“A Bíblia não condena a homossexualidade”, afirma teólogo espanhol

Manifestação em Estrasburgo, em Janeiro de 2013, contra a homofobia. Foto © Claude Truong-Ngoc/WikiCommons
“A Bíblia não condena o que hoje entendemos por homossexualidade”, diz o padre jesuíta espanhol José Luis Caravias Aguilar, que trabalha há décadas em vários países da América Latina e que há mais de 20 anos se dedica, no Paraguai, à pastoral com homossexuais. Numa entrevista à revista católica espanhola Vida Nueva, o biblista explica: “O que fica muito claro na Bíblia é a condenação muito forte da pedofilia e da violência sexual, ambas muito frequentes no mundo grego e no romano. Os patrícios romanos tinham habitualmente relações sexuais com os seus escravos e com os filhos dos seus escravos.”
Há sete passagens bíblicas que poderiam ser identificadas como relacionadas com a homossexualidade, acrescenta José Luis Caravias. Mas, por exemplo, no caso do Novo Testamento, os trechos em que São Paulo fala do tema devem ser explicados de forma diferente do habitual: “Aqueles senhores que estavam a violar os seus escravos e os filhos dos seus escravos a cada instante e afirmavam que as autênticas relações sexuais eram com homens, já que com as mulheres se tinham os filhos – os que crêem nisso e fazem isso não são membros da comunidade cristã.” Acrescenta Caravias: “São Paulo não está a falar das tendências homossexuais, mas dos abusos. Por isso, na Bíblia não há uma condenação explícita da homossexualidade como tal, mas das práticas de abusos por parte de homens a crianças e outros homens.”
A pesquisa do padre jesuíta começou há três anos, quando José Luis Caravias foi convidado por uma comunidade LGBT para falar numa iniciativa ecuménica acerca do que a Bíblia diz sobre a homossexualidade. Mas outros especialistas defendem teses semelhantes, mesmo em relação aos textos do Antigo Testamento que também eram identificados tradicionalmente como referidos à homossexualidade.
Quando questionado sobre se, no seu entender, a pedofilia na Igreja tem algo a ver com a alta percentagem de padres homossexuais, o teólogo afirma não concordar: a maior parte dos casos de pedofilia acontecem entre professores e alunos e “no seio das famílias”, que se presumem compostas por heterossexuais, afirma.
José Luis Caravias é autor de vários livros de teologia e espiritualidade, como Viver como irmãos e Deus na Minha Vida. Nascido há 84 anos en Alcalá la Real (Jaén), em Espanha, foi expulso do Paraguai pelo ditador Alfredo Stroessner em 1972. Foi acolhido na Argentina pelo então provincial dos jesuítas, Jorge Mario Bergoglio, hoje Papa Francisco. Para o padre Caravias, Bergoglio “era boa gente, mas agora ainda é melhor”.
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