
Foto: Arcebispo Wojciech Polak, Primaz da Polónia que aponta como fator relevante o modo como a Igreja lidou com os abusos sexuais no âmbito da instituição.© Notes from Poland
A Igreja Católica polaca tem registado um “declínio devastador” da prática religiosa, especialmente entre os mais jovens. O influente arcebispo Wojciech Polak, Primaz da Polónia aponta como fator relevante o modo como a Igreja lidou com os abusos sexuais no âmbito da instituição.
Em geral, são mais os jovens urbanos que se desligam e se vão embora, mas o fenómeno é mais geral e afeta também gerações mais velhas, segundo uma reportagem publicada pelo site Notes from Poland
Segundo dados de uma agência de investigação estatal, citada no trabalho, hoje menos de 25 por cento dos jovens polacos praticam regularmente a sua religião, contra cerca de 70 por cento há 30 anos.
Nem todos, entretanto, atribuem as causas da debandada ao fator abusos. Um outro arcebispo cita mais dois fatores: a pandemia do covid19 e a relação que os mais novos têm com as tecnologias digitais.
Contudo o afastamento e mesmo desvinculação com a Igreja por parte de muitos fieis não significa necessariamente que os polacos estejam a perder a sua fé em Deus, refere, noutro trabalho, a mesma publicação.
De facto, dados de agências especializadas, coincidentes com os da Igreja, sugerem que a prática religiosa semanal dos polacos diminuiu de quase 70 por cento no início dos anos 90 para 42 por cento atualmente. Em contrapartida, no mesmo período, os que acreditam em Deus ou sentem mesmo que Deus tem um papel na sua vida passaram de 94 para 84 por cento.
Relativamente aos abusos de crianças nos espaços e instituições eclesiais, sucederam-se as revelações nos últimos anos, agravadas por situações documentadas de encobrimento. De acordo com sondagens regulares da empresa IBRiS, a confiança na Igreja ressentiu-se significativamente, caindo de um índice de 58 porcento em 2016 para 44 em 2022. Dois bispos foram punidos pelo Vaticano por terem encoberto situações graves de abuso.
Outro fator recente que afastou uma parte dos crentes foi o apoio da Igreja ao PiS, partido ultra-conservador no poder, quando impôs restrições consideradas drásticas relativamente à pratica do aborto, que levaram para a rua, em 2020, centenas de milhares de polacos, sobretudo mulheres. A contestação dirigiu-se contra o governo, mas igualmente contra a Igreja que apoiou as medidas.










