
Ed Litton apresentou-se como “alguém que lideraria a Convenção em direção a uma reconciliação racial”. Foto retirada da página do pastor no Facebook.
A Convenção Batista do Sul (CBS), a maior denominação protestante/evangélica dos Estados Unidos da América (EUA), acaba de eleger um novo presidente que representa uma certa rutura com a extrema-direita que tem predominado nos últimos anos.
Ed Litton, o eleito, é pastor da Primeira Igreja Batista North Mobile no estado do Alabama e, segundo o Washington Post, apresentou-se como “alguém que lideraria a Convenção em direção a uma reconciliação racial”. Fred Luter, o primeiro e único pastor negro a desempenhar a função de presidente da CBS, foi quem propôs Litton para o cargo, dizendo que ele “traz um coração compassivo e de pastor. Precisamos de um pastor que ame a Deus e ao povo de Deus”.
Na votação final, a oposição a Little foi assumida por Mike Stone, o candidato ultra-conservador da Geórgia, favorito da extrema-direita, que perdeu por pouco (cerca de quatro pontos percentuais).
Segundo a leitura feita destes resultados pelo diário The New York Times, “as principais igrejas batistas, bem como as da extrema-direita, concordam que os resultados da Convenção servirão como um referendo sobre as prioridades da denominação e podem acelerar a fragmentação de uma instituição que já está a decrescer.
O ambiente dos debates em Nashville, onde decorreu a eleição, esteve quente, entre os que acusavam algumas lideranças de quererem arrastar as igrejas para o “liberalismo” (esquerdismo) e os que denunciavam o “farisaísmo” instalado.
Discursando horas antes da eleição, o presidente cessante J.D. Greear afirmou, num discurso inflamado, que a Convenção se encontra num “momento de definição”. Reconhecendo que existem perigos tanto do lado do liberalismo como do farisaísmo, criticou os “fariseus” que enfatizam “a pureza ideológica na sua missão evangelizadora, deixando de lado, com o seu zelo, pastores negros e latinos, vítimas de abusos sexuais e outros”. E lançou as perguntas: “Somos acima de tudo um grupo de afinidade cultural e política, ou vemos a nossa vocação principal como sendo um testemunho do evangelho?”, “Qual é a parte mais importante do nosso nome: Sul ou Batista?”.
A questão de fundo para as quais estas declarações remetem é certamente a proximidade que as principais confissões evangélicas tiveram com a Administração do ex-Presidente Trump e do Partido Republicano. Os debates são, pois, também, entre quem pretende continuar nessa linha e aqueles que entendem que o caminho deve ser diferente, mais aberto e inclusivo.










