
Ao aproximar-se do cálice que continha o vinho que deveria beber no momento da comunhão, o padre percebeu, pelo cheiro, que o mesmo continha lixívia. Foto © Viktor Cap
O padre Felice Palamara, pároco em Cessaniti, uma localidade na província italiana de Vibo Valentia (Calábria), terá sido vítima de uma tentativa de envenenamento enquanto celebrava a missa do passado sábado, 24 de fevereiro. Ao aproximar-se do cálice que continha o vinho que deveria beber no momento da comunhão, percebeu, pelo cheiro, que o mesmo continha lixívia. Interrompeu a liturgia e chamou a polícia local, que confirmou através de uma análise laboratorial a presença do produto desinfetante.
As suspeitas recaem sobre a organização mafiosa ‘Ndrangueta, que opera principalmente na região da Calábria, e em relação à qual o padre Felice tem tecido duras críticas. Dias antes deste incidente, o seu carro tinha sido vandalizado e outro presbítero de uma paróquia próxima recebeu ameaças de morte, refere a ACI Digital.
O bispo diocesano, Attilio Nostro, expressou a sua solidariedade para com o pároco e denunciou as ações intimidatórias da máfia calabresa. Em comunicado divulgado no site da diocese, exortou os fiéis “não desanimar com esta linguagem de violência. Não devemos ceder a esta lógica, deixando-nos tentar pelo desespero e pela raiva. Não podemos aceitar esta linguagem; não devemos responder ao ódio com ódio, sabendo que não é possível dialogar verdadeiramente com aqueles que se recusam a fazê-lo”.
Devido à infiltração da máfia, no final do verão passado, o Presidente italiano, Sergio Mattarella, dissolveu a Câmara Municipal de Cessaniti, que desde então é gerida por um comissário municipal.









