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para o Fernando Echevarría, mas não à sua memória

Na morte do poeta

para o Fernando Echevarría, mas não à sua memória

Conheci o Fernando Echevarría há alguns anos quando juntos animámos no Metanoia uma sessão sobre os nomes de Deus que a poesia enuncia em nós, ou não, ou só. Da sua sala sobre o rio aberta recordo cada gesto afável, a tenaz humildade de quem um dia disse, e fez, e um campo escolheu e o lavrou. Mas sobretudo uma orelha enorme suspensa sobre a tarde, à escuta do que talvez não fale.

Fernando Echevarría

(1929-2021)

Fernando Echevarría

Fernando Echevarría era um poeta desafectado, que ria com vontade, quando lhe contavam que um dos seus primeiros livros, “Introdução à filosofia”, constava nas prateleiras de uma biblioteca ao lado de Aristóteles. Considerava-se, às vezes, um simples homem, de modo levemente abrutalhado, com pouco jeito para preitos, vassalagens, convénios, mesuras ou trapalhadas.

para o Fernando Echevarría, mas não à sua memória

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Conheci o Fernando Echevarría há alguns anos quando juntos animámos no Metanoia uma sessão sobre os nomes de Deus que a poesia enuncia em nós, ou não, ou só. Da sua sala sobre o rio aberta recordo cada gesto afável, a tenaz humildade de quem um dia disse, e fez, e um campo escolheu e o lavrou. Mas sobretudo uma orelha enorme suspensa sobre a tarde, à escuta do que talvez não fale.

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