Multiplicam-se as reações à morte do Papa Francisco. O 7MARGENS sintetiza algumas das palavras que têm sido ditas e divulgadas em Portugal.
“Ao longo dos 12 anos do seu ministério pastoral, o Santo Padre legou-nos um extenso manancial de gestos, palavras e atitudes, tendo particular atenção as periferias geográficas e existenciais, qual convite à permanente conversão da Igreja, na sua essência sinodal e missionária. Acreditamos que, junto do Bom Pastor, o Papa Francisco continua a invocar a renovação de toda a Igreja, em particular neste processo sinodal por ele iniciado. O Santo Padre não nos deixa um processo acabado, mas um caminho para percorrer à luz daquilo que o Espírito Santo sopra à Igreja num tempo de inúmeros desafios. É esse caminho de graça que somos convidados a seguir, na lógica da comunhão entre todos, da missão e da transformação da Igreja.”
Conferência Episcopal Portuguesa
“O Papa Francisco foi, ao longo do seu pontificado, verdadeiro sinal do amor de Cristo, vivendo o seu ministério como servo humilde e próximo, sempre atento aos que sofrem, aos mais pobres e esquecidos, e guiando a Igreja com sabedoria, firmeza e ternura. No seu modo simples e profundamente evangélico de ser, foi para todos uma presença do Bom Pastor — um verdadeiro alter Christus, outro Cristo — entre nós.”
José Ornelas, bispo de Leiria-Fátima e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa
“Neste momento da separação física do Papa, quero convidar todos a recordar a nossa fé e esperança pascal: «Na casa de meu Pai há muitas moradas» (Jo 14, 2). Todos sabemos que a Casa do Pai é o Coração de Deus e no Coração do Pai todos fazemos a experiência de filhos. Confiados nas promessas do Senhor, acompanhamos com a nossa oração o Papa Francisco, para que seja recebido neste Coração grande e amoroso, onde será acolhido pelo abraço misericordioso do Pai, fonte e origem daquela misericórdia que o Papa não se cansou de anunciar ao longo de todos estes anos. Enquanto Patriarca de Lisboa, não posso deixar de recordar os dias que esteve connosco na Jornada Mundial da Juventude. Ainda está gravado na memória o seu abraço caloroso, os gestos incansáveis, a alegria contagiante.”
Rui Valério, patriarca de Lisboa
“Agradecemos os numerosos gestos de Francisco que o tornaram um Papa próximo, mas também uma figura que desafia e desinstala. Recordamos a sua simplicidade de vida e de trato, o modo como deixava que todos se aproximassem, o esforço para ir ao encontro de todas as periferias, geográficas e existenciais, a humildade com que vivia a sua fé e a sua devoção, em silêncio diante da imagem de Nossa Senhora, sentado no confessionário ou expondo diante das câmaras a sua fragilidade.”
Jesuítas em Portugal
“Foi, talvez, a mais corajosa voz, de entre os líderes espirituais dos últimos doze anos, na defesa da dignidade Humana, da Paz, da Justiça, da Liberdade, da Igualdade, da Fraternidade, do diálogo entre culturas e civilizações, da preferência pelos deserdados das periferias, pelos mais pobres, frágeis, sofredores, sacrificados, excluídos e explorados, rejeitados e esquecidos, deste tempo de antigos e novos senhores, interesses e egoísmos, que combatem os valores pelos quais sempre se pautou. Em nome de todos os Portugueses, crentes e não crentes, concordantes ou discordantes, agradeço a Francisco o carinho que devotou a Portugal, mas, sobretudo, a sua presença ao lado dos que morrem vítimas das diárias negações dos Direitos Humanos, dos abusos e das prepotências, de toda a natureza, das migrações e refúgios forçados, da primazia da guerra e do injusto esmagamento de pessoas, povos e legítimos sonhos de futuro.”
Marcelo Rebelo de Sousa
“A sua incansável dedicação aos mais pobres, marginalizados e às realidades periféricas inspirou a nossa missão e a nossa intervenção diária. O seu Pontificado fortaleceu o compromisso da Igreja com a justiça social, a dignidade humana e o cuidado pela Casa Comum.
