Como compreender, nas suas várias dimensões, a proposta de uma paz “desarmada e desarmante” insistentemente apresentada pelo Papa Leão XIV? Como traduzir essa proposta na prática? Que exigências traz essa linha fundamental de trabalho à Igreja Católica e aos seus membros?
Estas são algumas das questões que o Instituto Católico para a Não Violência (ICNV), da Pax Christi Internacional, coloca aos participantes da Conferência que esta quarta e quinta-feira, 9 e 10, se realiza em Roma, e que o 7MARGENS irá acompanhar com reportagem no local. A iniciativa toma como certo que, com a “Paz Desarmada e Desarmante”, nos encontramos perante uma “mudança de paradigma emergente da Igreja para a não-violência do Evangelho”.
Mais especificamente, os promotores visam chamar a atenção para a não-violência evangélica na vida, no ensino e na prática católicas; oferecer exemplos concretos de “não-violência ativa”, bem como investigação e reflexão teológica sobre a não-violência, para “esclarecer este paradigma emergente”.
Os aspetos a esclarecer vão desde o que entende o Papa Leão por “paz desarmada e desarmante”, em foco na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano e retomada várias vezes depois, nomeadamente na encíclica Magnifica Humanitas, a ponderar quais as implicações de colocar a não-violência evangélica no centro da vida ou a perceber como se pode fazer a transição para o tal novo paradigma.
Cada um dos dias da Conferência surge subordinado a um foco específico. Assim, o dia 9 estará todo ele centrado na “visão de Leão XIV sobre uma paz desarmada e desarmante: rumo a um paradigma de não-violência”. O dia 10, por sua vez, desenvolve-se em torno da “ética católica da paz: concretizar um paradigma não-violento num mundo cada vez mais violento”.
Os trabalhos de cada dia compreendem sessões plenárias com apresentações de convidados e painéis que aprofundam problemáticas específicas. Nas sessões plenárias serão abordados temas como o magistério do Papa Leão sobre a paz e a não-violência (por Ken Butigan, professor emérito da Universidade DePaul, em Chicago, e codiretor do ICNV); uma palestra de fundo do cardeal Charles Bo, de Mianmar, e ex-presidente da Federação das conferências dos bispos asiáticos); anúncio de uma mudança de paradigma rumo à não-violência (Carlos Eduardo Martínez Hincapié, educador colombiano, investigador e praticante de longa data da não-violência); recuperar a doutrina da não-violência do Evangelho: Jesus, o Sermão da Montanha e o magistério do Papa Leão de que ‘O poder com que Cristo ressuscitou é inteiramente não-violento’ (John Dear, padre católico, autor, animador de retiros e praticante de longa data da não-violência do Evangelho; finalmente, “o que significaria para a não-violência evangélica passar das margens para o centro da Igreja?” (cardeal Robert McElroy, arcebispo de Washington, membro do Conselho Consultivo do ICNV e uma voz proeminente na Igreja Católica dos EUA em matéria de doutrina social católica, além de estudioso de teologia moral e ciências políticas).
O Instituto Católico para a Não-Violência é um projeto da Iniciativa Católica para a Não-Violência da Pax Christi Internacional, iniciativa que foi lançada em 2016 com o objetivo de “aprofundar a compreensão e o compromisso da Igreja Católica com a não-violência evangélica”.
Por seu turno, o ICNV nasceu em finais de setembro de 2024, em Roma, como na altura o 7MARGENS assinalou. Tem por missão “tornar a investigação, as publicações, os recursos e a experiência em matéria de não-violência mais acessíveis aos líderes, comunidades e instituições da Igreja Católica”. Estrutura-se em três secções: Não-violência evangélica; Práticas não-violentas e poder estratégico; e Experiências contextualizadas e não-violência.










