Há “um cisma crescente na comunidade judaica americana entre aqueles que defendem Israel e se preocupam com a segurança judaica e aqueles comprometidos com valores liberais de longa data, que incluem falar contra Israel” sintetiza o jornal Religion News Service, ao noticiar as reações opostas de várias organizações judaicas à prisão de um ex-aluno de pós-graduação da Universidade de Columbia por agentes de imigração dos EUA no último sábado, 8 de março.
Mahmoud Khalil, um ativista que teve um papel de liderança no campus da Universidade de Columbia, criticando a guerra de Israel em Gaza, foi preso na sequência da promessa do Presidente Trump de deportar ativistas estudantis anti-Israel. Khalil é descendente de palestinos, cresceu na Síria e tem autorização de residência permanente nos EUA. Reagindo à sua detenção, a Liga Anti-Difamação, uma organização judaica que luta contra o antissemitismo, divulgou uma declaração aplaudindo as “consequências rápidas e severas para aqueles que fornecem apoio material a organizações terroristas estrangeiras”.
Porém, acrescenta o Religion News Service nesta quarta-feira, 12 de março, Khalil não foi acusado de apoio material ou de qualquer outro apoio a uma organização terrorista.
O que não impediu o American Jewish Committee, uma organização global de defesa judaica, de tornar pública no dia 11 de março uma declaração afirmando-se “chocada com as opiniões e ações” de Khalil, mas sublinhando a condição de “o Governo provar a sua razão num processo legal rápido e público”; só então “a deportação será totalmente justificada”.
Já o Jewish Council for Public Affairs fez saber, através do seu CEO, Amy Spitalnick, que “o governo Trump está a explorar as preocupações existentes com o antissemitismo para minar a democracia”, acrescentando: “Como dissemos repetidamente: isso torna os judeus – e tantos outros – menos seguros”.
A diferença de opinião entre organizações judaicas americanas a propósito da guerra levada a cabo pelo Estado de Israel e o apoio incondicional que tem recebido dos EUA, bem como as propostas de Donald Trump para o território já anteriormente tinha vindo a público de forma evidente e notória [ver 7MARGENS].
(Foto de destaque: protestos no Thomas Plaine Park (Nova Iorque, Estados Unidos), contra a detenção do ativista palestiniano e estudante da Universidade Columbia, Mahmoud Khalil. Foto © SWinxy, via Wikimedia Commons.)










