AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Investimento em armamento continua a aumentar. Ilustrção SIPRI
“As nações ricas, na Europa e noutras regiões, elevaram drasticamente os seus gastos militares em resposta a ameaças crescentes." Foto © SIPRI

2025

Apoio ao desenvolvimento em queda enquanto despesas militares sobem até 2,5% do PIB mundial

| 27/10/2026

Há cinco anos que a ajuda oficial ao desenvolvimento está a diminuir, enquanto as despesas militares dos principais países doadores dispararam para valores nunca antes atingidos. De acordo com o relatório do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI, no acrónimo em língua sueca) divulgado esta terça-feira, dia 27 de outubro, os gastos militares globais atingiram, no ano passado, 2.900 mil milhões de dólares (cerca de 2.610 mil milhões de euros) — o nível mais alto já registado, equivalente a 2,5 por cento do PIB mundial.

Os autores do relatório estimam que as necessidades de apoio ao desenvolvimento poderão chegar a 326 mil milhões de dólares em 2028, dependendo da evolução de diversos fatores como os conflitos armados e os desastres naturais, entre outros. Se esta previsão se verificar, e tendo em conta os compromissos já assumidos para esse ano no campo da assistência oficial ao desenvolvimento, existirá um défice de 179 mil milhões de dólares, montante superior ao dos compromissos já assumidos pelos países doadores. Este buraco poderia ser preenchido com uma pequena fração (6,1%) dos recursos destinados a novos gastos militares.

O relatório estima que o volume de Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (AOD) começou a estagnar em 2021; contudo, esse fenómeno foi temporariamente mascarado por um aumento substancial na ajuda à Ucrânia — após a invasão em larga escala pela Rússia — e nos chamados “custos do país doador com o acolhimento a refugiados”. As reduções mais expressivas ocorreram nas áreas de infraestruturas económicas e de saúde.

“As nações ricas, na Europa e noutras regiões, elevaram drasticamente os seus gastos militares em resposta a ameaças crescentes. Contudo, esse movimento coincidiu com cortes profundos em outras rubricas orçamentais, incluindo a AOD. Isto pode gerar uma insegurança generalizada para populações e Estados que dependem desse auxílio”, afirmou Xiao Liang, investigador do Programa de Gastos Militares e Produção de Armas do SIPRI. Xiao acrescentou que “tudo indica que os gastos militares continuarão a crescer nos próximos anos, exercendo uma pressão ainda maior sobre a AOD e outras prioridades orçamentais”.

Na mesma linha de pensamento, Nan Tian, ​​diretor do Programa de Gastos Militares e Produção de Armas do SIPRI, afirmou: “As nossas conclusões revelam que estamos diante de uma redução contínua de ajuda humanitária e de desenvolvimento essencial, justamente num momento em que as necessidades desse tipo de apoio estão a aumentar.”

O relatório inclui estudos de caso sobre políticas recentes de AOD e gastos militares em dois países europeus: Alemanha e Reino Unido. Entre outros pontos, os estudos mostram que os governos justificaram cortes na AOD como necessários para financiar o aumento dos gastos militares, embora essa contribuição seja apenas marginal em relação aos aumentos planeados.

“Diante do enfraquecimento da cooperação internacional e da crescente tensão geopolítica e da consequente militarização, é compreensível que os Estados busquem investir na sua própria segurança. Contudo, capacidades militares, por si sós, não garantem a segurança. A ajuda ao desenvolvimento pode atuar sobre as causas profundas da insegurança a longo prazo e, portanto, deve ser vista como um complemento aos gastos militares, e não como algo que concorre com eles”, afirmou Xiao Liang.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

“Temos de reconstruir a paz em todo o lado, não preparar outras guerras!”

Leão XIV relança "espírito de Assis"

“Temos de reconstruir a paz em todo o lado, não preparar outras guerras!” novidade

Quarenta anos depois do histórico encontro de líderes religiosos convocado por João Paulo II em Assis, o Papa Leão XIV apelou esta terça-feira, 27, à recuperação do “espírito de Assis” num mundo onde se assiste a uma “preocupante reabilitação da guerra como instrumento de política internacional”. “Temos de reconstruir a paz em todo o lado, não preparar outras guerras!”, afirmou, sublinhando que “não existe nenhuma guerra santa: só a paz é santa!”

China usa inteligência artificial para recolher dados sobre grupos e dirigentes religiosos

Anthropic denuncia

China usa inteligência artificial para recolher dados sobre grupos e dirigentes religiosos novidade

A empresa norte-americana Anthropic revelou que o seu modelo de inteligência artificial [IA] Claude foi usado para reunir e compilar dados sobre cardeais católicos na Ásia, a liderança da Igreja Presbiteriana em Taiwan, grupos da sociedade civil budista tibetana e o Governo tibetano no exílio, bem como sobre membros do grupo religioso Falun Gong que, depois de traduzidos para chinês terão sido entregues ao Governo de Pequim

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.