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Crescer como construtores de paz

| 27/12/2019

Crescer como construtores de paz

by | 27 Dez 19 | Entre Margens, Últimas

Tenho 18 anos e participei no primeiro congresso internacional de formação para jovens líderes embaixadores de paz que decorreu em Madrid, de 13 a 15 de Dezembro, promovido pela rede Living Peace.

Trabalhámos várias temáticas: “A paz dentro de mim”, a “paz com quem vivo”, a “paz com o mundo”; participei em diversas oficinas com jovens de todo o mundo onde experimentei como é possível viver a Paz com os outros, começando por mim; e pude aprender diversas metodologias para dialogar, conhecer outras culturas, outras formas de agir/atuar, sempre em prol da Paz!

Foram muito importantes os testemunhos impressionantes de cada um, e não posso deixar de referir a festa dos povos onde conhecemos várias tradições, várias culturas e onde pude constatar o dom que podemos ser uns para os outros, mesmo com as nossas diferenças.

No último dia do congresso fui nomeado, pelo círculo internacional de embaixadores de Paz, da Suíça e França, como “jovem embaixador de Paz”. Foi um momento muito importante para mim, não pelo título em si, mas pela oportunidade que tenho de poder mudar o mundo, um desejo que sinto desde pequeno. Pode parecer uma utopia, mas sei que só com o amor, raiz da Paz, é possível… Após esta nomeação sinto que, unido a todos os jovens embaixadores da Paz, vou ser capaz de continuar a trabalhar na certeza de que o mundo unido será uma realidade, procurando pôr em prática as “10 Boas Práticas dos Líderes e Embaixadores de Paz”, que a seguir se enunciam:

10 Boas Práticas dos Líderes e Embaixadores de Paz

 

1. Ver todos como candidatos à paz

Eu escolho não ser portador de divisões. Tento ver e tratar cada um como candidato à paz e descobrir os aspetos positivos daqueles que contacto ou vivem comigo e constroem o respeito mútuo.

Quero abrir o meu coração e quebrar todas as minhas barreiras pessoais para tentar viver a fraternidade com uma pessoa de cada vez.

 

2. Acolher a diversidade

Tenho medo, dúvidas, pensamentos racistas, comentários críticos sobre uma pessoa de outro país, outra fé ou cultura diferente da minha?

Tento encontrar e ler algo que me ajude a entender as diferenças e a riqueza da diversidade. Se as dúvidas persistirem, procuro outras pessoas que me possam ajudar, escrevo para um especialista ou solicito uma reunião para criar um espaço para o diálogo.

 

3. Pronto para gestos de reconciliação

Comprometo-me em fazer gestos de reconciliação. Esqueço os erros passados dos outros com misericórdia. Tentarei escrever uma mensagem, telefonar, enviar um cartão postal ou levar um bolo ou flores a alguém que me magoou.

 

4. Estar ao serviço dos outros

Coloco ao serviço dos outros as minhas qualidades, dons, habilidades, ou seja, dar valor uns aos outros, dar as boas-vindas uns aos outros, edificarmo-nos uns aos outros, suportar os outros, ser benevolentes e estar ao serviço dos outros.

 

5. Acolher e trabalhar para aqueles que ninguém considera, os marginalizados, os chamados “mais pobres” da sociedade.

Comprometo-me a prestar atenção aos marginalizados pela sociedade, a fazer algo especial por eles.

Quem é marginalizado na minha família, na minha escola, no meu trabalho, na minha comunidade? Vou prestar especial atenção e fazer algo de concreto.

 

6. Acompanhar aqueles que têm dificuldades.

Tentar aproximar-me daqueles que sofrem ou passam momentos difíceis, ouvir a sua dor, e procurar entender, não apenas dando ideias, soluções fáceis e palavras rápidas, mas comprometer-me a ajudar concretamente no que está ao meu alcance.

 

7. Empenhar-me em fazer uma pausa diária

Prometer passar alguns minutos do meu dia rezando ou refletindo sobre a paz.

Ao meio-dia, paramos um minuto, um tempo de pausa, um curto período de tempo para focar a mente e o coração naqueles que sofrem a violência e as guerras em lugares envolvidos em conflitos. O tempo de pausa pode ser uma inspiração para agir e seguir em frente, ser um portador de paz na minha comunidade.

 

8. Viver e partilhar estratégias

Existem seis estratégias de paz: ser o primeiro a amar, ouvir o outro, perdoar reciprocamente, amar a todos, partilhar com os outros, amar uns aos outros. Procurar viver uma todos os dias, lançando o dado da paz.

Construir um dado da paz com os valores de paz que quero colocar em prática durante o dia e levá-lo para a escola, a universidade, o trabalho ou para o desporto. Dar a um membro da família, a um amigo ou um colega, para partilharmos uma estratégia de paz.

 

9. Apoiar ações e projetos de paz

Comprometer-me a trabalhar para a construção da paz na minha comunidade, cidade ou país. Tentar iniciar ou apoiar ações e projetos que promovam a paz e a fraternidade com o meu esforço concreto.

 

10. Juntar-me à rede dos construtores de paz

Concordo em juntar-me à rede Living Peace de Líderes e Embaixadores da Paz, partilhando as iniciativas realizadas no meu próprio ambiente e mantendo-me informado sobre todas as ações. Deste modo podemos dar visibilidade ao mundo do nosso compromisso de trabalharmos juntos pela paz.

 

Guilherme Gouveia é estudante e membro do Movimento dos Focolares

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