[Ensaio]

O Silêncio Interior. Sob a influência de Thich Nhat Hanh

| 17 Nov 2023

 “O que precisamos, o que todos nós precisamos  é do silêncio.
(…) Silêncio  não tem de significar  nada dizer.
A maior parte do ruído que ouvimos
surge da constante tagarelice  no interior da nossa cabeça”.
 Thich Nhat Hanh. Silencio, pp. 24 e 62.

Anel. Paulo Neves

Escultura de Paulo Neves. Exposição ” Ficam os anéis”. Foto © Eduardo Jorge Madureira

 

Se admitirmos que o silêncio interior é fundamental temos que silenciar a mente (palavras, pensamentos…)[1] e o corpo. Por outras palavras temos que eliminar o ruído interior sob as suas diferentes formas, admitindo desde logo que se eliminou o ruído externo (Hanh, 2016. 25-47). Para isso, aceitando o conselho de Thich Hanh, o melhor antídoto para esse ruído e vivenciar o silêncio interior, que paradoxalmente também é um som poderoso (2016: 16-17), é praticar aquilo que o autor designa por atenção plena. Trata-se de uma prática que significa não só “reconquistar a nossa atenção” como igualmente acalmar o ruído interior que sempre nos habita. No estado de atenção plena sentimos uma modificação física e mentalmente no nosso interior:

A atenção plena é frequentemente descrita como um sino que serve para nos recordar de que temos de parar e escutar em silêncio. (…) A atenção plena proporciona-nos o espaço interior e a serenidade que nos permite olhar mais a fundo, buscar o que somos e o que pretendemos fazer da nossa vida. Deixaremos de sentir a necessidade de nos obrigarmos a correr atrás de propósitos sem sentido. (…) O que precisamos, o que todos nós precisamos é do silêncio. Façamos parar o ruído da nossa mente para podermos escutar os maravilhosos  sons da vida. Deste modo, poderemos começar a viver a nossa vida de forma autêntica e profunda. (…) A prática essencial da atenção plena é desviarmos a nossa atenção dos pensamentos para regressarmos à nossa essência, ao nosso lar, ao que realmente acontece no momento presente. Podemos fazê-lo em qualquer momento, em qualquer lugar e encontrar mais prazer na vida. (…) A verdadeira prática da atenção plena não exige que meditemos sentados nem que realizemos quaisquer ações associadas. Implica olharmos profundamente e procurarmos a serenidade interior. Se a conseguirmos encontrar, também dominaremos as energias da violência, do medo, da cobardia e do ódio que há em nós. (…) A atenção plena modificará a tua relação com tudo. Ajudar-te-á a estar realmente  presente e a desfrutar da verdade daquilo que estás fazendo, seja o que for. Caminhar com atenção plena é outra oportunidade para criar momentos de felicidade e de cura na tua vida, (…) (2016: 12, 22, 24, 64, 131).

Pela sua prática, nomeadamente através da caminhada com tudo aquilo que ela implica, alcança-se um estado de claridade, de lucidez, que possibilita viver o momento presente intensamente, assim como a escutar a palavra interior gerada pelo e no silêncio interior.  A caminhada  ajuda a regular a respiração (inspiração-expiração) até àquele ponto vital de se parar o fluxo do pensar. Quando tal acontece, entra-se num estado de atenção plena com  uma mudança corporal e mental. É, portanto, um estado que nos permite viver a vida plena e conscientemente:

Por isso, quando caminhas, não penses. Se pensares, os teus pensamentos impedir-te-ão de caminhar com atenção. Nem tão-pouco fales, porque se falares as tuas palavras impedir-te-ão de caminhares com atenção. Caminhar desta maneira é um prazer. Quando a conciência plena e a concentração estão vivas em ti, és tu integralmente, não te perdes a ti próprio. Caminhas como um buda. Sem a atenção plena, encaras o caminhar como uma imposição, uma tarefa. Com a atenção plena, pelo contrário, encara-lo como pura vida. (…) Meditar caminhando é uma forma maravilhosa de voltar ao momento presente, de regressar à vida (Hanh, 2016: 138-139).

 

A caminhada como forma de procurar espaço para o silêncio

Escultura de Paulo Neves. Exposição ” Ficam os anéis”. Foto © Eduardo Jorge Madureira

 

A caminhada é já uma forma de se procurar espaço para o silêncio não como fim em si mesmo, mas antes como uma via de acesso para despertar a nossa atenção àquilo que nos rodeia onde o nosso semelhante tem um lugar central, abre-nos à nossa interioridade e, em ultima instância, abre-nos ao infinito que em nós habita (Breton & Le Breton, 2009: 89-99; Krishnamurti, 1967; Levinas, 2016: 227-230)[2]. A caminhada silenciosa, diz-nos David Le Breton, confere plena expressão à interioridade e o silêncio confronta-nos com ela: “O silêncio confronta-nos com  a interioridade, com a pessoa que se é”  (2016: 12, 10-14). Ela ajuda, como um colar, a reunir os fragmentos dispersos do eu, permite aliviar possíveis fontes de tensão e restabelecer a ordem no caos interior. Enfim, é terapeuticamente desejável para acalmar as vozes que habitam o interior de cada um de nós  (2020/2: 15-21). Neste contexto, a caminhada potencializa a possibilidade de conectarmo-nos com o nosso interior que transcorre no mesmo silêncio. Ela, tantas vezes, desperta a possibilidade de reinventar-nos a nós mesmos no sentido de que a caminhada exterior é a metáfora da nossa trans-formação interior (Umbildung – Sola, 2003).

