
Retirado do vídeo In dulci jubilo [Dietrich Buxtehude (1637-1707)]
A fé cristã é uma fé que canta. Sempre cantou, e assim continuará a fazer, enquanto espera o Senhor e celebra, na liturgia, os mistérios da sua vida. Aprendeu a ensaiar o canto com os Salmos e também com Jesus, que cantou com os seus discípulos no fim da última ceia, ao encaminhar-se para o Getsémani: “Depois de cantarem os salmos, saíram para o Monte das Oliveiras” (Mt 26, 30; Mc 14, 20 6).
Maria, por seu lado, com o seu Magnificat (Lc 1, 46-47), é o exemplo e o modelo do nosso canto. E nos Actos dos apóstolos, deparamos com esta cena: “Cerca da meia-noite, Paulo e Silas, em oração, entoavam louvores a Deus, e os presos escutavam-nos” (Act 16, 25). O mesmo Apóstolo dos gentios não se cansa de convidar os fiéis ao canto: “Entre vós, cantai salmos, hinos e cânticos espirituais; cantai e louvai o Senhor com todo o vosso coração” (Ef 5, 19); “Cantai a Deus, nos vossos corações, o vosso reconhecimento, com salmos, hinos e cânticos inspirados” (Cl 3, 16). E o Apocalipse assinala o “cântico novo” dos anciãos diante do Cordeiro (Ap 5, 9), dos cento e quarenta e quatro mil eleitos (14, 3) e dos vencedores da Besta (15, 3).
Eis a razão por que S. Ambrósio, que inventou o canto antifónico e os hinos litúrgicos, diz, no comentário aos Salmos de David, ser a fé cristã uma fé que, na sua confissão, exulta a canta (“fidei canora confessio”, In Psalmum primum enarratio, 9). E S. Agostinho, tão sensível à música e tão musical no seu pensamento e na sua linguagem, refere, uma e outra vez, o iubilus, o canto que emana da palavra, a distende e amplia e a faz irradiar nas suas ressonâncias para além dela, jorrando ondas melismáticas para expressar a pura alegria do coração: “Quid est iubilatio, nisi admiratio gaudii, quae verbis non potest explicari?” [Que é o júbilo senão o enlevo do contentamento, que se não pode explicar com palavras] (En. in Psalmum 46, 7) – “Quid est, Iubilate? In vocem erumpite gaudiorum, si non potestis verborum. Non enim verbis iubilatur; sed solus gaudentium sonitus redditur, quasi parturientis et parientis cordis laetitiam in vocem rei conceptae, quae verbis explicari non possit.” [Que significa rejubilai? Irrompei num canto de alegria, já que não conseguis com palavras. Não é com palavras que se rejubila; mas tão-só se exprime o som dos que se regozijam, qual coração que gera e dá à luz a alegria para expressar a coisa concebida, a qual é inexplicável com palavras] (En. in Psalmum 65, 2] – “Sonus enim cordis, intellectus est.” [O canto do coração é o que é entendido] (En. in Psalmum 99, 3). Portanto, o iubilus (canto sem palavras) mergulha-nos no mistério de Deus e é também uma espécie de intellectus fidei.
Como é que o imaginário musical cristão não há-de ser infindo e sempre fecundo na sua inspiração, nos seus frutos, matizes e formas, se o próprio Jesus, segundo Fray Luis de León, é harmonia e música? Diz ele, comparando Cristo à saúde:
“La salud es un bien que consiste en proporción y en armonía de cosas diferentes, y es una como música concertada que hacen entre sí los humores del cuerpo : y lo mismo es el oficio que Cristo hace, que es otra causa por que se llama Jesús. Porque no solamente, según la divinidad, es la armonía y la proporción de todas las cosas, mas también, según la humanidad, es la música y la buena correspondencia de todas las partes del mundo. […]. Porque es la paz de todo lo diferente, y el ñudo que ata en sí lo visible con lo que no se ve. y lo que concierta en nosotros la razón y el sentido ; y es la melodía acordada y dulce sobre toda manera, a cuyo santo sonido todo lo turbado se aquieta y compone. Y así es Jesús con verdad.” [Los Nombres de Cristo, OC I, BAC 1991,782-783].
