“Uma única gota de chuva parece insignificante. Não pode apagar um incêndio. Não pode parar uma guerra. Não pode curar todas as feridas da história. Mas uma multidão de gotas pode humedecer a terra seca e permitir que uma nova vida brote dela. O mesmo acontece com a construção da paz”.
É com esta imagem de um simples pingo de chuva que acaba de ser constituída na cidade croata de Rijeka a Aliança Mediterrânea para a Paz, uma iniciativa internacional e inter-religiosa, que saiu dos Encontros Teológicos Mediterrâneos de Lovran, cuja edição de 2026, em julho último, se debruçou sobre o tema “Profetizando a Paz no Meio do Ruído da Guerra: Construindo a Paz na Era do Militarismo”.
Foi desse encontro que saiu a ideia – e a concretização dela – de lançar um manifesto intitulado “Chuva de Paz“, que colheu, entretanto, um sem-número de adesões.
A apresentação pública do documento de dez pontos teve lugar no último dia 27 de outubro, em sintonia com a evocação do 40º aniversário do encontro inter-religioso promovido pelo Papa João Paulo II, em Assis.
O ato contou com a participações presenciais e a distância, em particular a do arcebispo local, Mate Uzinić, que foi o principal dinamizador da ideia, bem como o responsável da Comunidade Islâmica na Croácia, o metropolita da Alemanha da Igreja Ortodoxa Sérvia, o secretário-geral da Coordenação das Igrejas do Mediterrâneo, o cardeal dominicano Timothy Radcliffe, uma diaconisa evangélica e a provedora da República da Croácia.
A ideia de que uma simples gota de chuva conta e que a multiplicação de gotas – uma chuvada – pode humedecer a terra pretende significar que o mais humilde gesto de (e para a) paz também conta. Daí que a iniciativa seja aberta a todas as pessoas interessadas, a todos os grupos, comunidades e movimentos. De resto, o site da Peaceful Rain (chuva pacífica) aceita o registo desses gestos e iniciativas da parte de todas as pessoas independentemente de credos ou nacionalidades.
Os dez pontos do manifesto, que representam outros tantos compromissos dos subscritores, incluem aspetos como:
- “Condenar clara e inequivocamente e a distanciar-nos de toda e qualquer violência e guerra, inclusive das que se dizem preventivas e das falsamente defensivas, bem como de toda instrumentalização ideológica da religião que justifique conflitos e guerras em nome de Deus e da fé”.
- “Tomar cuidado com as nossas palavras e os nossos silêncios: evitar a violência verbal, incluindo a digital, qualquer rotulagem e demonização dos outros, assim como o silêncio cobarde e a neutralidade calculista”.
- Criar, preservar e ampliar espaços de encontro, construindo de forma consciente e perseverante relações com pessoas de diferentes pertenças religiosas, culturais e visões do mundo”.
- “Avaliar de forma autocrítica tanto a nossa história de sofrimento como o nosso passado pecaminoso e a julgá-lo pelos olhos daqueles que sofreram”.
- Apoiar o direito de cada pessoa a permanecer no seu próprio país e a viver em condições dignas da pessoa humana, e ajudando a integração de migrantes nas nossas comunidades, sociedades e Estados”.
- “Empenhar-nos, nos nossos lugares e sociedades, pela paz e pela justiça, pela proteção da natureza e de toda a criação de Deus, pela solidariedade entre as pessoas e a estar sempre do lado das vítimas e dos vulneráveis”.
- “Defender uma distribuição mais justa dos bens materiais, a gerir responsavelmente o nosso dinheiro e a prestar atenção a quem apoiamos através das nossas compras, investimentos e impostos. Exigiremos aos responsáveis que os recursos comuns não sejam utilizados para promover a militarização e a indústria da guerra, mas para construir a paz e a justiça, a educação e a saúde, a integração e o bem comum”.
Um outro compromisso deste manifesto é assinalar todos os anos, a 4 de fevereiro, o Dia Internacional da Fraternidade Humana, instituído pelas Nações Unidas, promovendo os compromissos atrás referidos e realizando atividades que os afirmem.










