Decisão de Assembleia

Ministros da Igreja da Escócia podem celebrar casamentos gays

| 24 Mai 2022

Manifestação a favor do casamento homossexual. Foto @Ian Taylor | Unsplash

 

Os ministros da Igreja da Escócia vão poder celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo, decidiu a assembleia geral desta Igreja, ao aprovar legislação que permite, pela primeira vez, estes casamentos.

A alteração foi cirúrgica, descreve o Christian Today: 274 votos a favor, contra 136, foram suficientes para retirar as palavras “marido” e “mulher” na secção 2 da Lei de Reconhecimento de Serviços de Casamento (Lei I de 1977), cuja redação atual declarava: “O casamento na Igreja da Escócia é celebrado por um ministro ordenado numa cerimónia religiosa em que, diante de Deus, e na presença do ministro e pelo menos duas testemunhas competentes, as partes concordam em aceitar um ao outro como marido e mulher enquanto ambos viverem, e o ministro declara que as partes são marido e mulher.”

Na nova redação também se atualiza quem pode celebrar o casamento, ao acrescentar-se o “diácono”: “A solenidade do casamento na Igreja da Escócia é realizada por um ministro ou diácono ordenado numa cerimónia religiosa em que, diante de Deus, e na presença do ministro ou diácono e pelo menos duas testemunhas competentes, as partes se comprometem em aceitar um ao outro em casamento enquanto ambos viverem, e o ministro ou diácono declara que as partes estão casadas.”

A Igreja da Escócia inscreve-se na tradição protestante, tendo no presbiterianismo a inspiração para o seu sistema de governo. A rainha do Reino Unido não é a autoridade suprema da Igreja da Escócia, como acontece na Igreja da Inglaterra, ainda que possa participar, sem direito a voto, na sua assembleia geral.

O texto agora alterado mereceu contestação de membros da Igreja, segundo um relatório da assembleia geral de 2022, que revelou que 29 presbitérios deram o seu apoio à legislação e que 12 se opuseram. Houve quem argumentasse que “o que está a ser proposto é contrário ao ensinado nas escrituras e causaria mais divisão dentro da Igreja da Escócia”.

A nova liturgia será agora elaborada para uso mas cerimónias de casamento entre pessoas do mesmo sexo, e o Comité de Questões Legais preparará orientações para acompanhar as mudanças na atual lei.

Os ministros terão de se registar para celebrarem casamentos gays e renovar essa licença a cada três anos. A legislação garante objeção de consciência e nenhum ministro pode ser obrigado a realizar um casamento entre pessoas do mesmo sexo ou envolver-se na preparação contra a sua vontade. Já aqueles que desejam realizar casamentos gays devem “ter em conta a paz, a unidade e as necessidades pastorais da congregação e de qualquer paróquia ou outro agrupamento de que faça parte”.

De acordo com o Christian Today, os defensores desta abertura argumentaram que o status quo estava a prejudica os cristãos LGBT, que não puderam casar-se na Igreja e que esta estava a “tornar as pessoas indesejadas”.

O reverendo Scott Rennie, que é casado com uma pessoa do mesmo sexo, disse que “não poderia ser um ministro desta Igreja” sem o amor e o apoio do seu marido. Já o reverendo Phil Gunn, ministro da Igreja Paroquial de Rosskeen, em Alness (Ross and Cromarty), afirmou que a legislação “não era bíblica”.

 

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