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Ir. Elina Guadalupe
A Ir. Elina Guadalupe foi uma das participantes do Curso de Missiologia, em Fátima. Foto © Juliana Batista

Irmã Elina

A religiosa mexicana que descobriu Deus junto dos mais frágeis

| 28/08/2026

 

De passagem por Portugal, a irmã Elina Guadalupe traz consigo uma história de serviço que começou no México. Aos 42 anos, a engenheira que se apaixonou pelo trabalho com pessoas com deficiência dedica hoje a sua vida a comunidades pobres, doentes e abandonadas.

 Aos 42 anos, a irmã Elina Guadalupe, nascida na aldeia de Dzemul, no estado mexicano de Yucatán, acumula uma vida de dedicação aos outros. Durante a licenciatura em Engenharia de Sistemas Computacionais, cruzou-se com o Lar Pastoral del Amor, na cidade de Mérida, em Yucatán. Aquele trabalho com pessoas com deficiência conquistou-a. Trabalhou na área em que se licenciou e, com cerca de 20 anos, tornou-se voluntária naquele lar das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres.

‘O acompanhamento das irmãs fê-la sentir que “Deus tinha sonhado algo mais” para ela.’ Foto: Irmã Elina com utentes do Lar Pastoral del Amor, na cidade de Mérida, em Yucatán . DR

Em declarações à Fátima Missionária, Elina explicou que não se sentia “chamada para a vida religiosa”, mas era “muito feliz” no lar. Com o tempo, começou a questionar-se sobre a sua própria vida e acabou por aceitar convites das religiosas para participar em experiências de discernimento vocacional. O acompanhamento das irmãs fê-la sentir que “Deus tinha sonhado algo mais” para ela.

Por estes dias, Elina encontra-se em Fátima a participar no Curso de Missiologia, dedicado à formação de missionários, mas a religiosa deverá regressar em breve ao México. A sua decisão de ingressar na vida religiosa, através da congregação das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, já a levou a fazer os votos temporários. A profissão perpétua deverá acontecer num futuro próximo.

Desde que escolheu seguir a vida religiosa, Elina esteve três anos ao serviço no Lar Pastoral del Amor, que acolhe pessoas a partir dos cinco anos até ao fim da vida. “Não é fácil. Trata-se de encontrar neles a presença de Deus. Nós, religiosas Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, procuramos ser uma presença maternal de Maria junto deles. Procuramos ser como uma mãe para eles. Eles estão num lar porque, devido às suas deficiências, foram abandonados pelas suas famílias na rua, nos hospitais ou em instituições do governo. Nós, religiosas, tornamo-nos a família deles.”

Missão na Pastoral Paroquial, Reforma, Chiapas, México

“Lá trabalhamos na paróquia e na ação pastoral. Estamos na catequese, visitamos os doentes, alimentamos os mais necessitados e prestamos apoio a pessoas com problemas de adição, como o álcool e drogas.” Foto: em missão na cidade de Reforma, no estado de Chiapas. DR

Outros três anos de missão tiveram lugar na cidade de Reforma, no estado de Chiapas. “Lá trabalhamos na paróquia e na ação pastoral. Estamos na catequese, visitamos os doentes, alimentamos os mais necessitados e prestamos apoio a pessoas com problemas de adição, como o álcool e drogas.”

A realidade encontrada é marcada pela pobreza. “Aquela é uma zona petroleira, muito rica em petróleo, que, lamentavelmente, é exportado, e assim as riquezas do país vão para outras pessoas. E as próprias pessoas da cidade são muitas vezes pobres. Por causa da exploração do petróleo, há muita poluição. Há muitas pessoas com cancro e com deficiências. As necessidades lá são grandes.”

Missão na Pastoral Paroquial, Reforma, Chiapas, México

Irmã Elina:“Eu acho que Deus quer isto mesmo: que façamos as pessoas sentirem-se imensamente amadas e muito dignas.”  Foto: em missão na cidade de Reforma, uma região marcada pela pobreza. DR

Elina admite que “gosta muito” do trabalho que faz. “Eu acho que Deus quer isto mesmo: que façamos as pessoas sentirem-se imensamente amadas e muito dignas.” A religiosa acredita que na presença das irmãs, as pessoas apoiadas poderão “também encontrar Deus”: “um Deus que nos ama e que nos dá os meios para que nós e eles possam servir aos outros. É que eles também têm algo para oferecer ao mundo”, conclui.

 

Texto publicado no âmbito da parceria 7MARGENS/Fátima Missionária.

 

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