
Chama olímpica. Cartoon de © Luís Afonso no livro “Mínimos Olímpicos” cedido pelo autor/Avenida da Liberdade Editores/Comité Olímpico de Portugal: O centro multirreligioso permitirá alimentar a chama espiritual dos atletas, pois estes “não são apenas músculos”.
Prestar apoio espiritual aos atletas, permitindo-lhes que continuem a praticar a sua fé é o propósito de um centro multirreligioso que o Comité Olímpico Internacional (COI) instalou na Aldeia Olímpica, em Paris, à semelhança do que tem acontecido em anteriores edições dos Jogos Olímpicos.
“Os atletas não são apenas músculos. Não se pode separar o corpo, a mente e a alma”, afirma Philippe Gonigam, capelão católico e antigo campeão francês dos 400 metros barreiras, citado pelo La Croix International [artigo reservado a assinantes]. “A fé, que complementa os cuidados médicos e psicológicos que os atletas recebem, permite-lhes dar sentido ao que estão a passar e pode ajudá-los a preparar-se para o que vem depois”, acrescenta.

110 metros barreiras. Cartoon de © Luís Afonso no livro “Mínimos Olímpicos” cedido pelo autor/Avenida da Liberdade Editores/Comité Olímpico de Portugal: Philippe Gonigam, um dos capelães católicos, ganhou limpo e foi campeão francês dos 400 metros barreiras.
Cristãos (católicos, ortodoxos e protestantes), muçulmanos, judeus, hindus e budistas partilharão o centro multirreligioso criado na aldeia. Como é que se aceita e se recupera de um fracasso? Como é que se lida com a pressão? Os capelães esperam tentar responder a uma grande variedade de questões.
“A graça que temos é que não estamos envolvidos na carreira desportiva deles. Não somos o seu treinador, nem a sua família, nem os seus financiadores. O mais importante é que eles sintam que têm um ouvido atento e que nós os podemos guiar, sob a inspiração do Espírito Santo”, refere Anne Schweitzer, capelã protestante.

Basquetebol. Cartoon de © Luís Afonso no livro “Mínimos Olímpicos” cedido pelo autor/Avenida da Liberdade Editores/Comité Olímpico de Portugal. No centro multirreligioso, talvez se reze também pela proteção dos ninhos e da natureza.
Embora não seja uma condição prévia, alguns capelães estão familiarizados com o mundo do desporto, sendo eles próprios antigos atletas de alta competição, podendo assim partilhar a sua experiência das competições. Os capelães católicos incluem leigos, religiosos e padres, entre os quais o padre Jason Nioka, ordenado há algumas semanas para a diocese francesa de Meaux e antigo judoca.
No centro, os atletas poderão rezar em salas especialmente equipadas para o efeito. O rabi Laurent Berros, mais habituado ao mundo militar ou médico e a sua equipa de quatro assistentes espirituais decoraram a sala com fotografias de sinagogas de todo o mundo. “Era importante que a sala de oração fosse bonita e que cada judeu que viesse rezar pudesse encontrar o ambiente, os objetos de culto e os livros que conhece, para se sentir em casa”, refere.

Maratona. Cartoon de © Luís Afonso no livro “Mínimos Olímpicos” cedido pelo autor/Avenida da Liberdade Editores/Comité Olímpico de Portugal: No espaço multirreligioso, a oração e a escuta não precisarão de ir à boleia.
Deep Patel, o responsável hindu, teve o mesmo cuidado: “Fizemos muitas estátuas, cada uma simbolizando uma divindade diferente. Vamos poder rezar com o atleta, contemplar Deus, meditar e fazer com que qualquer prova seja uma oportunidade para seguir em frente”, explica. Para facilitar o acolhimento de atletas de todas as nacionalidades e línguas, os assistentes espirituais são oriundos de vários países.
Apesar de uma preparação meticulosa, ainda há incertezas antes da abertura oficial dos Jogos Olímpicos. “Não sabemos bem o que nos espera”, diz Laurent Berros. Os muçulmanos concordam. “Estamos a aguardar com grande expetativa, porque não tivemos qualquer comentário sobre o que se passou nos últimos Jogos Olímpicos”, admite Najat Benali, presidente da Coordination des Associations Musulmanes de Paris, que recrutou os capelães muçulmanos.

Lançamento de disco. Cartoon de © Luís Afonso no livro “Mínimos Olímpicos” cedido pelo autor/Avenida da Liberdade Editores/Comité Olímpico de Portugal: As diferentes músicas espirituais e religiosas irão conviver no centro.
“Não estou tão ansioso como um desportista antes do início de uma competição”, brinca Philippe Gonigam, o delegado episcopal católico responsável pela pastoral do desporto na diocese de Metz. “O mais importante é estar completamente disponível para acolher as pessoas que vêm ao nosso encontro”, acrescenta.
Situado na Aldeia Olímpica, o centro multiconfessional, está aberto desde 18 de julho até ao final dos Jogos Paralímpicos, em 8 de setembro, inclui um espaço de acolhimento e cinco salas de oração separadas. Todos os dias, 120 capelães das cinco principais religiões revezam-se, das 7h às 23h, para proporcionar uma presença espiritual aos atletas de todo o mundo.
As cerimónias religiosas serão realizadas em várias línguas. Do lado católico, as missas serão celebradas na igreja de Saint-Ouen-le-Vieux em Saint-Ouen, enquanto os judeus poderão celebrar o Sabbath na sinagoga de Sarcelles. Os serviços religiosos protestantes realizar-se-ão nas instalações do centro.

Tiro com arco. Cartoon de © Luís Afonso no livro “Mínimos Olímpicos” cedido pelo autor/Avenida da Liberdade Editores/Comité Olímpico de Portugal: O alvo “é estar completamente disponível para acolher as pessoas que vêm ao nosso encontro”, diz um capelão católico.










