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O Papa Francisco na sua alocução do "Angelus", de 29 de Março de 2020.

Papa apoia Guterres no apelo a um cessar-fogo global e Vaticano diz que já há grupos a aderir

| 30/03/2020

Papa apoia Guterres no apelo a um cessar-fogo global e Vaticano diz que já há grupos a aderir

by | 30 Mar 20

O Papa Francisco neste domingo, 29, apoiando o apelo ao cessar-fogo global, feito por António Guterres (imagem da transmissão vídeo do Vatican News)

 

O Papa Francisco juntou-se neste domingo, 29 de Março, ao secretário-geral da ONU, António Guterres, no apelo a um “cessar-fogo global e imediato” em todo o mundo, para poder enfrentar a actual pandemia de covid-19.

“Nos últimos dias, o secretário-geral da ONU lançou um apelo por um cessar-fogo global e imediato em todos os cantos do mundo, lembrando a atual emergência de covid-19, que não conhece fronteiras”, afirmou o Papa, referindo-se ao apelo de António Guterres de segunda-feira, 23 de Março.

Na sua alocução do Angelus, Francisco mencionou todos os que escutaram o apelo de Guterres, “pondo fim a todas as formas de hostilidades bélicas”. Isso permite, acrescentou o Papa, citado pela Ecclesia, a “criação de corredores para a ajuda humanitária, a abertura à diplomacia, à atenção a quem se encontra de maior vulnerabilidade”. É preciso, insistiu, “um compromisso renovado para superar as rivalidades entre os líderes das nações e nas partes envolvidas”, porque “os conflitos não se resolvem através da guerra”.

De facto, o Vatican News, portal de notícias do Vaticano, dizia que vários grupos responderam já positivamente ao apelo do secretário-geral da ONU. Seriam o caso de guerrilhas nos Camarões, Filipinas, Iémen e Síria, que teriam já dado passos para reduzir a violência nos últimos dias.

A guerra civil de cinco anos no Iémen criou uma das piores crises humanitárias do mundo, recorda a mesma fonte, como também já se escreveu no 7MARGENS.

E na Síria, um potencial surto doença do coronavírus-19 é uma ameaça mortal em potência para 6,5 milhões de deslocados internos, atingidos pelo conflito civil que dura há nove anos.

Há, no entanto, muitos outros focos de tensão ainda no mundo, recorda o Vatican News: Afeganistão, Mali, Líbia, Somália, Iraque, Faixa de Gaza… Cerca de 70 estados, em todo o mundo, estão actualmente envolvidos em algum tipo de conflito, a maior parte dos quais em África e na Ásia, e muitos deles são guerras esquecidas, acrescenta ainda o portal de informação do Vaticano: o conflito curdo-turco, por exemplo, dura desde 1984; a guerra civil na Somália, desde 1991; no México, os traficantes de drogas desenvolvem uma autêntica guerra civil do crime pelo controle do narcotráfico e a Coreia do Norte lançou recentemente dois mísseis balísticos suspeitos.

 

Um compromisso renovado para superar rivalidades, pede Francisco

É tudo isto que António Guterres, agora secundado pelo Papa, quer que termine, para possibilitar o socorro às populações mais vulneráveis, que poderão ser atingidas em larga escala pela covid-19.

“O esforço conjunto contra a pandemia” deve levar todos a reconhecer a comum “necessidade de reforçar laços fraternos, como membros da única família”, afirmou o Papa, pedindo aos governos que assumam “um renovado compromisso pela superação das rivalidades”.

“Os conflitos não de resolvem através da guerra. É necessário superar as diferenças e as oposições, através do diálogo e de uma construtiva procura da paz”, acrescentou Francisco, falando, como tem sido hábito nas últimas semanas, a partir da biblioteca do Palácio Apostólico.

Tendo em conta as pessoas em situações mais vulneráveis – idosos, presos, militares –, o Papa acrescentou que o alto comissariado da ONU para os Direitos Humanos se refere aos “problemas das prisões sobrelotadas que podem tornar-se uma tragédia”. E acrescentou: “Peço às autoridades que sejam sensíveis a este grave problema e tomem medidas necessárias para evitar tragédias.”

Guterres também já se referira às mulheres, crianças, pessoas com deficiência, marginalizados e deslocados, para pedir: “Silenciem as armas, parem a artilharia, acabem com os ataques aéreos. Isto é crucial para ajudar a criar corredores humanitários que salvam vidas. (…) É tempo de acabar com os conflitos armados e de, em conjunto, nos focarmos na verdadeira batalha das nossas vidas.”

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