AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Cabo Delgado, Moçambique

Ajuda humanitária não pode ser “indústria do sofrimento”

| 26/07/2021

Crescem as dificuldades humanitárias em Cabo Delgado, Moçambique. Agora é o administrador apostólico, D. António Juliasse Sandramo, que vem alertar para o perigo de criação de “uma indústria do sofrimento” que “dissipa” a ajuda humanitária. “Quando há situações de sofrimento, pode ser criada uma indústria do sofrimento, que se aproveita do sofrimento do povo”, afirmou Sandramo.

Em Pemba, a preocupação com as legendas das fotos existe já há algum tempo. Foto © António Marujo/Arquivo 7MARGENS

 

O administrador da diocese de Pemba avançou que a prioridade deve ser o apoio às vítimas da violência armada em Cabo Delgado, cuja capital é Pemba. Por outro lado, a disponibilidade de bens para a ajuda humanitária também pode atrair a tentação de desvios, num país com níveis de corrupção endémicos, acrescentou.

“Este risco [de desvio de ajuda humanitária] existe, com os níveis que nós temos de corrupção em Moçambique, isso nos leva a que o risco se torne maior”, afirmou. E é neste sentido que acusa organizações de apoio humanitário que, através da instalação de estruturas de funcionamento pesadas e que pagam salários elevados aos seus trabalhadores, tem interesse em protelar esta indústria do sofrimento. Até porque, defende o bispo, citado pelo portal DW, “estas entidades podem canalizar mais recursos para a sua máquina do que para as populações em situação de necessidade”.

Sem noção de quantas tropas estrangeiras já estão em território moçambicano, o bispo António Juliasse Sandramo pediu ainda o respeito pelos direitos humanos às tropas estrangeiras destacadas na província, alertando para o risco de agravamento da violência. “Toda a ação que deve ser feita [pelas forças militares estrangeiras] é no sentido de restituir a paz e nada mais do que isso e deve ser feito no respeito à vida da pessoa humana”, afirmou Sandramo, em declarações à Lusa.

O bispo católico defendeu que a intervenção militar estrangeira não deve resultar na perpetuação da violência e cometimento de abusos contra a população. “Que a violência não continue e que tudo isso não provoque mortes de pessoas humanas”, concluiu.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.