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Em 2021 e pela primeira vez

Gastos militares mundiais ultrapassaram dois biliões de dólares

| 27/04/2022

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Os países que mais gastaram foram os Estados Unidos da América, a China, a Índia, o Reino Unido e a Rússia. Foto © Kostafly.

 

Os gastos militares globais totais atingiram em 2021 os 2,1 biliões de dólares (perto de 2 biliões de euros), o que representa um aumento de 0,7 por cento em termos reais e levou a ultrapassar uma fasquia que nunca tinha sido atingida. Os dados foram revelados na última segunda-feira, 25, em Estocolmo, pela SIPRI – Instituto Internacional de Investigação sobre a Paz, uma entidade reconhecida no campo, que há anos funciona também como observatório e que refere que se tratou do sétimo ano consecutivo de aumento dos gastos.

Os países que mais gastaram foram os Estados Unidos da América, a China, a Índia, o Reino Unido e a Rússia, cinco nações que, no ano findo, concentraram quase dois terços (62 por cento) dos gastos militares globais.

“No meio das consequências económicas da pandemia de covid-19, os gastos militares globais atingiram níveis recorde”, disse Diego Lopes da Silva, investigador sénior do Programa de Gastos Militares e Produção de Armas do SIPRI. “Em termos reais, houve uma desaceleração da taxa de crescimento, devido à inflação. No entanto, em termos nominais, os gastos militares aumentaram 6,1 por cento”, acrescentou o perito.

Numa análise mais pormenorizada, verifica-se que só os EUA gastaram 801 mil milhões de dólares. Neste que foi o primeiro ano da gestão do presidente Biden, ainda que com um orçamento previamente definido, registou-se uma queda ligeira (de 3,7 para 3,5 por cento) relativamente ao valor do PIB , em comparação com 2020. Em contrapartida, o setor da pesquisa e desenvolvimento militar aumentou 24 por cento.

A China, com o segundo maior orçamento militar do mundo, alocou cerca de 293 mil milhões, gastou mais 4,7 por cento do que no ano anterior, e está há 27 anos com esta rubrica de gastos públicos sempre a crescer.  Segundo os dados divulgados pelo SIPRI, esta tendência de crescimento verifica-se igualmente noutros importantes países da região, como é o caso do Japão (mais 7,3 por cento) e a Austrália (4 por cento).

“A crescente presença da China dentro e ao redor dos Mares da China Oriental e Sul tornou-se o principal fator nos gastos militares de países como Austrália e Japão”, diz Nan Tian, ​​pesquisador sénior do SIPRI. “Importa citar, por exemplo, o acordo de segurança trilateral AUKUS entre a Austrália, o Reino Unido e os Estados Unidos, que prevê o envio de oito submarinos movidos a energia nuclear para a Austrália por um custo estimado de 128 mil milhões de dólares”, salienta Tian.

O estudo do Instituto de Investigação para a Paz refere também que, no caso dos estados membros europeus da OTAN, apenas oito atingiram, em 2021, o objetivo da Aliança de dedicar pelo menos 2 por cento do seu PIB às forças armadas. Esse número era de nove em 2020 e de seis em 2014.

 

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