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Viktor Frankl na Universidade de San Diego, Califórnia, (1971 ou 1972). Foto reproduzida da Wikimedia Commons (https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Viktor_Frankl_USD_Alcalá_1972.jpg), a partir do Alcalá Yearbook, 1972, University of San Diego.
Viktor Frankl na Universidade de San Diego, Califórnia, (1971 ou 1972). Foto reproduzida da Wikimedia Commons (https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Viktor_Frankl_USD_Alcalá_1972.jpg), a partir do Alcalá Yearbook, 1972, University of San Diego.

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Um psicólogo no campo de concentração – um livro sobre Viktor Frankl

| 17/10/2026

Uma leitura biográfica, intelectual e testemunhal de uma das figuras mais marcantes da psicologia e da reflexão antropológica do século XX – é desse modo que se apresenta o livro Logoterapia e Análise Existencial – Vida, testemunho e obra de Viktor E. Frankl, da autoria de Nuno Almeida, bispo de Bragança-Miranda e editado pela Paulinas Editora.

No livro, o autor revisita a vida de Frankl (1905-1997), o contexto histórico e filosófico em que desenvolveu o seu pensamento e os fundamentos da Logoterapia e da Análise Existencial, dinâmicas criadas e desenvolvidas pelo neuropsiquiatra austríaco, que foi preso pelos nazis em quatro campos de concentração e extermínio, incluindo Auschwitz.

Sendo uma personalidade pouco estudada em Portugal, a obra apresenta-se como “um contributo pioneiro para o conhecimento” do fundador da logoterapia e autor de O Homem em Busca de um Sentido, o livro onde ele reflete sobre a sua experiência no campo de concentração e a capacidade de a transformar num testemunho sobre a dignidade humana, a liberdade interior e a procura de sentido.

A proposta antropológica de Frankl parte da convicção de que o ser humano não é determinado exclusivamente pelos seus impulsos, condicionamentos ou circunstâncias, mas permanece capaz de escolher a sua atitude perante a vida. Neste livro, Nuno Almeida analisa ainda a vida e testemunho e obra (incluindo em alguns dos seus pontos críticos) de Frankl, traça as raízes filosóficas e psicológicas da logoterapia e da análise existencial, colocando-as em diálogo com a experiência religiosa, e sintetiza o pensamento antropológico frankliano.

O prefácio da obra é assinado por Alexander Batthyány, professor universitário, membro da direção do Instituto Viktor Frankl, em Viena, e diretor do Instituto de Investigação da Universidade Católica Péter-Pázmány, em Budapeste.

O 7MARGENS reproduz a seguir excertos da conclusão. Os títulos e subtítulos são da responsabilidade da Redação.

Como reinventar o sentido de uma vida
depois da quase morte do sentido?

Auschwitz; Holocausto

Óculos das pessoas assassinadas no campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau (1941-1945): a Segunda Guerra Mundial trouxe as questões existencial e do sentido da vida. Foto © Paweł Sawicki, Auschwitz Memorial.

(…) É longo e fecundo o percurso percorrido por Viktor Frankl. É ele próprio que, num texto de 1946, sintetiza as raízes filosóficas e psicológicas do seu pensamento antropológico, de inclinação existencialista e onde está sempre presente uma vocação personalista:

«A questão existencial na sua forma “moderna”, ou o “problema do homem moderno”, é levantado pela primeira vez por Kierkegaard. A procura por ele começada no século XIX encontrou solução no século sucessivo, através da filosofia vital de Bergson e da fenomenologia de Husserl e do seu discípulo Scheler, que, desenvolvendo um trabalho preliminar, tornaram possível a filosofia existencial contemporânea que, depois da Primeira Guerra Mundial, encontrou plena realização em Heidegger, Jaspers e Jean-Paul Sartre. À Segunda Guerra Mundial coube o dever de lhe incentivar a difusão, aggiornar a formulação e radicalizá-la maximamente.»[1]

Recorde-se, mais uma vez, que Max Scheler, sobretudo com a obra Ética Material dos Valores, é referência incontornável e decisiva para Frankl, afirmando reiteradamente que este filósofo e fenomenólogo alemão foi aquele que mais influenciou a sua pessoal Weltanschauung e teve um grande impacto na sua formação, como já aludimos acima. Frankl levava sempre consigo esta obra de Scheler, como se da Bíblia se tratasse.

