
As onze jovens noviças timorenses em formação no Mosteiro de Santa Clara (Leiria). Foto © Diocese de Leiria/Fátima
O que leva uma jovem atualmente a consagrar-se e a professar numa comunidade religiosa? Eis uma pergunta a que responderam onze mulheres noviças timorenses em formação no Mosteiro de Santa Clara (Monte Real, Leiria), antecipando a celebração dos votos temporários, que decorrerá às 16h30 do dia 11 de agosto e será presidida por José Ornelas, bispo da diocese de Leiria-Fátima.
A vocação é vista, em primeiro lugar, como uma aproximação profunda a Deus, nos testemunhos recolhidos pelo gabinete de informação da Diocese de Leiria/Fátima e enviados ao 7MARGENS. “Como Santa Clara escreve numa das suas cartas, também eu posso tornar-me portadora de Deus de modo espiritual, no meu coração. Para ficar mais perto de todos, preciso de permanecer n’Ele. Agradeço a Deus por esta vocação de amor e serviço”, afirma a irmã Marizha.
Entre as visões plurais apresentadas, destaca-se também a experiência da oração permanente e profunda, que, segundo estas religiosas, pretende proteger o mundo e os mais necessitados, para além de ser um elemento central das suas vidas enquanto experiência de contacto com Deus, afirmam várias delas. “Depois de seis anos de caminho formativo, acredito que este é o lugar que Deus quer que eu ocupe na Igreja – ser clarissa do desagravo para permanecer com Ele dia e noite em oração, reparação e desagravo por toda a humanidade”, explica a irmã Domingas.
As ainda noviças apresentam relatos de transformação das suas vidas pessoais, de quem estava enquadrada na sociedade e, a partir de experiências diversas, descobriu a sua vocação na clausura total. “Confesso que a ideia da vida religiosa nunca foi algo em que eu pensasse muito. Fui batizada aos quinze anos e não entendia muito de religião. Quando me convidaram para uma experiência vocacional, fui muito relutantemente, mas a família era tudo para mim. E quando surgiu a pergunta se queria voltar, respondia que talvez”, conta a irmã Elisabethe. “Na véspera da data para ingressar no mosteiro eu só repetia: não vou, não vou, não vou… Mas no dia seguinte, à hora marcada, estava com as outras colegas disposta a arriscar. Hoje, há seis anos no mosteiro, não imagino uma missão melhor para a minha vida. Sou feliz como irmã clarissa do desagravo ao serviço de Deus e dos irmãos.”
A clausura como serviço a Deus e à comunidade através da inserção numa comunidade como as clarissas é outra dimensão sublinhada por diferentes irmãs. “Fui percebendo no meu coração que quando estava diante de Jesus, podia fazer muito mais pelos irmãos do que na atividade: a minha oração chegava mais longe e o braço de Deus estendia-se até onde chegava a minha intercessão”, refere a irmã Joana.
A ordem de Santa Clara é a segunda de três ordens franciscanas, fundada em 1212 por Clara de Assis, no seguimento de Francisco de Assis. Além das onze noviças que estão em formação em Monte Real e que farão os votos temporários em agosto, há ainda oito noviças do primeiro ano, também naturais de Timor-Leste e que integram a fundação das irmãs clarissas em Tunubibi, diocese de Maliana.