Não admira que Paulo, ao sublinhar que os dons e os carismas recebidos se hão-de pôr ao serviço de todos, assevere: “Cantarei com o espírito, mas cantarei igualmente com a inteligência” (1Cor 14, 15), para a comunidade e com a comunidade, no reconhecimento e na celebração da beleza da economia divina da salvação.
Assomam aqui, pois, várias questões: será a música simples “serva da teologia” ou ela própria pode figurar como locus theologicus, como uma forma de teologia, theologia in musica [foi este, aliás, o projecto artístico de Olivier Messiaen, e talvez igualmente o plano de J.S. Bach de uma andächtige Musique (música meditativa), por ele espraiada nas suas Cantatas, Paixões, oratórios e nas várias colectâneas de prelúdios de coral.] Alguns teólogos (por exemplo, Hans Urs von Balthasar e, hoje, Pierangelo Sequeri, Jeremy Begbie e outros enveredam por esse caminho e oferecem perspectivas valiosas.
Mas, por agora, nada mais se adianta a tal respeito.
Iniciemos, então, a peregrinação musical que, com um intuito contemplativo, poderemos fazer neste tempo de Natal até ao Baptismo do Senhor. Quem sabe? Talvez seja, para alguns, uma viagem de descoberta. A selecção de obras (com os respectivos endereços electrónicos) que aqui se propõe é arbitrária, portanto discutível e inevitavelmente ‘injusta e oportunista’ [é possível elaborar muitas outras], mas visa ilustrar a riqueza do imaginário cristão natalício, que inspirou na música (e não apenas na pintura e na poesia) centenas de peças, breves ou longas, de diferente valor ou qualidade, porém, nunca desprovidas de interesse, e que nos ajudam a saborear o encanto e a profundidade do mistério da Encarnação.
1. Gregoriano
Como a música ocidental (historicamente registada) começa de forma gloriosa e em grande estilo com o canto gregoriano, nada mais apropriado para evocar o espírito do Natal do que escutar o Introito da Missa do dia, um Gradual e um hino.
2. Pérotin (c. 1160-c.1236)
O grande Pérotin foi o mais celebrado mestre da chamada escola de Notre Dame, lugar da primeira floração da polifonia. Assinala-se aqui o famoso “organum” Viderunt omnes, a 4 vozes: a vox principalis, na base, é o tema gregoriano, mas muito alongado e, por isso, pouco perceptível. As restantes vozes trazem inovações harmónicas e ensaiam fórmulas rítmicas inéditas, profundamente melismáticas. (Momento alto na história da música ocidental, porque se inicia agora a expressão polifónica, além da monódica).
3. Renascença
Entrando na Renascença, apreciemos várias versões musicais do responsório de Matinas O Magnum mysterium. A atmosfera é de profunda e serena espiritualidade diante do presépio.
Como comentário, poderia aduzir-se a segunda estrofe da Ode dedicada por Fray Luís de León ao amigo e organista Francisco Salinas e à sua música “A cuyo son divino / el alma, que en olvido está sumida, / torna a cobrar el tino / y memoria perdida / de su origen primera esclarecida”.
William Byrd (1543-1623)
Giovanni Gabrielli (1557-1612)
4. Transição do Renascimento para o Barroco
Na transição do Renascimento para o Barroco, e no âmbito da Reforma protestante, encontramos a importante figura de Michael Praetorius (1571-1621). Nos trechos propostos, ele comenta de forma brilhante melodias usuais na liturgia luterana.
Musica do Advento e Natal:
Outra interpretação: Wachet auf, ruft uns die Stimme [Despertai, chama-nos a voz] – In dulci jubilo – Puer natus in Bethlehem.
5. Heinrich Schütz (1585-1672)
A sua vida coincide com a terrível Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) e foi também marcada pela tragédia: a morte da mulher, de dois filhos e do irmão – o que o impeliu para uma vida recôndita e exclusivamente dedicada à sua arte. É o maior representante do primeiro barroco alemão, e na sua estadia na Itália absorveu a influência de Orlando Lasso, de Cláudio Monteverdi e dos Gabrielli (tio, Andrea, e sobrinho, Giovanni), aliando assim o estilo italiano à tradição alemã. Um intenso fervor imbui a sua música sacra.