Abrindo-nos ao mundo do silêncio, a caminhada permite-nos que nos conheçamos melhor, que nos distanciemos do ruído, enfim que apuremos o dom da escuta daquilo que nos rodeia: o canto das aves, o deslizar da água, o assobio do vento, os cheiros da floresta e da terra, do musgo, das flores. A caminhada na natureza dá-nos, tantas vezes, vontade abraçar as árvores, de apanhar uma pedra ou outra, de mergulhar as mãos numa fonte de água fresca… de olhar a paisagem e desperta em nós o sentimento de uma maior convivialidade, disponibilidade, curiosidade, gratuidade, lentidão, generosidade, partilha, conversa e até mesmo  civilidade. Deste modo, a caminhada, no sentido que lhe confere David le Breton – por oposição ao mundo neo-liberal (em que só a utilidade, o lucro, a exploração dos recursos naturais, o alto rendimento e a eficácia importam) e acelerado de hoje – vem a ser um símbolo de resistência cívica. É quanto a nós um gesto político importante por se opor precisamente aos valores das políticas neo-liberais que hoje nos governam e ditam impiedosamente as regras de convivência. A caminhada estimula a atenção ao outro[3] e ao mundo, favorece a busca da nossa interioridade e mesmo o apaziguamento de quem por ela se interessa assim como apazigua aqueles que nos rodeiam.  A caminhada, pela sua natureza, convida à meditação e até mesmo à contemplação. Ela convida-nos a fruir dos ritmos da natureza e dos seus sons (Le Breton, 2000, 2012, 2020). O caminhar convida-nos ao silêncio, à intimidade, ao recolhimento, à tomada de consciência de que a experiência do caminhar nos catapulta para lá da linguagem e do seu próprio alcance, do pensar para abrir-nos àquilo que Gaston Bachelard denominou de “poética do devaneio” (1984: 1-25). A caminhada silenciosa diurna  tende a fortificar a a nossa alma solitária: “Mas, quando o silêncio traz a paz a uma alma solitária, sente-se que ele prepara a atmosfera para uma anima tranquila. (…) Feliz daquele que conhece ou mesmo se lembra dessas vigílias silenciosas, em que o próprio silêncio se faz signo da comunhão das almas” (1984: 38-39). Pela caminhada silenciosa tornamo-nos mais próximos, mais sensíveis  ao divino, ao Transcendente e mesmo à própria sabedoria que ajuda a compreender aquilo qu enão se pode verbalizar, o que transcende a linguagem.

 

Silêncio interior. Nobre silêncio

Escultura de Paulo Neves. Exposição ” Ficam os anéis”. Foto © Eduardo Jorge Madureira

 

O silêncio interior, enquanto um verdadeiro silêncio, identifica-se com aquilo que, na linha da tradição budista zen, se designa por Nobre silêncio[4], aquele silêncio que se associa ao chamado Nobre Caminho Óctuplo[5] e nos conduz, entre outros aspetos, à quietude silenciosa, ou seja à serenidade[6], e promove a compreensão e a compaixão:

O nobre silêncio é consciente, intencional e sereno. Por vezes, as pessoas assumem que o silêncio tem de ser sério, embora haja alguma leveza no silêncio nobre. O silêncio nobre é um tipo de silêncio que pode conter tanta alegria como boa gargalhada. O nobre silêncio proporciona-nos a oportunidade  de vermos como a nossa energia habitual se manifesta no modo como reagimos às pessoas e às situações que nos rodeiam. Alguns de nós optam por praticar uma ou duas semanas de silêncio, e inclusivamente  três meses ou mais. Após todo este tempo em silêncio  teremos a capacidade de transformar o nosso medo de reagir a toda uma panóplia de situações. Este silêncio é designado por nobre silêncio porque tem o poder de cura. Quando praticamos o nobre silêncio, não apenas nos abstemos de falar como também acalmamos e serenamos os nossos pensamentos. E desligamos a Rádio do Pensamento Ininterrupto (Hanh, 2016: 83-84, 83-85, 79-81).

Este tipo de silêncio, autêntico, carateriza-se por uma ausência de pensamento para se concentrar, numa primeira fase, na inspiração-expiração. É um silêncio poderoso que abala a pessoa também conhecido por ser um silêncio estrondoso[7]: é um silêncio profundo que intensifica o ouvir, o escutar e mesmo a atenção prestada ao presente. É um silêncio purificador, curativo e iluminante que nos deixa despertos e livres, nomeadamente da tagarelice mental: “O que tu necessitas, o que todos nós necessitamos, é do silêncio. Acalma a tua mente para escutar os sons maravilhosos da vida. Assim poderás começar a viver plenamente a tua vida de verdade” (Hanh, 2016: 24, 17-19). Silenciar o ruído interior é uma tarefa exigente e longa. Esvaziar a mente de pensamentos, das preocupações materiais e dos aspetos afetivos parece ser um desafio que não está ao alcance de muitos, mas Thich Hanh adverte:

Caminhar é uma forma maravilhosa de limpar a mente sem tentarmos limpar a mente. Não diremos: ‘Agora, vou praticar meditação!’ nem ‘Agora, não vou pensar!’. Caminhamos apenas e, por estramos concentrados no caminhar, a felicidade e a consciência chegam com naturalidade. (…) Com o propósito de desfrutarmos verdadeiramente dos  passos ao caminharmos, permitamos que a nossa mente abandone toda e qualquer preocupação ou projeto. Não necessitamos  de muito tempo nem esforço para aprendermos a pôr o pensamento de lado. Com uma inspiração em atenção plena está feito (2016: 60)[8].

 

Atenção plena a todos os gestos e pormenores

Obra de Enrique Mirones, monge do mosteiro cisterciense de Sobrado dos Monxes, na Galiza. Foto © Paulo Bateira, cedida pelo autor

 

Fazer o silêncio estrondoso é já o prelúdio de uma passagem de estádio – um nível superior caraterizado por uma vivência de paz e até mesmo de alguma felicidade ainda que este conceito se revele atualmente desgastado. Pela prática da atenção plena somos levados a ter consciência dos nossos passos e movimentos, ter consciência do ato de comer, do simples gesto do sentar, etc… Esta atenção plena a todos gestos e pormenores da vida exprime

claramente a necessidade da Atenção Plena que, no Budismo, é o segredo pelo qual  o homem ‘destaca’ a sua existência, produz o poder de concentração e, enfim, faz florescer a sabedoria. A Consciência é a coluna vertebral do método budista. Destacar a existência? Sim, é o ponto  de partida. Se vivo sem  ter consciência  desta vida, isso significa que não vivo.  (…) É por isso que a primeira coisa a fazer é reviver, despertar-nos, tornarmo-nos conscientes  daquilo que nós somos, daquilo que nós fazemos… Aquele que come, quem é ele? E aquele que bebe? Aquele que está sentado em meditação? E quem é aquele que destrói a sua vida pelo esquecimento e negligência?… (Hanh, 2001: 13-14)[9].

