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Cinco confissões, 120 capelães

Um centro multirreligioso para os “cuidados espirituais” dos atletas olímpicos

| 25/07/2024

Jogos Olímpicos, Luís Afonso, Desporto, chama olímpica

Chama olímpica. Cartoon de © Luís Afonso no livro “Mínimos Olímpicos” cedido pelo autor/Avenida da Liberdade Editores/Comité Olímpico de Portugal: O centro multirreligioso permitirá alimentar a chama espiritual dos atletas, pois estes “não são apenas músculos”.

Prestar apoio espiritual aos atletas, permitindo-lhes que continuem a praticar a sua fé é o propósito de um centro multirreligioso que o Comité Olímpico Internacional (COI) instalou na Aldeia Olímpica, em Paris, à semelhança do que tem acontecido em anteriores edições dos Jogos Olímpicos.

“Os atletas não são apenas músculos. Não se pode separar o corpo, a mente e a alma”, afirma Philippe Gonigam, capelão católico e antigo campeão francês dos 400 metros barreiras, citado pelo La Croix International [artigo reservado a assinantes]. “A fé, que complementa os cuidados médicos e psicológicos que os atletas recebem, permite-lhes dar sentido ao que estão a passar e pode ajudá-los a preparar-se para o que vem depois”, acrescenta.

Jogos Olímpicos, Luís Afonso, Desporto, atletismo

110 metros barreiras. Cartoon de © Luís Afonso no livro “Mínimos Olímpicos” cedido pelo autor/Avenida da Liberdade Editores/Comité Olímpico de Portugal: Philippe Gonigam, um dos capelães católicos, ganhou limpo e foi campeão francês dos 400 metros barreiras.

Cristãos (católicos, ortodoxos e protestantes), muçulmanos, judeus, hindus e budistas partilharão o centro multirreligioso criado na aldeia. Como é que se aceita e se recupera de um fracasso? Como é que se lida com a pressão? Os capelães esperam tentar responder a uma grande variedade de questões.

“A graça que temos é que não estamos envolvidos na carreira desportiva deles. Não somos o seu treinador, nem a sua família, nem os seus financiadores. O mais importante é que eles sintam que têm um ouvido atento e que nós os podemos guiar, sob a inspiração do Espírito Santo”, refere Anne Schweitzer, capelã protestante.

Jogos Olímpicos, Luís Afonso, Desporto, basquetebol

Basquetebol. Cartoon de © Luís Afonso no livro “Mínimos Olímpicos” cedido pelo autor/Avenida da Liberdade Editores/Comité Olímpico de Portugal. No centro multirreligioso, talvez se reze também pela proteção dos ninhos e da natureza.

Embora não seja uma condição prévia, alguns capelães estão familiarizados com o mundo do desporto, sendo eles próprios antigos atletas de alta competição, podendo assim partilhar a sua experiência das competições. Os capelães católicos incluem leigos, religiosos e padres, entre os quais o padre Jason Nioka, ordenado há algumas semanas para a diocese francesa de Meaux e antigo judoca.

No centro, os atletas poderão rezar em salas especialmente equipadas para o efeito. O rabi Laurent Berros, mais habituado ao mundo militar ou médico e a sua equipa de quatro assistentes espirituais decoraram a sala com fotografias de sinagogas de todo o mundo. “Era importante que a sala de oração fosse bonita e que cada judeu que viesse rezar pudesse encontrar o ambiente, os objetos de culto e os livros que conhece, para se sentir em casa”, refere.

Jogos Olímpicos, Luís Afonso, Desporto, maratona

Maratona. Cartoon de © Luís Afonso no livro “Mínimos Olímpicos” cedido pelo autor/Avenida da Liberdade Editores/Comité Olímpico de Portugal: No espaço multirreligioso, a oração e a escuta não precisarão de ir à boleia.

Deep Patel, o responsável hindu, teve o mesmo cuidado: “Fizemos muitas estátuas, cada uma simbolizando uma divindade diferente. Vamos poder rezar com o atleta, contemplar Deus, meditar e fazer com que qualquer prova seja uma oportunidade para seguir em frente”, explica. Para facilitar o acolhimento de atletas de todas as nacionalidades e línguas, os assistentes espirituais são oriundos de vários países.

Apesar de uma preparação meticulosa, ainda há incertezas antes da abertura oficial dos Jogos Olímpicos. “Não sabemos bem o que nos espera”, diz Laurent Berros. Os muçulmanos concordam. “Estamos a aguardar com grande expetativa, porque não tivemos qualquer comentário sobre o que se passou nos últimos Jogos Olímpicos”, admite Najat Benali, presidente da Coordination des Associations Musulmanes de Paris, que recrutou os capelães muçulmanos.

Jogos Olímpicos, Luís Afonso, Desporto, lançamento de disco

Lançamento de disco. Cartoon de © Luís Afonso no livro “Mínimos Olímpicos” cedido pelo autor/Avenida da Liberdade Editores/Comité Olímpico de Portugal: As diferentes músicas espirituais e religiosas irão conviver no centro.

“Não estou tão ansioso como um desportista antes do início de uma competição”, brinca Philippe Gonigam, o delegado episcopal católico responsável pela pastoral do desporto na diocese de Metz. “O mais importante é estar completamente disponível para acolher as pessoas que vêm ao nosso encontro”, acrescenta.

Situado na Aldeia Olímpica, o centro multiconfessional, está aberto desde 18 de julho até ao final dos Jogos Paralímpicos, em 8 de setembro, inclui um espaço de acolhimento e cinco salas de oração separadas. Todos os dias, 120 capelães das cinco principais religiões revezam-se, das 7h às 23h, para proporcionar uma presença espiritual aos atletas de todo o mundo.

As cerimónias religiosas serão realizadas em várias línguas. Do lado católico, as missas serão celebradas na igreja de Saint-Ouen-le-Vieux em Saint-Ouen, enquanto os judeus poderão celebrar o Sabbath na sinagoga de Sarcelles. Os serviços religiosos protestantes realizar-se-ão nas instalações do centro.

Jogos Olímpicos, Luís Afonso, Desporto, tiro com arco

Tiro com arco. Cartoon de © Luís Afonso no livro “Mínimos Olímpicos” cedido pelo autor/Avenida da Liberdade Editores/Comité Olímpico de Portugal: O alvo “é estar completamente disponível para acolher as pessoas que vêm ao nosso encontro”, diz um capelão católico.

 

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