
‘Até hoje me fazem perguntas como por exemplo: “Como é que rezas?”, “Qual é o teu local de oração?”’ Foto: Comunidade SikH Lisboa. © Facebook Gurudwara Sikh Sangat Sahib
Eu sou o Rajveer Singh, tenho 17 anos, de momento frequento o 12º ano num curso profissional de Gestão e Marketing, faço parte da Comunidade Sikh de Portugal.
Nasci no estado de Punjab, Índia e imigrei para Portugal quando tinha quatro anos. O meu pai está em Portugal já há mais de 25 anos. A jornada de um imigrante não é fácil, e complica-se mais quando ele passa a sua vida num país onde as pessoas da sua comunidade são raramente vistas e os residentes não têm grande conhecimento sobre uma cultura distinta.
Até hoje me fazem perguntas como por exemplo: “Como é que rezas?”, “Qual é o teu local de oração?”, tento responder da forma mais clara e simples de se entender para conseguir dar mais conhecimento às pessoas que fazem essas perguntas; isso beneficia-nos a todos: partilhar é a melhor forma de todos nós podermos viver em harmonia e paz.
Fiz os meus estudos desde o jardim de infância e, se hoje consegui integrar-me e se consigo comunicar sem qualquer dificuldade, foi tudo graças aos meus professores, que sempre me apoiaram e que continuam a apoiar diversos alunos como eu. Quando cheguei a Portugal, tinha grandes dificuldades em falar e pronunciar uma língua que é totalmente distinta da minha, mas graças ao sistema educativo, hoje consigo frequentar os meus estudos como qualquer outro cidadão português.
Mas, como se diz, uma moeda tem sempre dois lados: de um lado temos as pessoas que nos ajudam e nos tratam como “iguais”, mas, por outro lado, temos certos indivíduos que se acham inseguros ao ver uma pessoa de outra comunidade ou religião mesmo que ela esteja a tentar dar o seu melhor para se estabelecer num país onde não só a sua cultura, mas também língua, costumes, pessoas, tradições são totalmente diferentes. Há diversos indivíduos como eu e a minha família que deixam o seu país à procura de um futuro melhor, e depois precisam de lidar com discriminação racial e xenofobia e alunos migrantes que passam por bullying só por terem uma aparência diferente. Por exemplo, nós, sikhs, usamos um turbante na cabeça que faz parte dos preceitos de fé da nossa religião, mas devido à falta de conhecimento, frequentemente somos confundidos com muçulmanos ou hindus.
Nos últimos anos a situação tem melhorado em vários aspetos, tendo em conta o aumento do número de imigrantes que deixam os seus países e vêm para Portugal com muitas expectativas e procurando uma vida melhor, e é aqui que as instituições religiosas como o Gurudwara Sikh Sangat Sahib Lisboa desempenham um papel importante, é aí que eles se sentem acolhidos.
Rajveer Singh é estudante do 12º ano em Gestão e Marketing e integra a Comunidade Sikh de Portugal.