Historia der Geburt Jesu Christi.
6. Dietrich Buxtehude (1637-1707)
Com os seus famosos “serões musicais” (Abendmusiken), teve enorme ressonância na Alemanha, além de ser organista e compositor de renome. O jovem JS Bach deslocou-se, a pé, desde Arnstadt a Lübeck, para o ouvir e dele aprender. De facto, Buxtehude é hoje considerado o máximo expoente da chamada “escola organistica do Norte”. A sua produção vocal é exclusivamente sacra.
7. Marc-Antoine Charpentier (1634-1704)
Entre outras coisas, trabalhou em Paris com Molière e Corneille, no âmbito do teatro e da ópera, mas não descuidou a música sacra, em especial o oratório, numa linha muito italiana, sobretudo de Carissimi. Ocupou um posto na igreja jesuíta de Saint-Louis em Paris e, em seguida, na Sainte Chapelle. O seu valor tem vindo a ser reconhecido.
Pastorale de Noel
8. Arcangelo Corelli (1653-1713)
A sua obra teve um papel fundamental no desenvolvimento da música instrumental do Ocidente, sobretudo na forma do concerto e da sonata.
9. França século XV: Noël
Nicolas-Antoine Lebègue (1631-1702)
Jean-François d’Andrieu (1682-1738)
Louis-Claude Daquin (1694-1772)
Na França, no século XV, desenvolveu-se muito o noël, canto religioso em língua vulgar, de melodias fáceis e familiares, tendo por modelo canções profanas ou árias de dança. Nos séculos XVII e XVIII difundiram-se delas versões instrumentais, sobretudo para órgão; a sua forma era livre e as melodias prestavam-se a variações virtuosísticas, evocando a alegria do Natal.
Noëls français pour orgue:
https://www.youtube.com/watch?v=mrjm8lzVjz8
https://www.youtube.com/watch?v=m0aE5YRPB1w
10. Nicola Porpora (1682-1768)
Músico refinado e um dos melhores professores de canto do séc. XVIII com alunos famosos no âmbito da ópera e Joseph Haydn foi um dos seus discípulos. Revela igualmente uma riqueza de recursos estilísticos e acentua o virtuosismo vocal tanto no teatro musical como na música sacra, como se pode ver no oratório de Natal Il Verbo in carne (1747):
11. GF Haendel (1685-1759)
Nunca foi, por profissão, compositor de música sacra, mas, além das óperas e da música instrumental, deixou-nos numerosos oratórios, dentre os quais se destaca o Messias, uma grande meditação cristológica em três partes, mas não propriamente dedicada ao Natal (só na I parte). Obra universal e arquiconhecida, onde todos podem haurir uma profunda espiritualidade, centra-se na exposição do mistério cristão: a promessa das profecias, a Encarnação, a paixão e morte de Cristo, a Ressurreição, o Juízo final e a consumação escatológica. [Há muitas e boas interpretações no YouTube). Por exemplo:
[Václav Luks]
12. JS Bach (1685-1750)
No universo musical de Bach, encontram expressão todas os sentimentos e emoções do coração humano: o entusiasmo, o humor (e até o riso), a tristeza e a nostalgia, por vezes a desolação, mas logo vencida pela esperança; e , claro. a alegria, “sinal infalível da presença de Deus” (Léon Bloy). Ela irrompe, íntima e inabalável, no Weihnachtsoratorium, BWV 248, que poderia olhar-se como uma obra de amor, à luz do Cântico dos cânticos.
Cantata Wie schön leuchtet der Morgenstern, BWV 1, Coro inicial.
Reina aqui a certeza, espargida pela Estrela da Manhã, e que Bach realça com a melodia do coral:
E não podiam faltar as admiráveis Canonische Veränderungen: Vom Himmel hoch BWV 769a, uma das últimas obras do compositor, baseada num coral de Natal e manifestação da sua suprema ciência contrapontística.
