
“Não espero muito deste Sínodo, nunca esperei, mas tive ansiedade de ver a Igreja não adiada, mas será assim por muitos anos, enquanto não se escutar Jesus”
São muitos os assuntos que, incompreensivelmente, não veremos refletidos depois do Sínodo dos Bispos, chamado assim, mas com uma componente nova: alguns não são bispos, são mesmo homens e mulheres, servos e servas de Deus, que aí darão as suas opiniões, sejam ou não refletidas nas decisões finais. Algumas destas decisões, entre elas o acesso das mulheres a todas as ordens – diaconado, presbiterado e episcopado -, não vamos ter uma compreensão das culturas que admitem a poligamia, as questões derivadas dos LBGTQ+, sejam casais ou não, a relação entre os bispos, os presbíteros, os diáconos e o Povo de Deus, o “primado petrino” e as suas relações ecuménicas, que passam a ser estudadas por “grupos” onde pontificam os teólogos e os canonistas, o que será dizer por tempo indeterminado. Dizem-nos que ainda não estamos na altura ideal, pois, se me permitem, direi que “ontem-já-era-tarde”, mas muito tarde, esta Igreja em que nós estamos e somos sua parte integrante, mesmo assim não nos ouve, o que significa dizer que quem não ouve o Espírito Santo que emana do seio de todo o Povo de Deus, é “surdo”, precisa de um milagre.
Na questão – que é uma não-questão-, do acesso das mulheres às ordens ordenadas, não é compreensível, nem justo, é mesmo contra os direitos humanos, decretados por uma entidade que não a Igreja. As mulheres possuem a mesma dignidade que os homens, nem antropológica, nem biblicamente, nem por tradição, nem por razão, existe esta negação, que só na Igreja se verifica. Dizia num artigo Thomas J. Reese, que “Se a Igreja não precisa de diáconas, também não precisa de diáconos.” e que “O tópico das mulheres diáconas tem causado muita polémica ultimamente: Francisco, em 2016, deu esperanças de que mulheres pudessem ser ordenadas, quando criou uma comissão para examinar a história das diáconas. Uma segunda comissão para estudar a possibilidade de diáconas foi formada em 2020. No sínodo de outubro, o tópico das diáconas foi novamente discutido e recebeu forte apoio de muitos delegados, especialmente delegadas mulheres. No entanto, este ano, o papa dececionou muitos ao remover o tópico da pauta do sínodo e criar outra comissão para estudar a questão, que apresentará seu relatório em 2025…muitos católicos morrem sem os sacramentos porque não há padre disponível.”
A questão da poligamia e dos LBGTQ+, apesar da sua urgência, não verão nenhuma luz do dia, apesar dos apelos de muitos dos participantes, talvez porque ainda não se compreendeu as raízes culturais existentes em cada continente ou em cada país. Não temos, assim, uma Igreja inclusiva, mas excludente.
Outro tanto se faz com o papel da “autoridade petrina”, que como sabemos é impeditivo, nos moldes atuais, de um ecumenismo sério.
Não espero muito deste Sínodo, nunca esperei, mas tive ansiedade de ver a Igreja não adiada, mas será assim por muitos anos, enquanto não se escutar Jesus.
Joaquim Armindo é diácono católico da diocese do Porto, doutorado em Ecologia e Saúde Ambiental.