Pela prática da atenção plena, que hoje é sinónimo de calma, de relaxamento e despojamento, inauguramos um espaço interior que permite saborear um estádio de quietude que, por sua vez, nos permite não só descobrir quem nós somos como também perguntar-nos o que queremos fazer com a nossa existência. Acredita-se, assim, que este tipo de prática permite encontrar uma certa paz e uma certa felicidade desde que que o ruído exterior e o ruído contínuo dos pensamentos sejam como que suspensos ou até mesmo evacuados. O ato da atenção plena visa criar espaço na mente para aquilo que realmente importa e ter a arte de não a encher com aquilo que na tradição budista se designa pelos “Quatro Nutrientes”: os alimentos comestíveis, as impressões sensoriais (experiências sensórias captadas pelos sentidos), as volições ou força de vontade (motivação construtiva ou desejo compulsivo e obsessivo e a consciência individual (pensamentos e ações) e social (pode ser destrutiva e também curativa) (Hanh, 2016: 30-45). Um dos grandes obstáculos ao sentimento e à prática da atenção plena é a grande dificuldade de parar o pensamento que baila incessantemente na mente: “Mesmo quando estamos sentados em quietude, sem receber estímulos do exterior, continuamos mantendo um diálogo interminável na nossa cabeça. Estamos consumindo nossos pensamentos” (2016: 51). Assiste-se, portanto, a uma espécie de ruminação especialmente de pensamentos negativos perturbadores das esferas cognitiva, volitiva e emotiva. Enfim, o carrocel incessante de pensamentos toma conta da nossa vida espiritual e emocional. Por isso mesmo, é que se impõe toda uma aprendizagem de apagar o “Rádio do Pensamento Ininterrupto”. É que uma coisa é o diagnóstico, a constatação de que a nossa cabeça está transbordante de pensamentos, outra coisa bem distinta é aprender a parar o fluxo do(s) pensamento(s). É nisso que reside precisamente o silêncio interior, em saber parar o diálogo interno que existe dentro de cada um de nós: “Não pensar é uma arte, e como qualquer arte, exige paciência e prática” (Hanh, 2016: 59, 59-64).  O que significa que através desta prática se recupera a atenção e se une o corpo e a mente. Com esta prática se recupera a atenção e se une o corpo e a mente. Com esta prática recupera-se a “capacidade de estar presente na vida e aprender simplesmente a ser” (2016: 59). É uma prática que ajuda a esvaziar a mente daquele tipo e pensamentos que nos inquietam ou atormentam, daquele tipo de emoções negativas que nos impedem de viver o presente dependurando-nos quer num passado que já se foi ou num futuro que ainda não veio: “A prática da atenção plena permite-nos viver o presente, o único instante em que a vida e todas as suas maravilhas são reais e estão ao nosso alcance!” (2016: 61).

 

Somos seres múltiplos

Escultura de Paulo Neves. Exposição ” Ficam os anéis”. Foto © Eduardo Jorge Madureira

 

Tendo em conta o exposto, salientamos que com o afirmado não pretendemos demonizar nem o ato de pensar nem o pensamento em si, antes pretendemos realçar que devemos estar atentos e não deixarmos sucumbir a nossa mente por pensamentos negativos, por preocupações desligadas de sentido, de medos ou de angústias várias. Se nos formarmos à luz do nosso pensamento tal não significa que não sejamos igualmente sensíveis às nossas perceções, à nossa sabedoria, à nossa felicidade, enfim ao nosso amor e à nossa compaixão e comoção. Somos, na verdade, seres múltiplos com pensamentos positivos e negativos, com emoções positivas (amor, compaixão, felicidade, alegria, perdão, fé, etc…) e negativas (sofrimento, ódio, raiva, discriminação, medo, inveja, nojo, etc…). A nossa alegria de viver tem muito a ver do modo como gerimos o conjunto de pensamentos e de emoções através daquilo que Daniel Goleman chama de “inteligência emocional” (1996) e que a corrente mindfulness, inspirada pela tradição budista, chama de atenção plena (consciência plena – que é outra designação possível). Esta última significa recuperar a atenção que exige que o silêncio se faça no interior do sujeito. Todavia, vivenciar o silêncio interior não significa necessariamente que se deixe de conversar, no sentido que David Le Breton lhe confere (Breton & Le Breton, 2019: 11-21, Le Breton, 1999: 23-73), mas antes de combater o diálogo interior, a tagarelice de pensamentos, que ocorre permanente e obsessivamente na nossa mente. Aquilo que realmente importa, através da prática da atenção plena, é que que cada um encontre a quietude dentro de si, ou seja, que encontre a sua paz interior:

Deixar de centrar-te em teus pensamentos para regressar ao teu verdadeiro abrigo e viver o momento presente é uma prática básica de atenção plena. (…) Quando a tua mente está agitada e cheia de ruído, ainda que por fora pareças estar tranquilo, não és mais do que pura fachada. Mas se encontras dentro de ti espaço e calma, refletirás serenidade e alegria de maneira natural. (Hanh, 2016: 64).

 

“Que queremos fazer com a nossa vida?”

Obra de Enrique Mirones, monge do mosteiro cisterciense de Sobrado dos Monxes, na Galiza. Foto © Paulo Bateira, cedida pelo autor

 

A prática da atenção plena incita-nos a que nos interroguemos sobre o sentido da existência, ou seja, a que nos perguntemos qual  é a aspiração mais profunda da nossa vida. Trata-se de uma prática que contribui, por um lado, para que se silencia o ruído interior e, por outro lado, abre-nos à compaixão. Neste contexto, uma pergunta permanece:

“Que queremos fazer com a nossa vida?”. Uma pergunta crucial que pressupõe concentração, silêncio interior, quietude, e saber parar o “Rádio do Pensamento Ininterrupto” (Rádio do PI – 2016: 49-69)[10]. São estes os aspetos que, por sua vez, alargarão a mente conferindo-lhe assim uma maior claridade e lucidez, diríamos, também, uma atenção mais plena. Deste modo, sob esta luz, é possível o autoconhecimento, ou seja, estar consciente daquilo que ocorre dentro e fora de cada um de nós. Correlativamente a prática da atenção plena (mindfulness), torna-nos mais compassivos, mais despertos, mais concentrados e, por conseguinte, a mente torna-se mais sensível quer às formas externas, quer às internas. Esta prática convida-nos à quietude e ao silêncio interior. No entanto, não se trata de uma prática nada fácil porque implica o “não pensar” que é a chave da meditação da atenção plena. Esta maneira de conceber a meditação ainda que com nuances, na linha do budismo zen (Suzuki, 1991; Han, 2018; Andrade, 2021; Ricard, 2008; Le Breton, 1999: 2015: 215-221; Hanh, 2001; Noacco, 2017: 73-76), significa que deve haver um esvaziamento dos pensamentos, das ideias, conceitos e das emoções cono condição necessária para se “penetrar em estados mentais e dimensões cósmicas a que rotineiramente não temos acesso” (Andrade, 2021: 185, 184-206). A dificuldade desta prática reside precisamente no facto de que aquele que renuncia ao pensar e às emoções julga comprometer a sua própria identidade que, por sua vez, a identifica com aquilo que é real. Este tipo de meditação coloca algumas questões de maior importância, a saber: se, por um lado, é possível desligar, na terminologia do monge budista Thich Hanh, desligar o “Rádio do Pensamento Ininterrupto” e se, por outro lado, não é legítimo que pensemos em alguma coisa que a consideremos aos nossos olhos importante senão mesmo vital em termos existenciais. Face a estas questões, entre outras possíveis, importa, desde já, salientar que o estado de meditação deve estar reservado a determinados momentos ou espaços do nosso quotidiano, ou seja, não é um estado permanente de “transe” ou de silêncio meditativo: trata-se, sim de momentos do dia excecionais e não comuns. Também é verdade que o pensar por pensar, o chamado vício do pensar sem parar, além de manter a mente agitada não resolve, como se pode admitir, nenhum problema: “Mas só o pensamento correto é realmente útil. O pensamento correto dá bons frutos. (…) O pensamento correto requer a atenção plena e a concentração” (2016: 78).

 

Silêncio interior

Pormenor de obra de Enrique Mirones, monge do mosteiro cisterciense de Sobrado dos Monxes, na Galiza. Foto © Paulo Bateira, cedida pelo autor

 

A questão que de imediato se coloca é o que entendemos por “pensamento correto” e de que modo nos exercitamos a pensar corretamente. Uma possível resposta é que só exercitando a meditação podemos abalançar-nos a lidarmos com as perguntas e as dificuldades sempre entremeadas com o par pensamentos-emoções que tanto são positivos como negativos. Deste modo importa intensificar os vários níveis da consciência através da meditação silenciosa em direção àquilo que na tradição budista se designa pela experiência singular de Despertar espiritual (Nirvana/Bodhi), da  Iluminação da mente (Andrade, 2021: 92-99). A atenção plena em muito contribui para a intensificação dos diferentes níveis da consciência através da concentração que permite não só que viajes através da tua paisagem interior como também estar atento àquilo que ocorre nas diferentes paisagens fora de nós. Esta via, que é a de poucos dado seu grau de exigência espiritual, pressupõe que a mente se liberte do ruído das palavras, dos conceitos e das ideias. É, portanto, neste estádio que o silêncio interior acontece porque, na verdade, a quietude toma conta de quem não só o procura como dele também recebe como uma espécie de graça, ou seja, de visita. Este tipo de silêncio não deve ser confundido com o silêncio exterior por mais prazeroso que ele seja (Gasparini, 2012: 27-35), ainda que o silêncio interior não implique necessariamente este último.

Se não acalmarmos a mente, se não nos convidarmos ao repouso e à quietude, o silêncio autêntico, o que pressupõe uma via longa de aprendizagem e de prática, dificilmente nos visitará ou até mesmo raramente se anunciará como aquela visita tão desejada. O silêncio vital[11] é um hóspede que habita a interioridade de cada um de nós, no nosso coração, se assim quisermos usar esta conhecida metáfora, e vai irradiando a vivência daquele, ou daquela, que o recebe e que o escuta (Kaeppelin, 1997:  65-69, 73-76). Todo um estado de alma de quietude é necessário para acolher o silêncio, para ele estar aberto na qualidade de hóspede da nossa interioridade. E esta abertura é possível graças  a um “instante de paragem total e absoluta e de abertura ao poderoso curativo e milagroso oceano do chamado silêncio” (Hanh, 2016: 127). O silêncio interior não deve ser confundido com o facto de alguém estar calado, nem de haver um silêncio exterior sepulcral, assim como não tem que implicar radicalmente a solidão de tipo monástico. O silêncio de que falamos é antes fruto de uma atitude radical de consciência, como uma espécie de viagem iniciática que se anuncia longa e pontuada de provações simbolizadas pelo chamado “demónio meridiano” que é outra forma de designar a acédia (akédias em grego) conhecida pelas ordens monásticas contemplativas:

O silêncio provém do coração e não de nenhuma série de condições externas. Viver num estado de silêncio não significa que nunca mais se fale, nem que se participe em nada ou que não se faça coisa alguma, mas simplesmente não estar agitado [no original] por dentro, nem manter uma constante tagarelice interior. Se há um silêncio verdadeiro em ti, seja qual for a situação na qual te encontres, sempre desfrutarás da deliciosa amplitude do silêncio (Hanh, 2016: 80).