Francisco fez da misericórdia o centro da sua mensagem, convidando-nos a sermos construtores de paz, pontes entre irmãos e peregrinos na Esperança. Recordaremos para sempre o seu apelo a uma «Igreja em saída», que nos empenharemos por cumprir.”
FEC – Fundação Fé e Cooperação
“O Papa Francisco será lembrado como um homem de fé inabalável, humildade genuína e profundo compromisso com os mais vulneráveis. Foi um defensor incansável da paz, da justiça social, da ecologia integral e do diálogo entre religiões. (…) A sua voz foi, ao longo dos anos, um farol de esperança num mundo tantas vezes marcado pela divisão e pela indiferença. (…) Enquanto comunidade espiritual, sentimos uma profunda afinidade com os valores que o Papa Francisco defendeu ao longo da sua vida: a Ahimsa (não-violência), a Karuna (compaixão), o Seva (serviço desinteressado) e o Sarva Dharma Sambhava (respeito por todas as religiões)”
Comunidade Hindu em Portugal
“Foi o Papa dos católicos, mas foi marcante e inspirador para toda a humanidade. A mensagem dele era válida para todos, crentes e não crentes. (…) Esperamos que o novo Papa consiga dar continuidade àquilo que o Papa Francisco fez, e o Papa João Paulo, e que o faça de forma a que as pessoas não voltem as costas às religiões. (…) A morte do Papa Francisco já se esperava. Estava doente. Teve uma recuperação que penso que foi para se despedir. Como homem de fé e crente que era foi ao encontro do divino.”
Sheikh Munir, imã principal da Mesquita Central de Lisboa
“O Grupo VITA expressa a sua profunda tristeza pela perda do Papa Francisco, e também a enorme gratidão pelo caminho de acolhimento, coragem e transformação que traçou na Igreja Católica. O Papa Francisco desde sempre revelou uma especial atenção aos mais frágeis e necessitados, incentivando a abordagem de temas tão difíceis e ocultos, como a violência sexual contra crianças e adultos vulneráveis.”
Grupo VITA — Grupo de acompanhamento das situações de violência sexual sobre crianças e adultos vulneráveis no contexto da Igreja Católica em Portugal
“Foi um Papa profundamente humano, que praticou realmente o Evangelho, ou seja, justiça. Esteve ao lado de todas as franjas, de todos os marginalizados. A promoção da alegria, a promoção da ecologia, a condenação imediata de tudo o que são práticas que violentem a essência do Cristianismo, foi um revolucionário e, no meu coração, foi um homem muito importante também no meu caminho de conversão para com Deus. (…) Ele sabia que estava, em alguns casos, a abrir caixas de Pandora difíceis, mas que a humanidade precisa absolutamente, porque eu acho que a humanidade está carente de Deus. Tanto é que ele tocou tantas pessoas não católicas, necessariamente. Estamos todos carentes de Deus, de amor. Chamemos-lhe isso, amor, amor. (…) Sobretudo, para uma comediante. Fomos educados com a expressão graças a Deus, muitas graças com Deus, e tudo isso tem um certo estigma. O comediante é, por norma, o parente pobre da arte e o gesto que ele teve com os cómicos – É um homem que abre o palácio mais valioso do mundo aos cómicos.”
Maria Rueff, atriz (em declarações à agência Ecclesia)
“A Comissão Nacional Justiça e Paz quer exprimir a sua gratidão a Deus pela vida terrena do Papa Francisco e pelo seu testemunho de autenticidade evangélica que foi visível até aos últimos momentos dessa vida, mesmo para além da doença e fragilidade que o atingiram. Apela a que não sejam esquecidas, num contexto internacional que delas parece afastar-se cada vez mais, as suas mensagens em prol da justiça e da paz, da fraternidade universal, do amor preferencial para com os pobres e descartados, da promoção da vida humana e do cuidado da casa comum.”
Comissão Nacional Justiça e Paz
“Francisco renovou o pensamento social da Igreja, colocando os cristãos na primeira linha face às alterações climáticas com a ecologia integral e o cuidado da Casa Comum, e às exigências atuais de justiça e paz através da fraternidade universal que a todos convoque. Essa fraternidade, que fomenta o diálogo interreligioso e com os não-crentes, é especialmente interpelada pela situação dos migrantes, dos refugiados, das desigualdades sociais e da exploração dos recursos humanos e naturais dos países mais pobres.”
