O bispo da Diocese de Quelimane (Moçambique) e administrador apostólico da Arquidiocese da Beira, Osório Citora Afonso, foi morto a tiro durante a madrugada deste sábado, na Casa Episcopal.
“É com profunda dor que a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) comunica que, esta manhã [de sábado], na residência episcopal de Quelimane, foi encontrado sem vida e em circunstâncias estranhas ainda por esclarecer o nosso irmão Dom Osório Citora Afonso”, lê-se no comunicado dos bispos moçambicanos.
Apelando “à serenidade da fé e solidariedade fraterna” de todos perante este “triste acontecimento”, espera “dar, oportunamente, as informações certas e pormenorizadas” sobre as circunstâncias da morte.
De acordo com dados avançados pelo porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) na Zambézia, Maximino Amílcar, citado pela agência Ecclesia (que remete para a imprensa local), o bispo foi morto com um tiro no coração por indivíduos que ainda não foram identificados. O corpo foi encontrado já sem vida num corredor da casa, descreveu a Fundação AIS. A notícia deixou a Igreja de Moçambique “em estado de choque”.
O responsável deu conta que o crime foi cometido com uma arma do tipo AK-M (um fuzil militar) por indivíduos que escalaram o muro da residência, tendo vandalizado a segurança elétrica e disparado contra Osório Citora Afonso.
Segundo o Sernic, não há detidos até ao momento, estando as autoridades a investigar o caso.
O Papa expressou este sábado a sua profunda dor pelo assassinato do bispo de Quelimane, apelando ao fim dos atos de violência em Moçambique. “O Papa Leão XIV une-se em oração ao povo das dioceses e de Moçambique nesta hora de consternação, para que o Senhor lhes conceda consolação, guarde no Seu amor cada homem e cada mulher e trave a mão dos violentos”, referia a nota divulgada pela Santa Sé.
A notícia da morte do bispo já tinha sido confirmada pelo Colégio dos Consultores de Quelimane, que expressou “profundo pesar e consternação” pelo falecimento do responsável católico.
Segundo a Fundação AIS, “a notícia do assassinato do bispo de Quelimane vem acrescentar ainda mais nuvens negras à Igreja de Moçambique, que já enfrenta a violência terrorista no norte do país, com especial incidência na Província de Cabo Delgado”.
O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, manifestou “profundo sentimento de pesar e consternação” pela morte do bispo. Daniel Chapo falou em “perda irreparável” para “a sociedade moçambicana e para a comunidade cristã”, tendo referido que Osório Citora Afonso se tinha “destacado em vida pelo culto da humildade, dedicação pastoral e pregação dos valores da paz e reconciliação”.
O Papa Leão XIV nomeou Osório Afonso como bispo da Diocese de Quelimane a 25 de julho de 2025, que tomou de posse no dia 31 de agosto do mesmo ano.
Recorde-se que o bispo de Quelimane tinha sido nomeado, em abril deste ano também como administrador apostólico da Arquidiocese da Beira, em substituição de Cláudio Zunna, que renunciara ao cargo por motivos de saúde.
O bispo nasceu a 6 de maio de 1972 em Ribaue, província moçambicana de Nampula, tendo frequentado o Seminário Preparatório Cristo-Rei e estudado Filosofia no Seminário Maior Santo Agostinho, na Matola (Maputo), e Teologia em Kinshasa, na República Democrática do Congo (RDC), segundo o Vatican News.
Fez a profissão solene em 2001 no Instituto Missionário da Consolata, em Kinshasa, e foi ordenado sacerdote a 3 de novembro de 2002. Entre outros cargos, D. Osório foi vigário paroquial e ecónomo de St. Hilaire, na mesma cidade (2002-2005), tendo exercido funções de conselheiro regional para a RDC (2005-2006).
Osório Afonso obteve a licenciatura em Sagrada Escritura pelo Pontíficio Bíblico de Roma (2006-2010) e fez estudos na Universidade Hebraica de Jerusalém (2008-2009) e na École Biblique Archéologique Française de Jerusalém (2010-2011). Foi também formador no Seminário Teológico Internacional de Bravetta, em Roma (2016-2023), oficial do Dicastério para a Evangelização, na secção para a Primeira Evangelização e as Novas Igrejas Particulares (2017-2023). A 21 de setembro de 2023, foi nomeado bispo auxiliar de Maputo, tendo recebido a ordenação episcopal a 28 de janeiro de 2024.










