
Putin e o patriarca Cirilo, no Kremlin, em novembro de 2021. Kremlin.ru, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.
A Procuradoria-Geral e a autoridade nacional de segurança (SBU) da Ucrânia anunciaram este sábado a decisão de enviar ao Tribunal Penal Internacional uma denúncia contra o responsável máximo da Igreja Ortodoxa Russa (IOR), o patriarca Cirilo, acusando-o de inspirador e instigador da guerra de agressão armada desencadeada pelo regime de Putin contra o país vizinho.
As autoridades ucranianas afirmam ter recolhido provas contra Vladimir Gundyayev, nome civil de Cirilo, nomeadamente o facto de ele ser “membro do círculo íntimo dos principais líderes militares e políticos russos” e ter sido “um dos primeiros a apoiar publicamente uma guerra em grande escala contra a Ucrânia”.
Além disso, ainda segundo o lado ucraniano, o patriarca, na sua propaganda, “utiliza amplamente as comunidades religiosas da Igreja Ortodoxa Russa sob o seu controlo no território da Federação Russa, bem como os representantes da Igreja Ortodoxa Ucraniana/IOU (MP) na Ucrânia”.
Acresce que Gundyayev “difunde regularmente narrativas do Kremlin” sob a forma de sermões online ou de comentários em vídeo. “Em particular, está documentado que em março de 2022, um “artigo” sobre a liturgia foi publicado no site da Igreja Ortodoxa Russa, no qual o responsável religioso abençoou o comandante da Rosgvardia Zolotov para a guerra contra a Ucrânia, sendo ainda aduzidos outros documentos alegadamente comprovativos do apoio e instigação à invasão e aos combates contra a Ucrânia.
Recorde-se que os responsáveis da Igreja Ortodoxa da Ucrânia historicamente ligada ao Patriarcado de Moscovo (IOU-MP) decidiram à pressa, após a invasão russa e perante o apoio de Cirilo a essa invasão, cortar os laços com o Patriarcado moscovita. No entanto, foram múltiplos os sinais de que esse corte ficou marcado por suspeitas e ambiguidades. Na denúncia agora formulada, o SBU afirma que, desde o início da invasão russa em grande escala, foram iniciados 70 processos penais contra representantes da IOU-MP, 16 dos quais são metropolitas (referente de uma província eclesiática).
Entretanto, os serviços secretos do país denunciaram recentemente que os dirigentes da Igreja Ortodoxa Russa “criaram as suas próprias empresas militares privadas na Rússia”, para a guerra contra a Ucrânia, segundo notícia publicada por vários media da Ucrânia.
“Sob as instruções do Patriarcado de Moscovo”, referem, essas empresas militares privadas, alegadamente financiadas de forma encoberta por dinheiros públicos têm vindo a “recrutar e a treinar mercenários para a guerra contra a Ucrânia”. Uma delas funcionaria mesmo nos fundos da Catedral Naval de Kronstadt, em São Petersburgo.










