
A OIT está preocupada com a grande percentagem de jovens fora do mercado de trabalho, da educação e da formação (que muitas vezes leva a situações como a do trabalho infantil, como na fotografia). Foto © Rana Roy / Wikimedia Commons
A parte dos rendimentos do trabalho a nível mundial caiu 0,6 pontos percentuais de 2019 a 2022, tendo-se mantido estável, desde então, agravando uma tendência descendente de longa data. Este cenário, que é particularmente sentido entre a população jovem, está a exercer pressão sobre as desigualdades sociais.
As conclusões constam do estudo Perspetivas Sociais e de Emprego no Mundo: atualização de setembro de 2024, que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) acaba de divulgar, e que apontam para “um fosso crescente entre os rendimentos do trabalho e do capital”.
Segundo o estudo, se a percentagem dos rendimentos do trabalho – que representa a parte do rendimento total auferido pelas trabalhadoras e trabalhadores – tivesse permanecido ao mesmo nível de 2004, o rendimento do trabalho seria superior em 2,4 mil milhões de dólares só em 2024.
A OIT considera que os avanços tecnológicos, incluindo a automatização, “desempenharam um papel importante nesta tendência”. “Embora estas inovações tenham impulsionado a produtividade e os resultados, os dados sugerem que as trabalhadoras e os trabalhadores não estão a partilhar equitativamente os ganhos daí resultantes”, explica o estudo.
O documento procura, nesta linha, refletir sobre o que se torna necessário fazer para enfrentar uma situação que está a pôr em risco a concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que foram definidos pela comunidade internacional. Tornam-se imperiosas, refere o relatório, “políticas abrangentes para garantir que os benefícios do progresso tecnológico são amplamente partilhados”, sem as quais “os recentes desenvolvimentos no campo da inteligência artificial podem aprofundar a desigualdade”.
Tais políticas, a concretizar também ao nível de cada país, além de contrariarem o declínio dos rendimentos do trabalho, devem promover “uma distribuição equitativa dos benefícios económicos, incluindo a liberdade de associação, a negociação coletiva e uma administração do trabalho eficaz, para alcançar um crescimento inclusivo e construir um caminho para o desenvolvimento sustentável para todas as pessoas”. As considerações são de Celeste Drake, diretora-geral adjunta daquela organização.
O estudo da OIT manifesta preocupação pela grande percentagem de jovens fora do mercado de trabalho, da educação e da formação, tendo por referência as recentes Tendências Mundiais do Emprego Jovem (TME Jovem). Este documento mostra que a taxa global de jovens que não trabalham, não estudam nem seguem qualquer formação (NEET) registou apenas uma ligeira diminuição de 21,3 por cento em 2015 para 20,4 por cento em 2024 e prevê-se que se mantenha estável nos próximos dois anos. A taxa NEET feminina – que se situou em 28,2 por cento em 2024 – é mais do dobro da registada pelos homens jovens, pondo em risco o ODS 8 (Trabalho digno e desenvolvimento económico), acrescenta esse documento.