 

Sentimento de quietude

Obra de Enrique Mirones, monge do mosteiro cisterciense de Sobrado dos Monxes, na Galiza. Foto © Paulo Bateira, cedida pelo autor

 

O silêncio autêntico, que na tradição budista é conhecido pelo Nobre silêncio, é como uma fonte viva porque é um silêncio voluntário, desejado, positivo, construtivo e agradável que se opõe ao silêncio desagradável, opressivo, involuntário, custoso, negativo, árido, ressentido, constrangedor senão mesmo castrador: é simplesmente desértico. Neste contexto, bem podemos dizer que há silêncios agradáveis e aqueles que não o são e mesmo nestes dois tipos de silêncio constata-se uma série de matizes, de níveis, enfim de gradações que devem ser consideradas (Gasparini, 2012). O silêncio que importa é aquele que o budismo designa por silêncio estrondoso que é um silêncio eloquente e pleno de energia. O Nobre silêncio corresponde ao silêncio estrondoso caracterizado por uma quietude consciente e intencionada.  Compreender o sentimento da quietude é deveras importante para compreendermos que ela é um estado da maior importância para aceder ao universo do silêncio interior. O sentimento de quietude trabalha-se, em princípio, num ambiente de silêncio exterior ainda que não necessariamente. Parece-nos que a quietude é mais do que um estado psicológico mas também ontológico, ou seja, espiritual, em que a concentração na respiração desempenha um papel relevante: “a maneira mais fácil de te libertares da roda imparável  do pensar sem parar é aprendendo a ser consciente da respiração. (…) A tua respiração consciente é o teu verdadeiro lugar. Cada respiração, cada passo, cada ato realizado com atenção plena te alimentará” (Hanh, 2016: 127-129).  A tradição budista, ao contrário da tradição monástica cristã, coloca ênfase na atenção daquele que medita à respiração (Bohí, 2020: 277-281) Um ritmo acertado da respiração, se entendemos bem, contribui, por um lado, para aumentar a quietude mediante uma atenção focada no ritmo da respiração e, por outro lado, para intensificar a atenção plena que, como já atrás vimos,  pressupõe que se desligue aquilo que Thich Hanh chama de “Rádio do Pensamento Ininterrupto”. Nas palavras do autor (2016: 131) a atenção plena, baseada no ritmo equilibrado da respiração e do estado de quietude,  é capaz de modificar a nossa relação com tudo, assim como nos ajudará a que vivamos o momento presente (o aqui e agora diria Eckhart Tolle) e que, por conseguinte, desfrutemos intensamente daquilo que façamos seja aquilo que for:

Em qualquer atividade, cada vez que entras num estado de quietude e de atenção podes conectar-te contigo mesmo. (…) Por isso aquietar teu corpo e tua mente e sentares-te sem mais para estares contigo mesmo  é um ato revolucionário. Sentas-te e permaneces nesse estado de esquecimento : de te perder a ti mesmo, de não ser tu. Quando se sentas podes voltar à tua interioridade  e conectares-te contigo próprio. Para o fazer não te faz falta um telefone inteligente nem um computador. Basta que te sentes  com atenção plena e inspirar e expirar consciente da tua respiração, e ao fim de uns segundos já está em contacto contigo. Sabes aquilo que está ocorrendo: no teu corpo, nos teus sentimentos, nas tuas emoções e nas tuas perceções. Já estás no teu interior e podes cuidar bem dele (Hanh, 2016: 132-133, 165-188).

É um silêncio leve, afetuoso, lembrando aqui a “insustentável leveza do ser” de Milan Kundera (1984), tranquilo, emudecido, que aquieta o turbilhão dos pensamentos e que ajuda  e consolida a uma maior conexão (Hanh, 2016: 170-174,165-185). O Nobre silêncio é o antídoto para se conseguir apagar o“Rádio do Pensamento Ininterrupto”:

Para que a tua natureza verdadeira se manifeste deves de ter o monólogo interior constante que preenche todo o espaço que há em ti. Podes começar a fazê-lo apagando cada dia por uns momentos o Radio do PI [Pensamento Ininterrupto], assim dedicarás no seu lugar esse espaço mental a silêncio prazeroso (2016: 127).

 

A escuta como espaço sagrado

Homens a pescarem em silêncio mas águas azuis sob um manto de nuvens no mar de Visayan, nas Filipinas. Foto © Vyacheslav Argenberg / http://www.vascoplanet.com/, CC BY 4.0 , via Wikimedia Commons

Homens a pescarem em silêncio nas águas azuis sob um manto de nuvens no mar de Visayan, Filipinas. Foto © Vyacheslav Argenberg /  Wikimedia Commons

 

Quando o pensamento pára, à semelhança de um relógio sem corda, o sujeito fica com uma maior disponibilidade para si, para o outro, e uma maior atenção para aquilo que o rodeia. O pensamento parado fica com uma abertura mais intensificada para a vida e para o mundo, assim como o Nobre silêncio tem um dom de despertar e fomentar uma maior sensibilidade, compreensão e compaixão por aquele que a ele se entrega. Fica, diríamos, como num estado de graça e de beatitude o que não é incompatível com a ação silenciosa da mudança, da luta pela justiça.

Mas as escuta pressupõe o silêncio exterior e o silêncio interior aquele que está livre do ruído interior que identificamos às vozes da mente: “O acto de escutar requer necessariamente a prática do silêncio. Não apenas do silêncio físico, mas também do silêncio interior. Para poder escutar o outro  e um modo que tenha garantias de qualidade, é preciso criar o silêncio dentro e fora” (Torralba, 2010: 36). A escuta é a condição necessária de toda a aprendizagem, de atendermos à nossa interioridade, assim como de homenagearmos todo aquele que nos fala: “o começo do bem viver, é escutar com atenção” (Plutarque, 2015: 88).  A escuta, como espaço sagrado, é uma arte que acolhe o nosso semelhante numa intimidade recíproca numa busca incessante de serenidade e de apaziguamento (Torralba, 2010; Bodhi, 2020: 254-257). Sem ser escutado o silêncio fica órfão (Fiumara, 1985). Escutar o silêncio interior faz parte da meditação silenciosa e não há meditação sem disponibilidade para a escuta da palavra interior que emerge do silêncio quando ele é, como o diz Thich Hanh, estrondoso, ou seja, aquele tipo de silêncio gerador de uma nova ideia, de uma nova imagem, de uma paisagem convidativa ao repouso, etc…

