
O documentário “Building a Bridge” é sobre o trabalho do padre jesuíta norte-americano James Martin com a comunidade LGBTQ. Foto: Direitos reservados.
O cineasta Martin Scorsese tem em exibição no canal de televisão por assinatura AMC+, disponível em diferentes partes do mundo, incluindo Portugal, o documentário “Building a Bridge” [construindo uma ponte], sobre o trabalho do padre jesuíta norte-americano James Martin, com a comunidade LGBTQ.
“Building a Bridge”, que estreou num festival em 2021 e pode também ser visto no canal SundanceTV e noutras plataforms de TV a pedido, resultou de uma circunstância relativamente fortuita, segundo narra a revista The New Yorker.
Em dada ocasião, James Martin terá inquirido o realizador sobre “como se falava de homossexualidade no enclave ítalo-americano católico de sua infância” (importa recordar que o próprio James Martin é neto de migrantes da Sicília). “(O assunto) nunca foi referido pelos padres, nunca foi mencionado no púlpito nem em casa, nunca foi falado”, respondeu Scorsese.
Segundo ele tudo o que saltasse fora daquilo que se considerava a norma “deveria ser ostracizado, humilhado, ridicularizado”, acrescentou.
Mais tarde, veio a saber que, na família alargada que era dele havia um primo mais velho que sofreu muito por ser gay. E Scorsese sofreu com ele nas reuniões familiares, a ponto de o primo lhe confidenciar o que vivia.
Quando, em 2016, se deu o massacre de 49 pessoas perpetrado por um atirador que abriu fogo na discoteca Pulse, em Orlando, na Florida, considerada um espaço da comunidade gay, James Martin ficou inquieto pela resposta — melhor, a falta dela — por parte da Igreja, em termos de uma tomada de posição.
“Fiquei um pouco desapontado com a resposta oficial da igreja ao massacre. O que me impressionou na época foi que, mesmo na morte, essa comunidade é praticamente invisível para a Igreja Católica”, disse ele, em declarações à agência Religion News Service.
Isso encorajou-o a começar a dedicar tempo, atenção e trabalho à comunidade LGBTQ, e a escrever e falar publicamente sobre o assunto, segundo revelou.
Foi assim que nasceu o seu livro “Building a Bridge: How the Catholic Church and the LGBT Community Can Enter Into a Relationship of Respect, Compassion, and Sensitivity”, publicado em 2017. Desse livro surgiu um vídeo que circulou nas redes sociais e dois cineastas, um dos quais tinha uma amiga entre as vítimas da discoteca Pulse, começaram a prestar atenção a este padre.
Quando estas várias pontas se juntaram, surgiu o documentário, com o mesmo título do livro de James Martin, que é a figura central. A realização foi de Evan Mascagni, assessorado por Shannon Post, e a produção de Martin Scorsese.
Scorcese, de 79 anos, realizador de A Última Tentação de Cristo e desde criança inquieto com as questões da fé e da religião, prepara já o seu próximo filme, baseado no livro de David Grann, e intitulado Killers of the Flower Moon.