Para além do conhecimento profundo do pensamento de Martin Heidegger, foram também importantes os encontros que teve com ele. Da amizade com Heidegger, o casal Frankl conservará sempre uma viva recordação. Frankl recolheu e reformulou os três aspetos que caracterizam a existência em sentido heideggariano: o ser-situado-no-mundo (Befindlichkeit), interpretado como apelo à responsabilidade e como dom de um significado a realizar; a compreensão (Verstehen) do objetivo da vida como o assumir de uma atitude (Vor-stehen) perante as disposições internas e as circunstâncias externas; a dimensão do significado (Logos) como fundamento do ser e a ligação intencional do existir (Dasein). O próprio Frankl afirma que o seu pensamento tem como referência a obra-prima de Heidegger: Ser e Tempo (Sein und Zeit)[2].

Frankl repete, em diversas circunstâncias, que existem tantos existencialismos como existencialistas, afastando-se decididamente do existencialismo nihilista, como, por exemplo, do de Sartre. São decisivos para ele a obra e os contactos assíduos com outros representantes da filosofia existencialista. Recorda, sobretudo, Karl Jaspers, que, por ocasião de uma visita a Basileia, lhe disse conhecer todos os seus livros e considerar a obra sobre os campos de concentração «um entre os poucos grandes livros da Humanidade». E, depois, Gabriel Marcel, que conheceu pessoalmente Frankl numa viagem a Viena e escreveu o prefácio da obra Um Psicólogo no Campo de Concentração para a edição francesa.

Folheando o álbum de família

Logoterapia e Análise Existencial – Vida, testemunho e obra de Viktor E. Frankl

«Algumas vezes – recordou Frankl em Roma, em 1992 – vou folheando o meu álbum de família. Rostos mais conhecidos ou menos conhecidos passam velozes, trazendo de novo à mente recordações, experiências, amizades. Penso, por exemplo, em Martin Heidegger, o pensador da Floresta Negra, humilde e corajoso, que me ensinou a corrigir e a voltar a corrigir um manuscrito para honrar sempre a verdade e não ceder nunca ao facilitismo. Penso também em Karl Jaspers, o filósofo e psiquiatra existencialista alemão, em Gabriel Marcel, o antípoda católico do ateu Sartre, em Martin Buber, a face hebraica do católico Marcel, em Ludwig Binswanger, grande fenomenólogo, em Gordon W. Allport que, convidando-me a ministrar um curso na Universidade americana de Harvard, abriu à logoterapia as fronteiras dos Estados Unidos.»[3]

Ao lado destes nomes poderiam acrescentar-se o de Ferdinand Ebner, Paul Tillich e tantos outros. São bem patentes importantes analogias, mas também substanciais diferenças de perspetiva em relação a psicólogos humanistas: Rollo May[4], um dos grandes representantes da psiquiatria existencial dos Estados Unidos da América; A. H. Maslow, Ch. Bühler, C. R. Rogers, G. W. Allport, K. Horney e tantos outros da denominada «terceira força» que se apresenta como alternativa aos reducionismos do behaviorismo e da psicanálise ortodoxa.[5]

Como reinventar o sentido de uma vida depois da ofensa, da injustiça, da violência, depois da quase morte do sentido? Como se pode reinventar a vida do ser humano, de uma família, de uma comunidade onde as vítimas e os agressores são todos culpados? O que fazer para que os sobreviventes e os agressores aprendam de novo o difícil projeto de viver juntos? Que milagre é este que toma o ódio e a vingança nas mãos e faz dessa matéria inóspita e sofrida a semente de uma vida nova?

Sedentos de histórias de perdão

A reconciliação com a vida acontece, segundo Frankl, mediante a busca e a ativação do sentido para a existência pessoal e coletiva. Foto: Direitos reservados.

A reconciliação com a vida acontece, segundo Frankl, mediante a busca e a ativação do sentido para a existência pessoal e coletiva. Foto: Direitos reservados.

Todos estamos sedentos de histórias de perdão e de itinerários de reconciliação, pois, a cada passo, um ato violento ou uma palavra ofensiva podem expulsar a esperança, a lucidez e o sentido. Esta marca perturbadora, este sem-sentido, condiciona as nossas vidas, desassossega a linha do significado com que as narramos, enviesa o fio condutor com que nos compreendemos a nós mesmos. Constatamos frequentemente, em nós próprios e à nossa volta, que há feridas internas que doem muito mais do que as físicas e que podem apelidar-se de injustiça, injúria, angústia ou humilhação.

Será possível vislumbrar um milagre de sentido, num oceano imenso de absurdo? Será possível remediar o irremediável, expiar o inexpiável, reparar o irreparável, reconciliar o irreconciliável?

A reconciliação com a vida (Versöhnung mit dem Leben), segundo Frankl, acontece mediante a busca e a ativação do sentido para a existência pessoal e coletiva. Para que isto se realize, há que desenvolver a capacidade pessoal de entrega, de saída de si mesmo e percorrer as vias da autotranscendência. Trata-se de orientar a vida para algo ou para alguém (Alguém), vencendo permanentemente a tentação da autossuficiência e de uma existência centrada (ocupada e preocupada) em si mesma.

