
Padre Paulo Araújo da Silva, Brasil. Foto © Facebook/Direitos reservados
Um padre foi preso no passado domingo, 18 de agosto, na cidade de Coari, no estado brasileiro do Amazonas, depois de um inquérito policial ter concluído que ele abusou de pelo menos quatro adolescentes. Uma delas acabou por ficar grávida e foi obrigada por ele a abortar, noticia o jornal Crux esta quinta-feira, 22.
O padre Paulo Araújo da Silva, de 31 anos, já tinha sido denunciado de forma anónima em 2023. A polícia iniciou então uma investigação e falou com uma das suas vítimas. A adolescente de 17 anos disse às autoridades que ela e o presbítero começaram uma relação quando a rapariga tinha apenas 14 anos. Ela afirmou, ainda, que ele costumava fazer e armazenar vídeos dos atos sexuais.
O delegado José Barradas Jr. disse à imprensa que a vítima estava a sofrer uma enorme pressão por parte de Araújo da Silva quando procurou ajuda policial no ano passado. “Ela estava a sofrer uma forte violência psicológica, porque o padre não só cooptava as vítimas na sua paróquia, como também as obrigava a manter um relacionamento com ele”, disse Barradas Jr., segundo a página de notícias local Amazonas Atual. Silva nunca permitia que as vítimas deixassem de o ver e até dizia coisas como “se não estiveres comigo, não estarás com mais ninguém”.
Uma vítima disse aos investigadores que engravidou em 2023, ao que Silva terá respondido: “Faz imediatamente um aborto”. “É neste contexto que um homem de 34 anos, que está agora em fuga, também participou [no crime]. Ele é amigo do padre e foi a pessoa que deu à adolescente um medicamento, que ela tomou e que resultou no aborto”, afirmou Barradas, de acordo com o portal de notícias brasileiro G1.
O feto da vítima foi enterrado no quintal da casa desse homem. O delegado acrescentou que fotos e o depoimento da mulher confirmam essa alegação.
Todas as vítimas identificadas eram frequentadoras da igreja e membros da paróquia de São Pedro, da diocese de Coari, presidida por Silva. Segundo a polícia, testemunhas contaram que o padre pedia sempre às vítimas que trouxessem outras meninas, para que fizessem sexo grupal. E fazia sempre questão de gravar tudo.
Quando os agentes entraram na paróquia para deter Silva, ele estava na cama com uma jovem que tinha acabado de fazer 18 anos, “o que significa que já tinha tido relações sexuais com ela quando ela era menor”, disse Barradas. A polícia apreendeu de imediato o telemóvel de Silva e encontrou pelo menos 260 vídeos feitos pelo padre mostrando atos sexuais com menores. O padre também tinha 30 mil reais no seu quarto.
De acordo com a diocese de Coari, Silva nasceu em 1992 e foi ordenado em 2018.
No dia 18 de agosto, após a prisão do padre, a diocese divulgou uma nota na qual manifestou o seu “repúdio a toda a forma de abuso e exploração”.
“A Diocese de Coari manifesta a sua solidariedade às vítimas e suas famílias e coloca-se imediatamente à disposição para acompanhar e ajudar [as vítimas] a superar os traumas provocados pelos abusos do padre Paulo Araújo da Silva”, dizia o documento.
A diocese afirmou que foram tomadas “todas as medidas canónicas necessárias”. O padre foi suspenso e não pode continuar a ter qualquer atividade na paróquia. A Igreja também está disponível para colaborar com as autoridades no inquérito, concluiu a nota, assinada pelo chanceler da diocese, padre Josinaldo Plácido da Silva.
O padre será indiciado por crimes como estupro de menores ou de vulneráveis, omissão de socorro a crianças e adolescentes, produção e armazenamento de conteúdo pornográfico envolvendo menores, aborto forçado e ameaça a mulher de violência.
A polícia disse que a investigação vai continuar, uma vez que outras pessoas podem estar envolvidas nas atividades criminosas lideradas pelo padre. Podem também aparecer outras vítimas, afirmaram as autoridades.
O Crux não conseguiu localizar o advogado de defesa do padre. Membros da sua paróquia e leigos católicos envolvidos em ministérios da Igreja não quiseram comentar o caso.
Na página da diocese de Coari, Silva aparece como o padre responsável pela Pastoral da Juventude local. Não foi possível saber há quanto tempo Silva trabalhava diretamente com adolescentes na região.









