Num Médio Oriente ainda marcado por conflitos e instabilidade, os Patriarcas e Chefes das Igrejas de Jerusalém divulgaram a tradicional mensagem de Natal, desta vez lembrando que a paz não pode ser reduzida a um cessar-fogo, mas implica também justiça, reconciliação e respeito pelos direitos humanos.
Embora acolhendo com satisfação o cessar-fogo que permitiu a muitas comunidades celebrar “publicamente as alegrias do Natal”, os líderes cristãos alertam para o risco de esta ser apelas uma “paz aparente”, e recordam as palavras do profeta Jeremias: “Paz, paz, mas paz não há” (Jeremias 6:14). Segundo a mensagem, “apesar da cessação declarada das hostilidades, centenas de pessoas continuam a ser mortas ou a sofrer ferimentos graves. Muitas outras pessoas sofrem ataques violentos contra si mesmas, as suas propriedades e as suas liberdades — não apenas na Terra Santa, mas também em países vizinhos”.
Os Patriarcas asseguram ainda que continuam “solidários com todos os que sofrem e estão abatidos”, apelando “aos cristãos e a todos os que têm boa vontade em todo o mundo para que perseverem na oração e na defesa de uma paz verdadeira e justa na pátria do nascimento de Nosso Senhor — e, de facto, em toda a Terra”.
“Sabemos que todos os problemas, sejam políticos, sociais, económicos, espirituais, etc., ainda estão presentes, mas também é importante ter esta pausa no meio de toda a dor e aproveitar o Natal, especialmente pelas nossas crianças, pelas nossas famílias, pelos mais necessitados, e partilhar isso entre todos nós, reconhece também o Patriarca Latino de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa, na sua mensagem em nome próprio, que pode ser vista abaixo (em inglês).
Pizzaballa, que esteve nos últimos dias a visitar a única paróquia católica de Gaza, sublinha que o Natal “também nos lembra de algo importante, especialmente neste período em que a violência e o ódio são a linguagem comum”. É que, “num contexto em que é comum pensar que, se alguém não usar a força, não será levado em consideração”, e em que “se alguém não levantar a voz, é como se não existisse”, a mensagem do Natal “lembra-no do caminho cristão: Deus entra na nossa história e nas nossas noites, mas entra como uma criança recém-nascida, que é o elemento mais frágil que conhecemos”.
E promete continuar unido à comunidade cristã na Terra Santa, “para levar consolo, conforto, apoio e solidariedade onde quer que seja necessário”. “E, claro, também queremos ser uma voz da verdade, clamar por justiça e exigir respeito pelos direitos humanos e pela dignidade da pessoa. Porque é isso que celebramos no Natal: celebramos o Verbo que se fez carne, celebramos a Encarnação, algo real e concreto. A nossa fé deve sempre encontrar e tocar a realidade de nossas vidas, tanto pessoal quanto coletivamente”, defende. E porque foi “este recém-nascido, tão frágil do ponto de vista humano” que “transformou o mundo, e todas as nações e a humanidade são atraídas por ele”.
Um recém-nascido “desperta em todos a ternura e o amor, e é disso que precisamos, especialmente em nosso tempo, e continuaremos a ser, como cristãos, um lugar de cuidado, ternura e amor, sem limites, sem fronteiras; amor sem fronteiras; é disso que precisamos agora”, conclui o Patriarca Latino de Jerusalém, deixando ainda um apelo a todos os cristãos: “Não tenham receio de nos visitar aqui, estamos à vossa espera, pois sem vocês, o Natal aqui não é completo!”.










