
A sentença de morte provocou uma forte reação da parte dos líderes cristãos na nação islâmica. Foto © Mark Rubens
Um tribunal no Paquistão condenou um cristão de 22 anos à morte, por ofender “os sentimentos religioso dos muçulmanos” numa carta que terá publicado nas redes sociais, e que supostamente motivou o ataque que aconteceu no ano passado a um bairro cristão em Jaranwala, na província paquistanesa de Punjab.
O juiz Ziaullah Khan, do Tribunal Antiterrorismo da cidade de Sahiwal, em Punjab, decidiu a pena de morte para Ahsan Raja Masih, trabalhador numa olaria, com base em várias seções do Código Penal do Paquistão, incluindo a Lei Antiterrorismo e a abrangente Lei da Blasfémia, refere a UCA News na edição desta terça-feira, 2 de julho.
A sentença de morte gerou inúmeras críticas da parte dos líderes cristãos na nação islâmica. “Condenamos esta decisão da maneira mais forte possível”, disse o bispo Joseph Arshad de Islamabad-Rawalpindi, presidente da Comissão de Justiça e Paz da Conferência Episcopal Católica do Paquistão. “Isto é abuso da lei, uma farsa da justiça”, afirmou por seu lado o bispo Indrias Rehmat, de Faisalabad, citado pelo portal de notícias católico da Ásia.
O advogado de Masih, Khurram Shahzad, garante que a agência forense não encontrou nenhum conteúdo blasfemo no telemóvel do seu cliente e assinala que há muitas “brechas” nos relatórios das agências de investigação, considerando que “este é mais um caso de perseguição de uma família pobre da comunidade minoritária”, que corresponde a cerca de 1,6% dos 241 milhões de habitantes do Paquistão.
De referir que Masih foi acusado de causar o tumulto, mas todas as vítimas do mesmo eram cristãs. Mais de 80 casas de famílias cristãs e 26 igrejas foram vandalizadas na rebelião de Jaranwala, em 16 de agosto de 2023.
“Muitas Bíblias foram queimadas e igrejas profanadas, mas os agressores da multidão saíram em liberdade”, assinala o bispo Kamran à UCA News.
Apesar de a Lei da Blasfémia no Paquistão prever a possibilidade de pena de morte, não houve até ao momento nenhuma execução. No entanto, o país testemunhou inúmeros casos de linchamentos coletivos por alegações de blasfémia.
Em maio deste ano, um cristão idoso, Nazir Masih, foi atacado e espancado por uma multidão em Sargodha, na província de Punjab, após falsas acusações de ter queimado páginas do Corão, tendo acabado por falecer alguns dias depois no hospital, na sequência dos ferimentos [ver 7MARGENS].









