O novo cardeal português e a inscrição do catolicismo à esquerda
Sem uma “inscrição à esquerda”, o catolicismo “perde uma potencialidade profética que lhe é absolutamente indispensável”, dizia, em 2017, o futuro cardeal José Tolentino Mendonça, falando num colóquio no Centro de Reflexão Cristã, em Lisboa.
Num texto do Diário de Notícias, recordam-se aspetos do pensamento político do agora bibliotecário da Santa Sé. Em 1992, Tolentino assinou, com mais alguns padres do Funchal, um manifesto contra o que consideravam uma estreita conivência entre o poder político e eclesiástico da Madeira. No texto, pediam que “o debate seja estimulado e não evitado; que os direitos de oposição e de discordância sejam considerados aspetos essenciais da democracia; que, em consequência, a unanimidade não seja erigida em valor ou objetivo final de uma sociedade democrática”.
Poeta, padre, teólogo e biblista, e filho de pescador, a intervenção política de José Tolentino Mendonça é menos conhecida do grande público, mas é precisamente essa dimensão que o texto do DN recorda.
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