13. Ian Dismas Zelenka (1679-1745)
Chamado o “Bach checo”, educado pelos jesuítas e católico, foi uma das figuras eminentes da música barroca e ombreia com Haendel, Telemann e JS Bach, que muito o estimava e dele era amigo, e ao qual é afim no sincretismo estilístico, no domínio e na mestria do contraponto e no relativo distanciamento das modas musicais do seu tempo. Só agora vai sendo apreciado no seu verdadeiro valor.
O magnum mysterium
14. A. Mozart
Que melhor ilustração do iubilus agostiniano do que o seu admirável Exsultate et jubilate, KV 165 ? Foi composto em 1773 (aos 17 anos!); não se trata de um cântico natalício, mas enquadra-se na memória da Virgem Maria, Mãe de Deus e “Rainha da Paz”, celebrada nessa altura a 17 de Janeiro.
15. Berlioz (1803-1869)
Ingressamos agora no romantismo, de que H.B. é um dos representantes mais típicos. Na sua música sacra, tenta suscitar uma dimensão prometeica, algo na linha da Missa solemnis de Beethoven. Assim na Grande Messe des morts e no Te Deum. No oratório L’Enfance du Christ, expressa uma concepção intimista e arcaizante, com páginas de grande beleza e intimidade.
16. Franz Liszt (1811-1886)
Quem diria que um pianista tão brilhante e excêntrico, que percorreu os palcos da Europa do seu tempo, e um compositor de génio, que anunciou na última fase da sua vida a música do século XX, fosse um homem, não só extremamente generoso para com os colegas de ofício, mas também de profunda espiritualidade e até com uma costela mística! Mas é assim mesmo, como se pode saborear na obra-prima que dedicou ao Mistério da vida der Cristo.
Oratorio Christus, I Parte [Natal]
17. Saint-Saëns (1835-1921)
Foi um grande organista e improvisador e ocupou posições em várias igrejas de Paris, por exemplo na igreja de La Madeleine. A sua vasta produção como compositor é sobretudo instrumental, mas não esqueceu a música sacra. Dos três oratórios que compôs na tradição handeliana, escute-se o Oratorio de Noel, onde se adivinham, na estrutura, influências várias (Bach e Gounod).
18. Ottorino Respighi (1879-1936)
O compositor é conhecido sobretudo pelos poemas sinfónicos, Os pinheiros de Roma e As fontes de Roma. Mas quão evocativa é também esta Lauda per la Natività, na qual paira uma atmosfera pastoril.
19. Ralph Vaughan Williams (1872-1958)
Ocupa uma posição central entre os compositores ingleses do século XX. Detentor de um estilo eclético, sofreu influências múltiplas, desde a música popular e inglesa antiga até ao neoclassicismo e a correntes mais avançadas, mas manteve-se na senda do tardo-romantismo alemão. Faz assim de mediador entre a cultura musical do continente europeu e a anglo-saxónica. Harmonizou muitos hinos tradicionais, e com alguns destes elaborou esta Fantasia on Christmas Carols.
20. Arnold Schönberg (1874-1951)
Devido ao fragor dos tempos em que viveu, tempos do nazismo e da perseguição aos judeus, o compositor, que se convertera à fé protestante em 1898, retornou à fé judaica em 1933 e compôs obras de temática religiosa e profundamente espirituais (entre outras Moses und Aron,1930–1932, A Survivor from Warsaw, 1947), onde se adverte uma tensão entre a devoção pessoal e a fé da comunidade.
Weihnachtsmusik, aqui indicada, é uma espécie de variação sobre o canto natalício Es ist ein Ros entsprungen do séc. XVI; a sua elaboração provém do primeiro período da actividade compositiva de Schönberg, antes da revolução dodecafónica:
21. Igor Stravinsky (1882-1971)
O mestre russo, de confissão ortodoxa, ajusta-se bem à luminosidade da obra tardia de Bach e à sua alegria transbordante, juntando-lhe porventura algum humor e ironia. Mas trata-se de um canto de Natal, que traduz a surpresa e alegria da descida do Verbo eterno à Terra.
Choral Variations arranged from JS Bach (1956).