Sem uma mente despojada de pensamentos torna-se difícil que se tenha espaço para si e para os demais. Por isso, toda uma iniciação à escuta do silêncio se impõe o que implica um olhar para dentro da interioridade de cada um de nós a fim de escutarmos a palavra que alivia, a palavra que indica a direção e o caminho da redenção. Escuta-te serenamente a ti próprio como condição de escutar o teu próximo. Escutar com compaixão significa que estás abraçando um espaço de quietude intersubjetiva que não é uma mesmidade, mas antes uma abertura ao outro e ao mundo. Escutar com compaixão significa que estás em paz contigo: “Aquilo que todos necessitamos , sobretudo, é que haja relaxamento, alegria e serenidade no nosso corpo e na nossa alma. Só então poderemos escutar de verdade os demais” (Hanh, 2016: 102). Escutar-se a si-mesmo, assim como ao outro, pressupõe sempre que haja, desde logo, disponibilidade psicológica e ontológica, um sentimento de paz, uma capacidade de empatia, de introspeção, um sentimento de harmonia e de quietude: “Quando ouvimos o nosso interior, descobrimos que não há uma voz ou um eu separados de nós próprios que parecam surgir do nada. É uma das perceções que temos ao praticar a atenção plena” (2016: 107). A escuta é um dom de poucos, lembrando a figura do Barqueiro do Siddharta de Hermann Hesse (1922), que dispensa bem o turbilhão das palavras, assim como o dom da palavra consciente pressupõe a prática de um silêncio recolhido. Pela prática do silêncio, pelo ato de uma escuta atenta podemos examinar atentamente o ritmo dos nossos pensamentos e das ideias que o constituem:

“O silêncio é a melhor forma de observar tudo em profundidade” (Hanh, 2016: 108). Para gozarmos da virtude daquele silêncio voluntário, para nos abrirmos a uma escuta plena, temos que exercitar-nos, ainda que seja em determinados momentos do dia, da semana ou do mês. É salutar jejuar de todo o fluxo  de palavras, de imagens, de sons, de notícias,  de emails que diarimente inunda a mente. Impõe-se assim um jejum para que a mente tenha também senão o seu dia de descanso pelo menos momentos de meditação silenciosa. Este tipo de jejum que oferece à mente um descanso não é sacrificial antes prazeroso na medida em que ele é desejado e pode acontecer  quando alguém faz ou permanece em silêncio durante um determinado período de tempo no seu dia: “Sem  palavras chegando de fora e sem palavras dando voltas na tua cabeça, poderás escutar-te  realmente a ti mesmo vários minutos por dia” (Hanh, 2016: 111).

 

Cultivar a Escuta

Úmbria (Itália). © Miguel Veiga

Foto: Úmbria (Itália). © Miguel Veiga.

 

Cultivar a escuta profunda de si-mesmo e do outro é já uma homenagem ao silêncio, assim como também é correlativa da atenção plena e da própria concentração. Mas na hora atual da civilização o dom da escuta é cada vez mais raro, assim como a importância da  conversa intersubjetiva que deu lugar a uma comunicação mediada, quantas vezes, pelas redes sociais, pelos emails, pelas comunicações telefónicas feitas pelo omnipresente telemóvel. A este respeito, David Le Breton alerta-nos para os perigos da sociedade fantasmática, espetral, em que o olhar do outro, mesmo no espaço público, está fixado no ecrã em vez de olhar à sua volta: “Nunca comunicamos tanto, mas nunca falámos tão pouco juntos” constata o autor e referindo-se ainda à falência da conversa escreve “Vestígio de um tempo passado, a conversa está em vias de extinção” (Le Breton, 2023, 1999: 23-73). A conversa é, com as suas pausas,  frequentemente sinal de comunhão e de cumplicidade e em última instância a conversa é entrecortada de pausas longas que convidam a um silêncio de rostos iluminantes em detrimento da palavra dita (Le Breton, 1992). Pelo ato de conversar os rostos são convocados ao mesmo tempo que a palavra é enunciada, assim como pela conversa nos damos à arte da escuta a fim de compreender aquilo que é dito pelo interlocutor e, se possível, enriquecer a sua resposta. Saber estar calado para melhor escutar aquele que nos fala:

A conversa está na encruzilhada dos caminhos entre a palavra e o silêncio. Ela é tanto uma troca de palavras que de pausas, respiração de um para o outro. A conversa é simultaneamente elogio da palavra e do silêncio. (…) A conversa não é a velocidade, o rendimento, ela é o oposto da comunicação dado que ela não visa  convencer, ela não é unívoca, mas sempre à espera da resposta do outro. (…)Na conversa há sempre uma reciprocidade em jogo, uma solicitação de rostos e reconhecimento de uma dignidade mútua, mesmo quando há discordância (Breton & Le Breton 2019: 12-13).

Desde logo, a conversa implica o silêncio interior que nos leva a refletir. Tomamos a palavra, o outro escuta-nos, antes mesmo de refletir,  e depois pensa ficar em silêncio por uma fração de segundo.  A conversa tem um ritmo que implica não invadir o espaço do outro, não falar sem que seja a sua vez, não falar sem ter refletido sobre as implicações do que acaba de ser dito (2016: 10).

Escutar com atenção significa não só olhar para o outro, mas antes contemplar o seu rosto semeado de silêncios vários: “O silêncio fala a linguagem do rosto” (Courtine & Haroche, 2015: 23)[12]. O rosto sempre reflete que o outro nos escuta e esta cria sempre laços  afetivos, cognitivos, cumplicidade e empatia entre aquele que fala e aquele que o escuta:

A escuta profunda conduz à compreensão. A compreensão conduz a uma maior conexão. Escutar com mais atenção não é uma questão de te esforçares mais , mas de dedicar um tempo a uma prática que começa com o silêncio, quer dizer, por aquietar o teu Rádio do Pensamento Ininterrupto (Hanh, 2016: 167-168)

A conversa realça o valor do encontro enquanto a comunicação tende a ser mais assética porque muitas vezes é realizada pelo telemóvel ou por email. A conversa afasta-nos da banalização e permite meditar sobre aquilo que acontece à nossa volta, no interior de uma relação de amigos, entre casais. Esta já é outra forma de meditar diferente daquela  que atrás designamos, na linha de Thich Hanh, de desligar o “Rádio do Pensamento Ininterrupto”. Esta é antes uma meditação centrada no sujeito, enquanto a anterior é um tipo de meditação interpessoal  que promove a harmonia, o alívio do sofrimento e a paz , que são virtudes da tradição budista, assim como ajuda a cultivar a  atenção plena e a concentração. Quando duas pessoas meditam sobre o seu relacionamento, sobre a sua vida e sobre o mundo além da fala têm igualmente a possibilidade de estar juntos em silêncio, saboreando a vida e a solidão interiores. É pois importante criar momentos de silêncio ao longo da conversa:

um Nobre silêncio que é sempre renovador, poderoso e curativo! Meditar sem objetivo também é um dos ensinamentos budistas a ter em conta. Saborear o “aqui e agora” eis uma forma de viver melhor, nas palavras de Thich Hanh (2016: 186-188; Tolle, 2020: 119-120, 2016: 41-48).

