Papa Francisco na homilia do Consistório 2024. Foto © Vatican Media
O Papa presidiu no Vaticano ao décimo consistório do seu pontificado, para a criação de 21 cardeais, apelando à humildade numa sociedade “obcecada pela aparência” e pela “busca dos primeiros lugares”. “Pode acontecer que o nosso coração se perca pelo caminho, deixando-se deslumbrar pelo fascínio do prestígio, pela sedução do poder, por um entusiasmo demasiado humano pelo Senhor”, alertou Francisco, na homilia da celebração que decorreu na Basílica de São Pedro, citado pela Ecclesia.
Entre os novos cardeais estão o arcebispo de Teerão e vários colaboradores da Cúria Romana, entre os quais Timothy Radcliffe, que pediu ao Papa para não utilizar as vestes cardinalícias, num total de 20 eleitores, a que se somam o antigo núncio apostólico D. Angelo Acerbi, com 99 anos de idade, que proferiu a saudação ao pontífice em nome de todo o grupo. “A aventura do caminhar, a alegria de encontrar os outros, o cuidado com os mais frágeis: isso deve animar o vosso serviço como cardeais”, disse o Papa aos novos membros do Colégio Cardinalício.
Francisco desafiou os presentes a colocar-se “humildemente diante de Deus” e questionar o rumo que segue o seu coração, para poder “caminhar na estrada de Jesus”. “Na vida espiritual, assim como na vida pastoral, às vezes corremos o risco de nos concentrarmos naquilo que é acessório, esquecendo-nos do essencial. Com muita frequência, coisas secundárias tomam o lugar do que é indispensável, as superficialidades prevalecem sobre o que realmente importa, mergulhamos em atividades que consideramos urgentes, sem conseguir chegar ao coração”, afirmou.
A intervenção sublinhou que cada um dos novos cardeais deve ser “construtor de comunhão e unidade”, alertando para o risco de divisões nas comunidades católicas. “Lançando o seu olhar sobre vós, vindos de diferentes histórias e culturas, que representais a catolicidade da Igreja, o Senhor chama-vos a serdes testemunhas da fraternidade, artesãos da comunhão e construtores da unidade. Esta é a vossa missão”, declarou o Papa.
A celebração começou com a saudação dos novos cardeais, antes da oração proferida por Francisco e a proclamação do Evangelho, por uma leitora.
Após a homilia, o Papa leu a fórmula de criação e proclamou em latim os nomes dos cardeais, e de seguida entregou um anel aos cardeais para que se “reforce o amor pela Igreja”. Depois, foi atribuído a cada cardeal uma igreja de Roma – que simboliza a “participação na solicitude pastoral do Papa” na cidade -, bem como a entrega da bula de criação cardinalícia, momento selado por um abraço de paz.
A partir desta celebração, 110 dos 140 eleitores num eventual conclave são cardeais escolhidos pelo Papa Francisco – a que se somam 24 por Bento XVI e seis por São João Paulo II, e reforça-se a presença de cardeais de todo o mundo, diminuindo o peso da presença italiana e europeia no colégio cardinalício.









