Tensões entre ortodoxos russos

233 clérigos demarcam-se do patriarca Cirilo sobre a invasão da Ucrânia

| 2 Mar 2022

Patriarca Cirilo. Rússia. Igreja Ortodoxa.

Patriarca Cirilo. A Igreja Ortodoxa Ucraniana, que se reconhece no Patriarcado de Moscovo, já lançou um apelo ao seu responsável máximo para que se manifeste contra a guerra e fale com o presidente Vladimir Putin. Foto © premier.gov.ru/Wikimedia Commons.

 

A guerra desencadeada pela Rússia na Ucrânia é “fratricida”. É urgente a reconciliação e um cessar-fogo imediato. O apelo chega de mais de duas centenas de padres e diáconos da Igreja Ortodoxa Russa, e foi divulgado esta quarta-feira, 2 de março, pelo site Vatican News.

“Lamentamos a provação a que os nossos irmãos e irmãs na Ucrânia foram imerecidamente submetidos”, refere a missiva que, a dado passo, manifesta o desejo de que todos os soldados, “russos e ucranianos”, “voltem ilesos para as suas casas e as suas famílias”.

“Entristece-nos pensar no abismo que os nossos filhos e netos na Rússia e na Ucrânia terão que preencher para começarem a ser amigos, a respeitar-se e a estimar-se novamente”, observa a carta

Os clérigos signatários entendem que o povo ucraniano é que deve ser o arquiteto das suas próprias escolhas, de forma livre. “Não sob a mira de metralhadoras e sem pressão do Ocidente ou do Oriente”.

A mensagem dirige-se ainda ao poder em Moscovo, lembrando que “nenhum apelo não violento pela paz e pelo fim da guerra deve ser combatido pela força e considerado uma violação da lei, porque este é o mandamento divino: bem-aventurados os pacificadores”. Daí o convite ao diálogo, porque “só a capacidade de ouvir o outro pode dar a esperança de uma saída do abismo em que os nossos países foram lançados em poucos dias”.

Esta carta representa uma evidente demarcação da posição de apoio e legitimação do patriarca Cirilo que disse, num discurso de 27 de fevereiro, que “não devemos deixar que forças externas sombrias e hostis se riam de nós, devemos fazer tudo para manter a paz entre os nossos povos e, ao mesmo tempo, proteger a nossa pátria histórica comum de todas as ações externas que possam destruir essa unidade”.

A Igreja Ortodoxa Ucraniana, que se reconhece no Patriarcado de Moscovo, já lançou um apelo ao seu responsável máximo para que se manifeste contra a guerra e fale com o presidente Vladimir Putin. “Pedimos-lhe – diz o apelo a Cirilo, lançado pelos sites ortodoxos – para intensificar as suas orações pelo sofrido povo ucraniano, para dizer uma primeira palavra sobre a cessação do derramamento de sangue pelo fratricídio em solo ucraniano e pedir à liderança da Federação Russa que pare imediatamente as hostilidades que já ameaçam transformar-se numa guerra mundial “.

 

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