
“Sem fé não se pode viver, e graças a essa fé eu converso com os meus filhos todas as noites”, afirma Hebe Bonafini. Foto © Margarita Solé / Ministerio de Cultura de la Nación, via Wikimedia Commons.
“Eu tinha perdido completamente a fé e, graças ao Papa Francisco, redescobri-a”. A revelação acaba de ser feita pela diretora da Associação das Mães da Praça de Maio, Hebe Bonafini, falando da sua relação com o Papa, desde que este iniciou o seu ministério no Vaticano, em 2013.
Esta ativista de Buenos Aires, cuja associação exige o direito a saber o que aconteceu aos seus filhos, desaparecidos e/ou assassinados pela ditadura militar argentina (1976-83), recordou que Francisco a convidou várias vezes para ir a Roma reunir-se com ele. “Pareceu-me que não deveria ir, porque já me tinha pegado com ele muitas vezes. Até que um dia ele enviou um bispo a minha casa, com quem conversei, e aceitei o convite”, conta.
O começo do encontro propriamente dito não foi fácil para Hebe de Bonafini. Afinal, “é muito difícil começar uma conversa com alguém com quem se anda de candeias às avessas”. E atirou irónica ao Papa: “Trouxe água, porque me disseram que o Vaticano é pobre”. Ao que Francisco respondeu: “Vou-te mostrar que não é”. E saiu, regressando com um doce. Havia muito para conversar e, de facto, a conversa demorou mais de duas horas e meia.
“Depois dessa conversa, tudo continuou como uma amizade”, recorda a lutadora pelos direitos humanos, acrescentando: “Eu tinha perdido completamente a fé e quando o relacionamento começou, a minha fé foi restaurada, tão necessária… Sem fé não se pode viver, e graças a essa fé eu converso com os meus filhos todas as noites”.