Escultura de Paulo Neves. Exposição ” Ficam os anéis”. Foto © Eduardo Jorge Madureira

 

Alberto Filipe Araújo é Professor Catedrático AP na Universidade do Minho, Instituto de Educação, Braga – Portugal

 

Bibliografia

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Nota: O autor agradece a leitura do texto ao Professor Doutor Clodomir B. de Andrade (Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) reconhecido especialista do Budismo.
[1] Sobre o domínio da mente, veja-se  Bhikkhu Bodhí (Ed. e introd.). Nas palavras do Buda. Uma antologia de discursos do Cânone Pali, 2020, pp. 245-283.
[2]  A interioridade implica viver consigo-mesmo, auscultando os movimentos da sua consciência, perscrutar incessante os seus movimentos interiores, desde os diálogos íntimos às imagens, passando pelo burburinho mental/pensamentos ruidosos sempre díficil de “apagar”. O silêncio interior exige uma atenção plena daquele que o deseja alcançar nunca como um fim, mas  antes e sobretudo como uma via: “Alcançar  significa, portanto, tornar-se espetador de si-mesmo. (…) O silêncio interior é, portanto, mais do que um fim, é um meio que conduz à elevação” (Noacco, 2017: 73 e 76). Sobre o conceito de interioridade, David le Breton escreve: “Para mim  a interioridade  não é um lugar, ou então ela se manifesta como um abismo, um fosso, como dizia Henri Michaux. Encaro-a como esta parte irredutível em nós, que questiona o ser, ou antes  o ente esta questão lancinante do lugar do homem no universo e do seu próprio lugar no seio deste tumulto. A interioridade é, pelo contrário,  um momento em que irrompe a questão ontológica: o mistério da presença ao mundo, ser aquilo que se é no decurso da nossa história. A interioridade é o momento do retorno sobre si, a suspensão da turbulência  do mundo e o mergulho, breve ou longo, sobre o que nos faz ser quem somos enquanto indivíduos. É lá que encontramos  em profundidade a nossa interrogação sobre o silêncio e a palavra menos em oposição do que em fecundição mútua. Porque o silêncio é o elemento privilégio de uma tal interrogação” (2009: 89). Também Cristina Noacco sobre este conceito-chave escreve, numa breve passagem da sua obra La Force du Silence, o seguinte: “Mas assim que voltamos a nossa atenção para dentro de nós, podemos ouvir os movimentos complexos e variados da nossa consciência. Entrar em si é uma atividade que requer uma disposição para o despojamento, uma aceitação do vazio e a descoberta do silêncio enquanto que dom; esta atividade convida-nos a ultrapassar a linguagem verbal e a conferir ao silêncio um valor espiritual” (Noacco, 2017: 69).
[3] Lendo a pequena obra de Byung- Chul Han. A Expulsão do Outro (2018a) ficamos com o sentimento vivo de que o tempo em que o outro existia está a passar. Evacua-se o outro porque a globalização exige que todos sejam idênticos (o tema da mesmidade). A este respeito, leia-se para uma breve introdução à temática do Outro, Philippe Fontaine. La question d’autrui, 1999. Para um aprofundamento do tema, aconselhamos, entre outros, Paul Ricoeur. Soi-même comme un autre, 1990 e as obras de Emmanuel Levinas  Totalité et Infini. Essai sur l’extériorité, 1990a e Le temps et l’autre, 1983.
[4] Este tipo de silêncio carateriza-se  por  cada um se concentrar ativamente  em cada tarefa, ou atividade, que está realizando: comer, caminhar, conversar, trabalhar. Não se está comendo e conversando simultaneamente. Cada tarefa é realizada  em ordem a viver o silêncio e a acalmar a mente. Cada uma destas atividades é realizada “num silêncio nobre e jovial” (Hanh, 2016: 14). Aquele que assim procede fica “liberto para escutar o apelo mais profundo” do seu coração. Este Nobre silêncio inicia-se com “a prática da respiração em atenção plena para estabelecer o silêncio em mim” (2016: 14). É um tipo de silêncio  que convida a que se deixe de pensar (Parar o pensamento ininterrupto) e que cada um elimine o ruído no seu interior. Nas palavras de Thich Hanh este silêncio atinge-se pelo exercício da respiração, mas não só: “Foi um silêncio verdadeiro, porque todos deixaram de pensar. Concentrámos a nossa atenção  na inspiração, ao inspirarmos, e na expiração quando expirávamos. Respirávamos juntos e o nosso silêncio coletivo originou um vigoroso campo energético. Um silêncio como este pode ser designado por silêncio estrondoso, pois é eloquente e poderoso. (…) Quando alcançamos este tipo de silêncio, passamos a ter liberdade suficiente para desfrutarmos do facto de estarmos vivos e apreciarmos todas as maravilhas da vida. Neste silêncio , passamos a te maior capacidade de recuperação mental e física. Passamos a ser capazes de existir, de estar vivos. Tudo isto porque estamos verdadeiramente livres – livres das dores e dos sofrimentos passados, livres dos nossos medos e das incertezas quanto ao futuro, livres de todo o género de tagarelice mental” (2016: 15-16).  O Nobre silêncio, nas palavras de  Clodomir Andrade, carateriza-se pela Atenção e a Fala Corretas. Este tipo de silêncio opõe-se àquilo que Thich Hanh designa de “pensamento ininterrupto” e que acrescentamos, da nossa parte, se opõe também ao palavreado sem sentido, como uma espécie de cacofonia, no nosso quotidiano.