CRC – Centro de Reflexão Cristã
“Creio que é de destacar a profunda preocupação do Papa pela paz. Percebeu-se claramente que, nestes últimos anos do seu pontificado, o drama da guerra na Ucrânia e a guerra, mais recentemente, em Israel e na Palestina, tocaram profundamente o coração do Papa. (…) O Papa Francisco gostava de estar próximo das pessoas, procurava esse contacto e creio que esse é também um dos legados que nos deixa, nomeadamente com este pedido de que a Igreja seja cada vez mais próxima do povo de Deus, que a Igreja seja cada vez mais próxima de todos aqueles que nos procuram.”
Carlos Cabecinhas, reitor do Santuário de Fátima
Damos graças a Deus pela sua vida e pelo testemunho em prol da unidade visível dos cristãos, que o Papa Francisco soube dar ao longo do seu pontificado, exercido primeiramente como Bispo de Roma. Como pontífice soube estabelecer pontes com as diversas tradições eclesiais, pontes estas que animaram os cristãos em todo o mundo a uma maior proximidade, conhecimento e cooperação, no testemunho conjunto do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. (…) A sua ênfase no «ecumenismo do sangue, do pobre e da missão», bem como no cuidado e salvaguarda da Criação de Deus, anima-nos agora, a um redobrado compromisso ecuménico que partindo das realidades sofridas da vida de tantos e tantas, busca a promoção da dignidade humana e o equilíbrio com toda a Criação que Deus nos confiou. Deste modo, e à luz do seu legado espiritual e humano, reafirmamos uma vez mais o compromisso ecuménico e de colaboração do COPIC com as restantes Igrejas e organizações em Portugal.
COPIC — Conselho Português de Igrejas Cristãs
“Esperança foi não só o mote da sua vida, mas o seu legado, uma mensagem particularmente relevante num mundo de dissidência e contradições, onde o Papa Francisco foi o derradeiro líder ético. Recordamos com particular emoção a visita de Sua Santidade à nossa Universidade, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, em agosto de 2023. Foi um momento inesquecível e profundamente marcante para toda a comunidade académica. Nesse encontro, o Papa Francisco apelou à coragem do pensamento livre e ao compromisso com uma ecologia integral, desafiando os jovens a lutar contra a complacência e o medo «…tende a coragem de substituir os medos pelos sonhos: não sejais administradores de medos, mas empreendedores de sonhos!»”
Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa
“A visão do Papa Francisco, expressa na Laudato Si’ e reforçada na Laudate Deum, inspira profundamente a missão da Oikos. O seu apelo a uma responsabilidade partilhada, à cooperação genuína e à solidariedade para com os mais vulneráveis continua a ser um farol para todas as pessoas de boa vontade, crentes e não crentes, que trabalham por um mundo mais justo, pacífico e sustentável.”
João José Fernandes, presidente do Conselho Diretivo da Oikos
“Amado por uns, odiado por outros, o Papa Francisco não deixou ninguém indiferente. Para uns, foi o vislumbre de grandes mudanças dentro da Igreja Católica. Para outros, foi a encarnação do demónio, do Anticristo, destruindo muito do que consideram fundamental na visão conservadora.”
Paulo Mendes Pinto, coordenador da área de Ciência das Religiões na Universidade Lusófona
“Eu sou 100% ateu, e para mim, hoje, morreu um ídolo. (…) Foi ao ‘meu’ querido Congo, a pior guerra desde a Segunda Guerra Mundial, foi à Birmânia por causa do genocídio dos Rohingya, e como eu nunca, repito, nunca, mas nunca pensei, teve a infinita coragem de criticar Israel com as letras todas, pela carnificina na Palestina, indo para além de frases completamente ocas de tantos políticos. (…) Para mim não morreu apenas o melhor e mais corajoso Papa de sempre, morreu um ser humano cujas palavras ações e vida, nos devem inspirar a todos, e para todo o sempre.”
Gustavo Carona, médico e ativista humanitário
Este texto será atualizado ao longo do dia.










