natal é outra coisa”. Ficámos a saber o que é, então?
Reparei em algumas paróquias, se há acções de formação evangélica, cristã, pastoral, para saber, perceber “esta dimensão sobrenatural do Natal” e também humana, mas vi o habitual: horário das Missas, confissões, cartório, quermesses, viagens…
O imperativo do Mestre “ide e ensinai”… está muito esquecido… este tempo de Advento é ” o tempo aceitável” e propício para tal…
Em minha leitura, temos mensagens, já muito batidas, mas… não temos a MENSAGEM tão directa e certa como a que os pastores receberam e comprovaram.
Serafim Falcão, Professor aposentado do Ensino Secundário e autor de “A Alegria do Evangelho na nossa Paróquia”, baseado, motivado e inspirado na Exortação Apostólica do Papa Francisco. Contacto: s.m.falcao@gmail.com







