Seis cardeais, alguns deles tidos por “papabili”, foram apontados como tendo, na sua carreira, atuado como encobridores de membros da Igreja Católica que abusaram de crianças e pessoas vulneráveis.
A denúncia veio da Rede de Sobreviventes de Pessoas Abusadas por Sacerdotes (SNAP, na sigla em inglês, uma organização de defesa e apoio a vítimas de abusos sexuais e psicológicos) e o momento em que toma esta iniciativa não está desligado das movimentações de diversos setores eclesiais em torno da perspetiva de um próximo conclave, surgida da recente doença que levou ao prolongado internamento hospitalar do Papa Francisco.
A verdade é que o SNAP, com sede em Chicago, nos Estados Unidos da América, começou por criar um Conclave Watch (observatório do Conclave), no âmbito do qual elaborou uma base de dados para permitir avaliar como é que os cardeais lidaram com casos de abuso sexual dentro da Igreja Católica. E tão pouco esconde o objetivo último: colocar a questão do abuso do clero na topo da agenda do processo de seleção do próximo Papa.
A campanha lançada consta de um dossiê entregue no final de março ao cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, uma carta dirigida ao Papa Francisco, apelando a que tire todas as consequências da tolerância zero, política definida na Vos Estis Lux Mundi, e um pedido formal ao Papa para que desencadeie uma investigação independente aos seis cardeais, cujos nomes divulgaram: Peter Erdo, da Hungria, Kevin Farrell, da Irlanda, Victor Manuel Fernández, da Argentina, Mario Grech, de Malta, Robert Francis Prevost, dos EUA, e Luis Antonio Tagle, das Filipinas.
Os organizadores desta forma de pressão sobre o Vaticano e sobre Francisco afirmam que outros nomes estão a ser analisados e que serão acrescentados à lista, à medida que se chegue a conclusões que o justifiquem.
Aparentemente, os organizadores da campanha estão a focar-se sobretudo nos cardeais escolhidos e criados pelo atual Papa. “Não podemos ignorar uma realidade trágica: os cardeais por ele nomeados encobriram abusadores e alguns deles surgem agora como potenciais ocupantes da cadeira de Pedro”.
“Temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que o próximo papa não protegeu o clero abusivo e que apoia uma reforma universal e vinculativa da tolerância zero no direito canónico”, disse Peter Isely, presidente do Grupo de Trabalho sobre Política Global do SNAP.










