O ecumenismo é fundamental para termos uma Sinodalidade nas Igrejas, de qualquer confissão religiosa, ou qualquer espiritualidade, assente no bem comum da Criação. Ecumenismo, para nós cristãs e cristãos, significa um diálogo connosco próprios, com os outros, com a Natureza, com a nossa Espiritualidade e com Deus. Não é possível a Sinodalidade sem termos este Ecumenismo em “criação permanente”, deixando o “que sempre foi assim” para as calendas da história. Nas conclusões do último encontro sinodal da Igreja Católica Romana é referido isso mesmo: “O diálogo ecuménico é fundamental para desenvolver a compreensão da sinodalidade e da unidade da Igreja. Leva-nos a imaginar práticas sinodais ecuménicas, até mesmo a formas de consulta e discernimento sobre assuntos de interesse comum e urgente, como poderia ser a celebração de um Sínodo ecuménico sobre evangelização. Convida-nos também a prestar contas uns aos outros pelo que somos, pelo que fazemos e pelo que ensinamos. Na raiz desta possibilidade está o facto de estarmos unidos no único Batismo, do qual brota a identidade do Povo de Deus e o dinamismo de comunhão, participação e missão.” Ou seja, existe uma impossibilidade de sinodalidade, ou outro nome que lhe quisermos dar, sem uma reconciliação de cada um consigo mesmo, de cada um com o outro, de todos com a Criação e de todos e todas com Deus ou com a espiritualidade que professamos, porque, diga-se, somos sempre espirituais.

A sinodalidade passa acima de tudo pela escuta. Foto © Mimi Thian | Unsplash
Como será possível “escutar”, “ser sinodal”, “caminhar juntos”, se não nos entendemos a nós próprios, se não escutarmos o outro e se não estivermos dispostos a defender a Criação e compreender não sermos ilhas isoladas, mas cada um/a compreender o/a outro/a? Por isso, ser ecuménico é estar com o outro, aprender dele, reaprender com os seus pontos de vista, com as suas ideias e tirar delas o enriquecimento que tal nos traz. E não é só o “padrocentrismo” que está em causa, mas o “clericalismo” que tolhe a relação ecuménica, o “clericalismo” é sempre o ópio e existe tanto “clericalismo” fora do clero – não estou a defender este, mas a querer compreender a génese do “clericalismo” existente nas pessoas e que o defendem, certamente incentivados pelo “clero”, em vez de defender a “comunhão, participação e missão”.
O que nos une é mesmo a diversidade, sem ela não seriamos homens e mulheres feitos à imagem e semelhança uns dos outros, mas esta diversidade é a mesma da escuta atenta e ativa dos clamores dos mais escravizados e do nosso próprio planeta Terra. E tal só se consegue por sermos ecuménicos, por “caminharmos juntos” e “participarmos em conjunto”, na luta contra a injustiça, contra a guerra, seja económica, militar, religiosa, ambiental ou cultural. Construirmos a Sinodalidade significa que um não é mais que o outro, que a verdade não é monopólio de ninguém, que a luta por uma Terra e por um Cosmos libertos da ganância de uns tantos nos une ecumenicamente. O Ecumenismo não se traduz só por uma aparente união de cristãos, mas num cavalgar juntos para uma nova sociedade, onde vivamos e sejamos felizes. E sermos felizes é aprender uns com os outros, para nos configurarmos à imagem do Bem. Por isso, é que ser ecuménico é o caminho para uma sinodalidade.
Joaquim Armindo é diácono católico da diocese do Porto, doutorado em Ecologia e Saúde Ambiental.










