
Alberto Ortega Martín, o novo núncio apostólico da Venezuela, apresentou as suas credenciais a Nicolás Maduro na terça-feira, 13. Foto © Wikimedia Commons
O painel de peritos eleitorais das Nações Unidas que esteve na Venezuela durante as eleições presidenciais de 28 de julho publicou um relatório intercalar sobre o processo, observando que este “ficou aquém das medidas básicas de transparência e integridade que são essenciais para a realização de eleições credíveis”, noticiou a Catholic News Agency (CNA).
Os quatro peritos da ONU foram convidados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela com o objetivo de apresentar relatórios internos e privados ao secretário-geral da organização, António Guterres, e ao próprio CNE sobre o processo eleitoral e fazer recomendações sobre pontos a melhorar no futuro.
No documento, divulgado pela CNA na quinta-feira, 15, o painel explicou que o seu trabalho na Venezuela não era o de uma missão de observação e não tinha planeado fazer um julgamento público sobre o resultado da votação. No entanto, os peritos publicaram o relatório preliminar a 13 de agosto, que suscitou reações adversas por parte dos dirigentes do Partido Socialista Unido, no poder, incluindo o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.
O painel de peritos também afirmou que o CNE “não seguiu as disposições legais e regulamentares nacionais, e todos os prazos estipulados não foram cumpridos”.
De acordo com a experiência do painel, o anúncio de um resultado eleitoral sem a publicação dos mapas de votação ou a entrega dos resultados aos candidatos – não tem precedentes em eleições democráticas contemporâneas.
“Este facto teve um impacto negativo na confiança no resultado anunciado pelo CNE entre uma grande parte do eleitorado venezuelano”, declarou o painel, citado pela mesma fonte.
O painel fez ainda referência a relatórios locais, que afirmam que pelo menos 20 pessoas perderam a vida nos protestos que se seguiram à divulgação dos resultados das eleições e que mais de 1.000 foram detidas pelas forças de segurança do Estado.
“Lamentavelmente – e apesar de um pedido enviado por nota verbal [uma forma de comunicação em diplomacia] – o painel não pôde reunir-se com a direção do CNE antes” de deixar a Venezuela, acrescenta o relatório da ONU.
Entretanto, apesar das várias dúvidas acerca da legitimidade dos resultados oficiais das eleições, que declararam vencedor o atual presidente Nicolás Maduro, o novo núncio apostólico na Venezuela apresentou as suas credenciais diplomáticas ao líder do regime socialista na passada terça-feira, 13 de agosto, no Palácio Miraflores, em Caracas.
O arcebispo espanhol Alberto Ortega Martín conversou durante cerca de 20 minutos com Maduro na sala Sol del Perú do palácio presidencial. No final do encontro, o presidente presenteou o núncio apostólico com uma representação artística do beato venezuelano José Gregorio Hernández.
Ortega foi nomeado para a sua nova missão diplomática pelo Papa Francisco em 14 de maio. O prelado de 61 anos era núncio apostólico no Chile desde 2019 e ocupa agora o lugar vago deixado pelo arcebispo Aldo Giordano – o último núncio apostólico na Venezuela – que morreu na Bélgica em 2021, vítima de complicações da covid-19.









