
Alocação do Angelus com o Papa Francisco. “O mundo tem necessidade de paz, não uma paz baseada sobre o equilíbrio dos armamentos, no medo recíproco”. Foto de arquivo © Tony Neves
O Papa alertou hoje no Vaticano para o possível regresso dos cenários que levaram à “Guerra Fria”, no século XX, apelando ao diálogo entre os responsáveis internacionais, perante a guerra na Ucrânia e noutras regiões. “Não a um mundo dividido entre potências em conflito; sim a um mundo unido, entre povos e civilizações que se respeitam”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação do ângelus, citado pela Ecclesia.
Francisco lançou um apelo aos chefes das nações e organizações internacionais, para que “reajam à tendência de acentuar a conflitualidade e o confronto”. “O mundo tem necessidade de paz, não uma paz baseada sobre o equilíbrio dos armamentos, no medo recíproco. Não, isto não serve, significa fazer voltar a história de há 70 anos”, advertiu.
O Papa sustentou que é necessário passar “das estratégias de poder político, económico e militar a um projeto de paz global”. “Continuemos a rezar pela paz na Ucrânia e em todo o mundo”, apelou, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro.
Francisco tem condenado a ofensiva russa na Ucrânia, com vários gestos de solidariedade para com as vítimas, alertando ainda para os efeitos do alargamento da NATO, que pode ser vista por Moscovo como uma provocação. No seu novo livro Contra a Guerra – a coragem de construir a Paz, que o 7MARGENS fez uma pré-publicação, o Papa refere, não apenas, mas também, o conflito uncraniano, que tem estado no centro das atenções do Papa.
No entanto, Francisco não deixa de olhar para o resto do mundo, e por ainda hoje esteve também com a comunidade congolesa, numa missa em rito zairense presente em Roma, como forma de assinalar o dia em que estaria de visita aquele país e ao Sudão do Sul, uma visita adiada por causa do estado de saúde do Papa, que continua a recuperar de um problema no joelho.
O Papa reforçou os seus apelos à paz na República Democrática do Congo (RDC). “Hoje, queridos irmãos e irmãs, rezamos pela paz e pela reconciliação na vossa pátria, República Democrática do Congo, tão ferida e explorada. Unimo-nos às Missas celebradas no país segundo esta intenção e rezamos para que os cristãos sejam testemunhas de paz, capazes de superar qualquer sentimento de ódio e vingança, a tentação de que a reconciliação não seja possível, qualquer ligação doentia ao próprio grupo que leve ao desprezo do outro”, indicou Francisco, na sua homilia.









