
Oito responsórios de Natal e duas missas – a de Santa Maria e a de Isabel e Zacarias – compõem este disco, que mostra porque é que Duarte Lobo é um dos nomes grandes da “idade de ouro” da polifonia portuguesa, praticamente coincidente com o tempo em que Portugal esteve na dependência da Coroa de Espanha (1580-1640). A par do compositor nascido cerca de 1565, os nomes de Pedro de Cristo ou Manuel Cardoso (que já foi também motivo de um disco dos Cupertinos) são outros dos destaques importantes deste período.
Duarte Lobo terá começado por estudar com Manuel Mendes na Sé de Évora, antes de assumir o cargo de mestre de capela no Hospital Real de Todos os Santos, em Lisboa, de onde transitaria para o mesmo cargo na Sé de Lisboa, cerca de 1591 – ou seja, com menos de 30 anos –, aí permanecendo por quase cinco décadas.
Como nota Luís Toscano no texto de apresentação do disco, Lobo gozava de grande popularidade, perceptível na forma como a sua música era ouvida nas Américas e na Europa – em Londres, por exemplo, o compositor português era um dos mais interpretados, a par de gigantes como Haendel, Palestrina, Gibbons ou Tallis, refere ainda o director dos Cupertinos. Outro pormenor: uma das obras de portugueses mais interpretadas e gravadas hoje em dia, a par de Stivit anima mea, de Manuel Cardoso, é o Audivi vocem de caelo, o motete com que se abre este disco. O texto adapta um excerto do livro do Apocalipse (“Do céu ouvi uma voz que me dizia: Felizes os mortos que morrem no Senhor”) e esse é o pretexto para uma música simultaneamente serena e arrebatadora que nos leva pela mão.
Nos responsórios de Natal, pode acrescentar-se a esses sentimentos o tom jubiloso e festivo, a que esse tempo litúrgico convida. As duas missas, por seu lado, são compostas como paródias (ou seja, com referência) a motetes do espanhol Francisco Guerrero (1528-1599) e nelas oscilamos entre o tom mais meditativo e penitencial dos Kyrie ou Agnus Dei, e os mais afirmativos ou aclamativos do Credo ou do Gloria.
Título: Masses Responsories & Motets
Autor: Duarte Lobo
Intérpretes: Cupertinos;
dir. Luís Toscano
(Este texto foi inicialmente publicado no número de Dezembro de 2021 da revista Além-Mar, dos Missionários Combonianos.)










