Uma obra de arte representando o presidente dos Estados Unidos da América vestido como prisioneiro antes da execução e dependurado numa cruz foi colocada em exposição neste sábado, 1 de novembro, numa galeria da cidade suíça de Basileia.
A exposição desse trabalho de um artista britânico que dá pelo nome de Mason Storm, mas cuja verdadeira identidade não foi revelada, esteve prevista para setembro último, numa ala da estação de caminho de ferro daquela cidade, mas a polémica que surgiu, também em meios cristãos, ainda antes de a obra ser apresentada, fez gorar a intenção, por receio de problemas de segurança.
A obra que tem por título, “Santo ou Pecador”, pretende lançar a interrogação e a dúvida nos visitantes. Mas a galeria que acolhe e promove a iniciativa reconhece que foi deliberada a escolha da data para a abertura: o dia de Todos os Santos, em que se “comemora não apenas aqueles que foram oficialmente canonizados, mas todas as pessoas que levaram uma vida exemplar”.
Nesse contexto, refere a página da Igreja Católica da Alemanha, a obra de Storm levanta a questão radical de saber se alguém pode ser santo e pecador ao mesmo tempo. “E quem tem o direito de julgar isso?”, pergunta o artista que pretende deixar essa resposta para o público, assim transformado em “juiz, salvador e testemunha”.
“A provocação não é um fim em si mesma aqui, mas um método de esclarecimento”, anuncia a galeria. A obra seria, portanto, “um teste aos nossos próprios padrões morais”. À cautela, a obra não está exposta, na galeria, nem na vertical (para não impor a ideia do crucificado) nem deitada (para não fazer o mesmo com o condenado à morte), mas em diagonal, inclinada para trás, mantendo assim em aberto a questão do sentido.
Quem já fez um juízo sobre o trabalho foi o bispo Hermann Glettler, de Innsbruck (Áustria), onde o crucificado de Stormer foi exposto em maio deste ano. Para ele, a obra de arte é “simplesmente abominável”. “Trump amarrado à cruz como um salvador, ou como um mártir com o macacão laranja de um prisioneiro prestes a ser executado? A sério?”, questionou o bispo. Por sua vez, o teólogo de Zurique Simon Peng-Keller também classificou a representação de Donald Trump na cruz como um “erro colossal”.










