O regime ditatorial vigente na Nicarágua, dirigido por Daniel Ortega e sua esposa Rosario Murillo, terá proibido ou restringido drasticamente a realização de mais de 27.000 via-sacras nas paróquias católicas, entre 2019 e a próxima Semana Santa.
Os cálculos, divulgados pela agência ACI Prensa foram feitos por Martha Patricia Molina, uma investigadora nicaraguense no exílio, que se tem dado como tarefa documentar, reunir e publicar periodicamente informação atualizada sobre as perseguições à Igreja Católica.
O regime desenvolve uma política que tem por objetivo amedrontar e expulsar as lideranças das comunidades que ousem trazer para as ruas manifestações de religiosidade popular que há muitos anos se faziam no exterior, nomeadamente no período da Quaresma e da Páscoa. Por estes e outros motivos, ou mesmo sem motivo, já foram presos e expulsos vários bispos e numerosos padres e religiosos.
A polícia, encarregada de fazer cumprir essas orientações, comunica aos párocos que estão impedidos de realizar atividades religiosas em espaços externos, devendo confinar-se ao interior dos templos. As via-sacras têm uma profunda tradição naquele país: os fiéis caminham pelas ruas, parando em casas pré-designadas e, em cada ponto, leem uma passagem bíblica e rezam. Na Nicarágua, as medidas de restrição desse tipo de manifestações públicas de fé praticamente cessaram, sobretudo a partir de 2023.