22. Zoltan Kodaly (1882-1967)
Muito atento ao folclore húngaro (juntamente com Béla Bartók), abordou igualmente a música sacra e ganhou o reconhecimento internacional com o oratório Psalmus Hungaricus (1923). Na peça aqui proposta, comenta, por assim dizer, a antífona gregoriana Veni, veni Emamnuel.
23. Francis Poulenc (1899-1963)
Compôs em vários géneros, e moveu-se, depois da Primeira Guerra Mundial, nos círculos intelectuais de Paris. O seu regresso à fé católica, após a morte de um amigo em 1936, encaminhou-o para a composição de música sacra (Litanies à la Vierge Noire, uma missa, Stabat Mater, Gloria e 15 motetos para coro desacompanhado, em contraste profundo com o seu estilo anterior ligeiro, irónico e humoresco. A serenidade, a contemplação e uma intimidade jocosa transparecem nos Quatre Motets pour Noel:
24. Benjamin Britten (1913-1976):
Além de óperas notáveis, Britten escreveu cerca de 20 obras vocais para coros e solos sobre temas sacros. Sobressaem a Missa brevis para coro juvenil (1942) e o War Requiem (1962), e destaca-se igualmente pelo seu encanto a cantata A Ceremony of Carols (1942).
25. Victor Hely-Hutchinson (1901-1947)
Compositor inglês da primeira metade do séc. XX, fora das correntes vanguardistas, oferece aqui uma sequência de “prelúdios” e momentos baseados em cantos de Natal, onde sobressai o Adeste Fideles.
26. Olivier Messiaen (1908-1992)
Escreveu muito pouca música litúrgica, já que, para ele, o paradigma fundamental era o canto gregoriano. Mas uma grande parte das suas obras inspira-se na teologia cristã, da qual procurou expressar as profundidades místicas: entre outras, Le Banquet Céleste para órgão, 1928; L’ Ascension: Majesté du Christ Demandant Sa Gloire à Son Père para orquestra, 1933; Et Expecto Resurrectionem Mortuorum para sopros, metais e percussão, 1964) Vingt Regards sur l’Enfant Jesus para piano, 1945), La Transfiguration de Notre Seigneur Jésus-Christ (1965-1969: estreia em Lisboa a 7 de Junho de 1969 no Coliseu).
La Nativité du Seigneur (final: “Dieu parmi nous”) – a música como cor, vibração, ritmo e pura ressonância, e não como primeiramente melodia.
27. Morten Lauridsen (1943-)
Compositor americano actual muito premiado, que, na sua produção sacra, consegue conjugar beleza musical, poder e profundidade espiritual.
Assim na peça O Magnum mysterium.
28. John Adams (1947-)
O compositor minimalista, na sua ópera-oratório El Niño (1999), estreada em Paris em dezembro de 2000 com coreografia de Peter Sellars, cinge-se à narrativa tradicional: anunciação a Maria, visita a Isabel, nascimento e adoração de Jesus, massacre dos inocentes por Herodes e fuga para o Egipto. O libreto inclui passagens proféticas de Ageu e Isaías, textos do poeta mexicano Rosario Castellanos, de Sor Juana Inés de la Cruz, de Gabriela Mistral e Rubén Dario e vários outros.
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E é tempo de pôr fim a este périplo musical; tempo de parar, como a estrela sobre a gruta, diante de El Niño del Sí – tal é o título do poema de Gerardo Diego (da Geração de 27) – com a certeza de que a fé, ao cantar, não labora em erro ou ilusão, mas canta porque confia e tem razões para prosseguir e ensaiar novos cantos.
La estrella rueda en el vuelo,
va rodando pico a pico
y canta su villancico
entre la tierra y el cielo.
Ya llegó, ya se está quieta,
sempre cantando y cantando,
José la mira mirando
y María la interpreta.
Y el villancico era así:
“Por aquí, que es por aquí.
Aquí le tenéis risueño
Entre la vela y el sueño,
Niño del Sí”.
Como salienta Paulo: Nele todas as promessas de Deus se tornaram «sim» e é por isso que, graças a Ele, nós podemos dizer o «ámen» para glória de Deus (2Cor 1, 20-21).
Artur Morão, professor aposentado e tradutor.