A capacidade especificamente humana é a de autotranscender-se, orientando a existência para algo, para uma causa ou pessoa. Recorde-se, por exemplo, a mãe que esquece a sua dor para cuidar de um filho enfermo, que se esvazia de si para dar espaço ao filho, num amor oblativo, agápico, marcado pelo dom total. A própria identidade não consiste em estar centrado de forma narcisista e egoísta em si mesmo, mas sim numa relação de encontro com o outro.

A luz do sentido ocupa, no homem, o espaço que este lhe der, dependendo da ousadia que tiver de se esvaziar, perdendo todos os medos que o impeçam de aceitar a experiência de despojamento de si. Esta dimensão de oblatividade amorosa permite encontrar o sentido, sempre e a «apesar de tudo», mesmo nas situações mais dramáticas da vida, como são o sofrimento inevitável, a culpa grave ou a morte.

O homem é um ser de grandes possibilidades para o bem e para o mal e, segundo a perspetiva de Frankl, é um ser que decide, se decide e continuará sempre a decidir o que será no próximo instante. Por isso, se se deseja compreender, o mais possível, na totalidade do seu ser, não pode olhar-se sob um único ponto de vista, mas ocorre desenvolver uma visão antropológica que abrace todas as dimensões da existência humana. O indivíduo caracteriza-se, de facto, pela sua singularidade, irrepetibilidade e finitude e, diferentemente de quanto afirmaram outras escolas de pensamento, pelo seu ser uma totalidade psico-físico-espiritual, que não permite separação de qualquer género.

O ser humano é um ser essencialmente livre

“A originalidade de Frankl está precisamente na definição da pessoa como unidade, na multiplicidade das suas dimensões e na base das suas relações.” Na imagem © A ilustração da capa de “Uma História do Paraíso (I) – O Jardim das Delícias”: Jean Fouquet, “A Criação – Deus apresentando Adão e Eva” em “Antiquités Judaiques” (c.1470-76). Bibliothèque Nationale, Paris.

A originalidade de Frankl está precisamente na definição da pessoa como unidade, apesar da multiplicidade das suas dimensões e na introdução na reflexão psicológica da dimensão noética ou espiritual, que faz descobrir a totalidade da pessoa sobre a base das suas relações, dos seus aspetos constitutivos, das suas expressões, colhendo, ao lado daquilo que a condiciona, sobretudo a capacidade humana de tomar posição perante qualquer fator biológico, psíquico ou social. A unicidade, a diversidade de cada ser humano em relação aos outros, a sua «espiritualidade», representam a verdadeira raiz seja da liberdade, que permite ao indivíduo recusar o domínio das forças externas ou internas, seja da responsabilidade, graças à qual tende para algo diferente de si, ou seja, para os significados a realizar ou outros seres humanos a encontrar.

Podemos experimentar a liberdade pessoal apesar dos condicionamentos, pois o sentido brota da atitude com que enfrentamos os acontecimentos. Podemos, neste caso, falar de liberdade não condicionada. A liberdade, porém, não é omnipotência, pois temos de partir do que somos e temos e decidir para onde queremos dirigir a nossa realidade pessoal e coletiva, o nosso projeto de ser pessoa e sociedade. Cada pessoa tem, portanto, a possibilidade de participar ativamente na sua própria transformação e na transformação do mundo circundante.

É a dimensão espiritual que dá unidade e totalidade ao ser humano. O espiritual é aquela dimensão do homem que sempre em cada momento se pode opor a qualquer situação tanto externa com interna. É «o livre» no homem, o qual está intimamente ligado com a responsabilidade. O ser humano, distintamente dos animais, pode, por exemplo, distanciar-se da sua dimensão instintiva, pois ele é mais do que os seus instintos.

O homem e a mulher, pela sua dimensão espiritual, podem distanciar-se tanto de disposições internas como de posições externas. Por isso, o ser humano é um ser essencialmente livre, podendo decidir livremente sobre a sua vida, graças a uma capacidade não possuída por nenhum outro ser, uma faculdade especificamente humana: o autodistanciamento. Recorde-se que o autodistanciamento é a capacidade que tem o homem de distanciar-se não só do mundo, mas também de si mesmo. O importante não é a nossa disposição nem a nossa situação exterior, mas sim a atitude que se adota, a qual é sempre escolhida livremente pelo homem.

Um olhar transfigurado

Frankl: as feridas abertas são ocasião de perda de referências, mas podem ser também ocasião de recriação de uma vida. Foto reproduzida da página do Viktor Frankl Institut (https://www.viktorfrankl.org/biography.html).

Frankl: as feridas abertas são ocasião de perda de referências, mas podem ser também ocasião de recriação de uma vida. Foto reproduzida da página do Viktor Frankl Institut.

