Quis Deus levar-te
na manhã seguinte
ao dia do sepulcro vazio
para n’Ele e em plena totalidade
realizares a tua Páscoa!
E agora, querido Papa Francisco
como ficam a Barca
e o mundo de que partiste?
Rasos de lágrimas
em Sede Vacante
revemos o teu magistério
encíclicas, exortações
cartas e constituições,
bulas, discursos
homilias e mensagens
sobretudo, o que foste para nós
palavra e gesto
Lampedusa e prisões
guetos e periferias!
Cuidador do planeta
casa comum
atento acolhedor
do próximo e do outro
que se quer próximo!
Como o Mestre, servo
humilde e compassivo
incansável pregador da paz e concórdia
sempre cheio de compaixão
abrindo as portas da Igreja
a Todos, Todos, Todos!
Como herança
aos da casa
ofereceste sinodalidade
aos de fora
mão estendida, acolhedora
sem ninguém recriminar
nova morada anunciaste!
Agora, depois de partires
como as mulheres de Jerusalém
os apóstolos e discípulos da Galileia
também nós nos sentimos
atordoados e confusos!
Falta-nos o alento da tua presença física
Por isso, te rogamos
reza por nós
pela Igreja, pela paz e por toda a terra
por todos, todos, todos
E, já agora,
não te esqueças de pedir a Deus
sem demora
através do teu sucessor
entre nós
possa de novo acontecer
Pentecostes!
José António Santos, jornalista, católico.










