
Embora haja alguns prelados autorizados a entrar nos hospitais, “esses são padres relacionados de alguma forma com a ditadura”. Foto © Matea Gregg/Unsplash
O governo da Nicarágua tem estado a impedir os padres de entrar nos hospitais do país, mesmo quando são chamados pelos doentes ali internados ou seus familiares para dar o sacramento da unção dos enfermos. O alerta foi dado pela advogada Martha Patricia Molina, autora do relatório Nicarágua: Uma Igreja Perseguida?, em declarações à EWTN News esta quarta-feira, 13 de novembro.
Cerca de dez padres de diferentes dioceses da Nicarágua confirmaram a situação a Molina. Embora haja alguns prelados autorizados a entrar nos hospitais, “esses são padres relacionados de alguma forma com a ditadura”, salvaguarda. De acordo com a ativista, o regime de Daniel Ortega permitia, até este ano, a entrada de padres nos hospitais e centros de saúde. A proibição terá sido imposta recentemente e sem a apresentação de qualquer justificação.
A perseguição torna-se mais intensa quando os padres tentam entrar com as suas roupas clericais, razão pela qual muitos escolhem tentar entrar com roupas seculares, refere Molina. Mas no interior do país, “onde os padres são mais reconhecidos porque são cidades muito pequenas”, a entrada revela-se quase impossível. “As autoridades, os médicos que estão nos hospitais ou as pessoas que guardam as portas já os conhecem e proíbem a sua entrada mais rapidamente”, denuncia a advogada.
O governo de Ortega, ex-guerrilheiro de esquerda que soma já mais de 30 anos no poder, tem vindo a perseguir a Igreja Católica de forma cada vez mais intensa desde 2018, altura em que esta apoiou os protestos populares contra as medidas tomadas pela sua administração.
Além de ter detido e expulso do país dezenas de clérigos e religiosas, entre os quais o bispo Rolando Álvarez, o governo nicaraguense revogou este ano o estatuto jurídico de mais 1500 organizações não governamentais, muitas das quais da Igreja, transferindo os seus bens para o Estado. [Ver 7MARGENS]
Perante o Conselho de Direitos Humanos (CDH) das Nações Unidas, o governo da Nicarágua negou nesta quarta-feira, 13, todas as acusações de violações de direitos humanos que recebeu de outros governos, incluindo Brasil, Estados Unidos e Colômbia, e não ofereceu nenhuma solução para as centenas de nicaraguenses cuja nacionalidade foi retirada, afirmando que uma das razões para o encerramento de centenas de ONG foi o facto de terem recebido fundos para “desestabilizar” o país.