[5] Ligado ao Nobre silêncio está também um dos conceitos-chave do Budismo: o chamado Nobre Caminho Óctuplo (trata de um conjunto de oito práticas que correspondem à “Quarta Nobre Verdade” do Budismo – o “caminho do meio”  baseado na moderação e na correção). A propósito deste caminho, Buda diz: “E qual é, monges, o Nobre Caminho Óctuplo? Visão correta, intenção correta, fala correta, ação correta, vida correta, esforço correto, atenção correta, concentração correta” (Bodhí, 2020: 230).  Nas palavras de Clodomir Andrade este caminho é aquele que deve ser trilhado por todos aqueles que queiram atingir o despertar. Este caminho corresponde à “Quarta Nobre Verdade”: “o Nobre Caminho Óctuplo, ou seja, um caminho, uma pedagogia do despertar que é dividida em três grupos de ações: o cultivo das virtudes, o exercício da sabedoria e a prática da meditação. (…) O Nobre Caminho Óctuplo, portanto, deve ser compreendido como a essência da prédica budista, o método incontornável para a superação da dor e do sofrimento” (2021: 58-59).
[6] A serenidade alcança-se quando alguém se liberta dos seus pensamentos habituais e, por conseguinte, é assim capaz de vivenciar um grande e profundo silêncio interior. As conversas constantes na nossa mente dificultam que se atinge o estado de serenidade. Por isso urge desligar aquilo que Thich Hanh designa de “Rádio do Pensar Ininterrupto” (2016: 49-69). Tudo devemos fazer para não ficarmos perturbados por dentro e essa não perturbação recebe o nome de serenidade: “Quando nos libertamos das nossas ideias, pensamentos e conceitos, estamos a abrir espaço para a nossa verdadeira mente. A nossa verdadeira mente é o silêncio de todas as palavras e de todas as convicções, sendo muito mais vasta do que as limitadas construções mentais. (…) O silêncio é, em última análise, algo que vem do coração e não de um qualquer agregado de condições exteriores a nós” (2016: 79-80).
[7] A tradução portuguesa da obra de Thich Hanh que vimos citando, Silêncio, preferiu traduzir thundering silence por silêncio estrondoso. Da nossa parte, preferíamos a tradução de silêncio ensurdecedor por estar mais em consonância com o espírito da obra e mesmo da temática do silêncio.
[8] Confessamos que este conselho de Thich Hanh nos merece reservas. Cremos que o autor simplifica o ato de esvaziamento da mente. Este esvaziamento pressupõe toda uma prática longa de exercícios, desde a respiração à meditação, que conduzem a uma serenidade da alma.
[9] Da passagem agora transcrita o florescimento da Sabedoria na sua relação com a sabedoria. O Zen é uma procura, uma busca da sabedoria por intermédio da experiência que conduz à Iluminação. À pergunta “Fazer florescer a Sabedoria?  Sim, porque o o fim último do Zen é a visão da realidade, adquirida pelo poder de concentração. Esta sabedoria é a Iluminação, a perceção da verdade do ser e da vida. É aquilo que desejam alcançar todos os praticantes do Zen” (Hanh, 2001: 15).
[10] Na edição original, em inglês, Thich Hanh escreve: “radio non-stop thinking” que a edição espanhola da obra traduziu à letra: “o rádio do pensar sem parar” enquanto a tradução portuguesa preferiu antes traduzir por “Rádio do Pensamento Ininterrupto”. No presente estudo utilizamos a tradução espanhola, mas no tocante aos conceitos e expressões fundamentais optamos pela tradução portuguesa que a conseguimos no último momento da publicação das nossas reflexões agora apresentadas.
[11] A voz deste silêncio vital, enquanto sinónimo de sabedoria do silêncio, situa-se “aquém e além das palavras (Kaeppelin, 1997: 63-76): na fonte do pensamento criador, favorece igualmente o seu eco para que seja ouvido. Neste sentido, ele  acompanha-o como também acompanha a palavra na trajetória da escuta e do eco. Assim o silêncio situa-se, em rigor, além das palavras, a sua transcendência” (1997: 73-74). O silêncio vital, enquanto silêncio interior, reside também na atenção ao silêncio do pensamento e é, portanto, nesta atenção que reside toda a criatividade (1997: 90).
[12]  L’Art de se taire [A arte de se calar], escrevem Jean-Jacques Courtine e Claudine  Haroche, “é uma arte do rosto. Ela participa na ação retórica, esta arte da eloquência muda que é uma arte do corpo falante. (…) É preciso assim reconhecer no rosto uma linguagem do silêncio”. Seguidamente citam uma passagem de L’Art de se taire de Abée Dinouart: “O rosto é o que o ouvinte observa em ação. Todas as paixões têm o seu papel, vêm de todos os países e de todas as línguas. Os mais ignorantes podem lê-lo: reconhecem nele a devoção, a dissipação, a alegria, a tristeza, a cólera, a compaixão. Ele deve ajustar-se ao assunto, e fazer sentir ou advinhar os movimentos da alma. Ele fala, algumas vezes, mais  eficazmente que o discurso mais eloquente;  o rosto adverte a favor ou contra o orador, de acordo com a primeira impressão que o autor recebe dele” (2015: 23). Sobre o tema do rosto, veja-se David le Breton. Des Visages. Essai d’anthropologie, 1992. Da introdução da obra citamos, a título de exemplo, as seguintes passagens: “ A metamorfose permanente de um rosto permanece fiel a a ‘cara’, uma forma evanescente que nada pode captar, mas que fala da singularidade de um homem. (…) O rosto traduz sob uma forma viva e enigmática o absoluto de uma forma individual, por mais pequeno que seja. Ele é uma cifra, no sentido hermético da palavra, um apelo a resolver o enigma. Ele é o lugar originário em que a existência do homem faz sentido Nele cada homem identifica-se, se encontra nomeado e inscrito num sexo. (…) O rosto único do homem responde à unicidade da sua aventura pessoal. (…) O rosto é assim o lugar do outro (…). O rosto é uma matéria do símbolo. Mas para o próprio homem, ele é frequentemente um lugar problemático, ambíguo. (…) O rosto revela tanto quanto esconde. (…) O rosto é o lugar mais humano do homem. O lugar, talvez, onde nasce o sentimento do sagrado”(1992: 10-14). Leia-se igualmente Emmanuel Lévinas. Éthique et Infini, 1982, 7. Le visage, pp. 77-87 e Totalité et Infini. Essai sur l’extériorité, 1990a, section III – Le Visage et L’Extériorité, pp. 201-277.

 

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