
Rui Valério (à direita) admitiu “preocupação” pelos incidentes que se verificaram recentemente no Zambujal e noutros bairros da periferia de Lisboa. Foto © Diogo Paiva Brandão/Patriarcado de Lisboa
O patriarca de Lisboa, Rui Valério, deixou um apelo para que se acabe com a “retórica das grandes máximas” e se passe à “atuação concreta” no combate à pobreza, numa visita este domingo ao bairro do Zambujal, Alfragide, na Amadora, palco de incidentes nas semanas mais recentes.
Como dá conta a reportagem da Rádio Renascença, no Dia Mundial dos Pobres, que se assinalou este domingo, o bispo de Lisboa presidiu à missa no bairro do Zambujal, na Amadora, e disse aos jornalistas que a “questão da pobreza é de tal forma complexa que transcende os confins de uma fronteira nacional”.
“Gostaria de lançar um desafio à União Europeia. Este é mais um daqueles campos em que só em conjunto é possível responder a estes desafios. Estamos a falar de realidades que não são só fruto de uma perspetiva social. Só numa abordagem holística é possível fazer face e encontrar uma resposta cabal”, apontou.
Rui Valério admitiu “preocupação” pelos incidentes que se verificaram recentemente neste e noutros bairros da periferia de Lisboa, e chamou a atenção para a “dificuldade” de a sociedade “encontrar uma alternativa, uma possibilidade de fazer diferente”. A propósito da sua visita àquela igreja, uma iniciativa da Caritas Diocesana de Lisboa, para assinalar este dia mundial instituído pelo Papa Francisco, o patriarca de Lisboa e também administrador apostólico das Forças Armadas e das Forças de Segurança disse querer estar próximo das comunidades e “ser um Patriarca da estrada”.
Na homilia, informa a Rádio Renascença, Rui Valério sublinhou o papel de cada pessoa no combate às desigualdades e foi interpelado por uma das crianças do coro que lhe perguntou que sentido faz excluir alguém por não ter dinheiro. “Pelo menos metade da sociedade não pensa como tu”, respondeu o patriarca. “Ainda há pessoas que não têm dinheiro, e porque não têm, não são aceites, não são bem-vindas. Aquilo que estou a dizer é que, a partir da palavra de Deus, o mundo com que sonhamos e que queremos construir é aquele, onde por razões económicas e sociais, as pessoas não deixem de ser tratadas como pessoas”, disse, enfatizando que ninguém deveria ser excluído por não ter uma conta bancária ou uma casa.










