O Ratazano, quando subia à superfície e suportava a claridade por mais de um qualquer tempo, quase sempre procurava buracos para se esconder e respirar a sombra. Também os havia lá em cima, os buracos. Bem escondidos, mas havia-os. Ah, se os havia. Eram restos guardados em surdina para a oportunidade do futuro. E a lucidez coitada, tão ingénua, não se dava conta. Mas o Ratazano, esse sim, descobria tudo quanto era viscoso. Faro apurado. [Texto alegórico de Ana Sofia Brito]





