No conto O rei vai nu, os cérebros dos súbditos continuavam, apesar das evidências, a vestir o rei. Vendo o monarca na sua condição vulnerável de mortal em tudo semelhante aos que da margem do cortejo o aclamavam, recusavam-se a admitir o inegável: que toda a ostentação de poder é ridícula. Não vã, contudo. Eles continuavam a precisar dela e a alimentá-la com o seu aplauso. Pois, sem a segurança proporcionada por tal poder, sentir-se-iam órfãos e incapazes de tomarem o protagonismo do seu próprio destino.





