Cristina Inogês-Sanz

Teóloga do Sínodo em Lisboa: “Seminários e paróquias têm de mudar”

| 12 Dez 2021

Cristina Inogês-Sanz: “A situação da Igreja é o que é e não é boa”. Foto © Direitos Reservados

 

“Como entrar em processo sinodal?” é a pergunta a que a teóloga leiga espanhola Cristina Inogês-Sanz, que integra a comissão metodológica do Sínodo dos Bispos convocado pelo Papa, procurará dar resposta nesta segunda-feira, dia 13, numa conferência a convite da Capela do Rato (Lisboa), que se realiza a partir das 21h30 via zoom.

https://us02web.zoom.us/j/86446801439?pwd=dVRQMWcyMmJMK3RPN1JWdHdjckE0dz09

(ID da reunião: 864 4680 1439, com senha de acesso: 402260)

Numa entrevista publicada neste domingo pela revista Família Cristã, a teóloga afirma: “Se queremos que o processo sinodal arranque e continue (…), as primeiras estruturas que há que cuidar e mudar são os seminários e as paróquias, porque estão na origem de tudo. Se isso não se muda, será muito difícil seguir adiante.”

Cristina Inogês-Sanz é cáustica com o estado da Igreja: “Estamos num momento crucial porque a situação da Igreja é o que é e não é boa”.  O primeiro passo para resolver um problema, acrescenta, é reconhecer que o problema existe. E neste momento o problema é a existência de uma “estrutura rígida, vertical, clericalizada ao máximo, não só por parte do clero, mas também por uma parte do laicado que não soube viver doutra maneira e que reproduziu” o que viveu.

No final do processo sinodal, e em função da avaliação feita, muitas das estruturas que existem continuarão, mas outras “terão que cair porque não caberão nessa estrutura sinodal e aparecerão outras que serão mais sinodais”.

Na mesma entrevista, aos jornalistas Ricardo Perna, da Família Cristã, e Octávio Carmo, da Ecclesia, a teóloga diz que os católicos se devem aproximar das pessoas que se afastaram da Igreja. “É necessário integrá-las positivamente, dizer-lhes que não se sintam marcadas” pelo afastamento, que pode ter muitas causas diferentes, afirma.

Cristina Inogês-Sanz refere ainda o exemplo da Igreja na Austrália, que encetou um processo sinodal envolvendo todas as comunidades: “É uma realidade assombrosa, o que está a fazer essa Igreja vai-se ver” no futuro. Esse processo pode ser exemplo para toda a Igreja Católica: “Se todo o processo sinodal é vivido em chave de discernimento, algo vai ter de mudar. O importante é sobretudo que acabe esta fase [de consulta local e diocesana], pois é a primeira vez que a base do povo de Deus participa durante tanto tempo” – esta fase inicial estende-se até 15 de Agosto do próximo ano (ver 7MARGENS).

Cristina Inogês-Sanz é teóloga pela Faculdade Protestante de Madrid e tem vários livros e artigos publicados, entre os quais obras sobre Bíblia ou espiritualidade.

Curriculum Vitae de Cristina Inogês-Sanz (PDF – clique aqui para download)

A teóloga fez uma das primeiras intervenções na cerimónia de abertura do Sínodo, referindo-se a uma Igreja “profundamente ferida”, que “durante séculos confiou mais” nos egos de cada pessoa que na Palavra de Deus e que precisa de se transformar num “porto seguro para todos”.

Esta será a ultima de três conferências em vídeo promovidas pela Capela do Rato como parte do processo sinodal, que tem já 14 grupos em funcionamento, ligados à comunidade da capela.

O texto e o vídeo da primeira conferência, sobre a sinodalidade na vida da Igreja, proferida pelo teólogo José Eduardo Borges de Pinho, estão já disponíveis na página da Capela do Rato.

 

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