As circunstâncias biológicas, psicológicas, sociais podem condicionar, mas não determinar o desenvolvimento da existência humana. O homem como ser espiritual distancia-se, toma posição livre (sem ser absoluta, nem se confundir com omnipotência, esta liberdade) perante as disposições internas e externas.

Frankl, a este propósito, recorda, com frequência, a experiência da doença grave que condiciona irreversivelmente a vida. Mas a atitude perante esta doença não está condicionada: deixar-se vencer pelo desespero, ficar apegado a capacidades que se vão perdendo, recordar nostalgicamente os tempos passados mais felizes, ou buscar alternativas, reconhecer as possibilidades que restam, ou simplesmente, enfrentar e oferecer de maneira digna o sofrimento. Pela dimensão noética do ser humano, o adoecer é uma experiência que não se esgota no processo da enfermidade; é, primordialmente, sofrimento e resposta do homem nesse processo e perante ele. O homem decide, seja consciente ou inconscientemente, se resiste ou se se submete.

A dimensão noética torna o homem capaz de, por vezes, criar algo que antes nunca existiu, introduzindo-o no mundo que o rodeia. O homem é mais do que um produto da herança e do meio ambiente. O elemento decisivo é a liberdade: o homem decide sobre si mesmo.

A força de oposição do seu espírito pode, portanto, enfrentar os instintos, a herança e o ambiente, mas também os colocando em relevo, quando a ocasião o exige. Há que acrescentar, entretanto, que a liberdade «de» ou «frente a» algo, ou a alguém existe em função de uma liberdade «para» algo ou para alguém (Alguém). O «para quê» da liberdade é constituído pelo sentido e pelos valores.

A liberdade humana, não sendo omnipotência, pois o homem não pode fazer tudo o que quer realizar nem é tão-pouco arbitrariedade, pois há de responder perante a sua decisão, possibilita que a pessoa possa ser responsável. O ser humano nasce como um gérmen que tem de desenvolver-se na dupla dimensão da sua resposta: para dentro de si mesmo (quem sou eu? donde surgi? para onde vou?) e para fora (quem são os outros?). São os dois carris da linha da espiritualidade humana: a mesmidade e a aperturidade, o primeiro relaciona-se com a liberdade e o segundo com a responsabilidade.

Acompanhámos Frankl no difícil, mas decidido, percurso de se reencontrar a si mesmo, abrindo-se e lançando-se a amar. É este o percurso de reconciliação, no seu «ritmo ternário»: a Vida que vem ao encontro e interroga Frankl, sentir-se amado e tornar-se capaz de amar. (…)

Como testemunhou e ensinou V. Frankl, as feridas abertas são, de facto, ocasião de dor, de ressentimento, de incompreensão, de perda de referências e de sentido; mas podem ser também ocasião de cura, de busca de sentido, de recriação de uma vida, ou seja, de reconciliação. Trata-se de uma presença de forma renovada, um olhar transfigurado, ressuscitado.

NOTAS

[1] V. Frankl, Der Wille zum Sinn, Viena, Hans Huber, 1972, p. 87.

[2] Cf. M. HeidegGer, Ser e Tempo, Petrópolis, Vozes, 1989. Obra publicada em 1927.

[3] V. Frankl, Ciò che non è scritto nei miei libri, p. 103. «Mas a fotografia que me é mais cara é aquela em que, juntamente com a minha mulher Elly, reproduz a audiência privada com o papa Paulo VI. Estava em Roma para uma conferência. Foi um encontro quase improvisado. Falámos cerca de 30 minutos. Havia um intérprete, mas no final, Paulo VI gritou-nos em alemão: “Bitte, bitte, beten Sie für mich!” (Por favor, por favor, rezai por mim!) É inimaginável a humildade daquele homem. Um Papa que pede a um psiquiatra hebreu, a um neurologista vienense, para rezarem por ele. A minha mulher, católica, procurou conter a comoção durante todo o encontro, mas não conseguiu conter as lágrimas. E assim me aconteceu também a mim» (V. Frankl, Ciò che non è scritto nei miei libri, p. 103.)

[4] É muito curiosa a discussão com Rollo May e com o rabino canadiano Bulka, sobre o presumido autoritarismo da logoterapia, com uma intervenção conclusiva do próprio Frankl. A polémica com May foi encerrada num longo jantar. (Cf. R. Bulka, È la logoterapia un intervento autoritario?, in V. Frankl, La Sfida del Significato, pp. 91-103.

[5] Cf. D. Bruzzone e E. Fizzotti, L’Uomo in cerca di senso. Cinquant’anni di logoterapia, in V. Frankl, La Sfida del Significato, p. 9.

 

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