
Protestos na Birmânia no sábado, 6, contra o golpe militar de dia 1 de Fevereiro. Foto: Wikimedia Commons.
Dezenas de milhares de pessoas saíram para a rua na Birmânia durante os dois dias do fim-de-semana, protestando contra o golpe militar da madrugada de dia 1, que colocou a chefe do Governo, Aung San Suu Kyi em prisão domiciliária. O Papa Francisco juntou a sua voz à dos manifestantes, manifestando “viva preocupação” pela situação no país e apelando à “convivência democrática”.
Os manifestantes, que encheram as ruas das principais cidades do país, apesar das barreiras policiais, pediam também o respeito pelos resultados das eleições legislativas de Novembro, que deram a vitória, por maioria absoluta, à Liga Nacional para a Democracia (NLD), de Suu Kyi.
As chefias militares, lideradas pelo general Min Aung Hlaing, argumentaram na altura que as eleições foram fraudulentas pelo Exército, que por isso decidiu derrubar o Governo e prender os principais líderes políticos e civis. O general Hlaing sofreu, em 2019, a imposição de sanções por parte dos Estados Unidos, por causa do seu papel na perseguição aos muçulmanos rohingyas.
“Não queremos ditadura militar, queremos democracia”, gritaram cerca de 60 mil pessoas que participaram na manifestação em Rangum, a maior cidade do país – noticiou a Reuters, citada no Público.
Diferentes meios de comunicação, indica ainda a mesma fonte, consideram que estes são os maiores protestos desde a “Revolução de Açafrão”, de 2007, promovida por monges budistas que mobilizaram as populações contra o aumento dos preços de transportes e combustíveis e que acabaram num movimento de contestação generalizada à Junta militar.
“Não queremos uma ditadura para a próxima geração”, disse Thaw Zin, um manifestante de 21 anos, citado ainda no Público. “Não vamos terminar esta revolução até fazermos história. Vamos lutar até ao fim.”
De acordo com a BBC, a internet foi, entretanto, restabelecida no domingo, apesar de algumas redes sociais, como o Facebook ou o Twitter, continuarem com acesso limitado.
Papa pede “harmoniosa convivência democrática”
Na sua alocução do Angelus, neste domingo, 7, o Papa Francisco afirmou: “Rezo para que, quem tem responsabilidade no país se coloque, com disponibilidade sincera, ao serviço do bem comum, promovendo a justiça social e a estabilidade nacional, para uma harmoniosa convivência democrática.”
Ao mesmo tempo, o Papa recordou a sua visita ao país, em 2017, afirmando, citado pela Ecclesia, que guarda o país no seu coração, “com muito afecto”, em particular perante uma situação tão “delicada”. Na sua viagem, que incluiu também o Bangladesh, o Papa encontrou-se com o general Ming Aung Hlaing, a quem terá manifestado a sua preocupação com a situação dos rohingya.
“Desejo assegurar novamente a minha proximidade espiritual, a minha oração e a minha solidariedade ao povo de Myanmar”, referiu no Angelus, antes de pedir um momento de oração silenciosa a todos os presentes na Praça de São Pedro.
A Birmânia tem cerca de 53 milhões de habitantes, a esmagadora maioria dos quais são budistas. A minoria católica reúne cerca de 800 mil pessoas.









