
Evacuação de 31 bebés prematuros do hospital Al Shifa, em Gaza, em novembro de 2023. Foto © OMS.
O “desmantelamento sistemático do sistema de saúde” na Faixa de Gaza por parte do exército israelita conheceu na sexta-feira, dia 27 de dezembro, um novo passo com o ataque ao hospital Kamal Adwan, que “ficou agora fora de serviço”, o que coloca em risco a vida dos 75.000 palestinos que permanecem na área, informou a Organização Mundial de Saúde (OMS).
O ataque do exército israelita provocou queimaduras em vários doentes e danos graves em algumas áreas do hospital, incluindo o laboratório, a unidade cirúrgica e o armazém médico. Informações não confirmadas garantem que o diretor do hospital, Abu Safiya, foi detido durante a operação. A OMS perdeu contato com ele, mas revela que “várias pessoas teriam sido despidas e forçadas a caminhar em direção ao sul de Gaza, enquanto pacientes gravemente doentes foram forçados a transferir-se para o Hospital Indonésio, que não dispõe do equipamento e dos materiais necessários para prestar cuidados adequados”.
O hospital Kamal Adwan era a última grande unidade de saúde em funcionamento no norte de Gaza e a destruição dos seus principais equipamentos enquadra-se na política de genocídio planeado que o Estado de Israel leva acabo na faixa de Gaza desde o massacre de 7 de outubro de 2022 perpetrado pelo Hamas. Essa política, além de ter matado mais de 45.000 palestinianos, visa destruir todos os equipamentos sociais (hospitais, escolas, lares, etc…), bem como a rede de abastecimento de água e dificultar ao máximo a entrada de alimentos na região.
Segundo relata a OMS, durante os últimos dois meses, os ataques a profissionais de saúde e aos hospitais da região foram quase diários: só na semana do Natal, os bombardeamentos na vizinhança do hospital Kamal Adwan mataram 50 pessoas, incluindo cinco profissionais de saúde.
Bebés morrem ao frio
Quatro recém-nascidos e um número indeterminado de crianças morreram de hipotermia nos últimos dias, escreveu Edouard Beigbeder, diretor regional da UNICEF para o Médio Oriente e Norte de África, num comunicado publicado pela organização na sexta-feira, 27 de dezembro. “Estas mortes evitáveis expõem as condições desesperadas e devastadoras que as famílias e as crianças enfrentam em Gaza”, acrescentou Beigbeder.
“Com a expectativa de que as temperaturas desçam ainda mais nos próximos dias, é tragicamente previsível que mais vidas de crianças serão perdidas devido às condições desumanas que enfrentam”, antecipou o responsável da UNICEF, sublinhando o facto de que, para além da constante ameaça de ataques, muitas pessoas vivem em Gaza sem nutrição nem cuidados de saúde, em abrigos improvisados sem condições para ofereçam proteção eficaz contra o clima gelado.
No mesmo dia, outra agência da ONU, o Gabinete de Direitos Humanos, condenou o assassinato de cinco jornalistas pelas forças israelitas ocorrido no dia seguinte ao Natal. O Gabinete salientou que “os jornalistas estavam desarmados e claramente identificados como membros da Imprensa, quando a sua carrinha foi atingida por um ataque aéreo nas proximidades do hospital Al Awda, em Gaza”.
Como têm vindo a fazer em outros casos de assassinatos semelhantes, os militares israelitas alegaram que os jornalistas estavam filiados em grupos armados.









